07 de julho de 2026
Geral

Núcleo de saúde

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Pedra fundamental do núcleo de saúde do Jaraguá é lançada

Hoje (7/4, 6.ª), às 9 horas, o prefeito Nilson Costa e a secretária municipal de Saúde, Eliane Telles Nunes, estarão lançando a pedra fundamental do novo núcleo de saúde do Parque Jaraguá/Parque Santa Edwirges, na avenida Paulo Frontin, esquina com as alamedas Júpiter e Tróia. A solenidade faz parte das comemorações do Dia Mundial de Saúde.

Nilson Costa afirmou que a iniciativa de construir o núcleo nesse bairro acata a proposta aprovada na Conferência Municipal de Saúde e pelo Conselho Municipal de Saúde. Reivindicação antiga, o projeto custará R$ 450 mil. Por enquanto, os moradores da região recebem atendimento médico nos núcleos de saúde do Parque 9 de Julho e Núcleo Nova Esperança, cuja demanda acaba sendo excessiva.

Depois de construído, o núcleo abrigará três médicos por turno, um de clínica geral e os demais de outras especialidades. O atendimento será realizado das 7 às 19 horas.

Esse projeto é encarado como inovador pela Prefeitura, porque contará, dentre outras coisas, com uma área externa coberta, parquinho, sala de reuniões para treinamento de pessoal, especialmente para o programa Agentes Comunitários de Saúde - do qual a unidade será uma das pioneiras na instalação -, consultório odontológico para uso simultâneo de três profissionais e sala para o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), cujas ações devem ser descentralizadas.

O arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que desenvolveu o projeto, explica que a construção - modelo para outras unidades da rede - será baseada nas leis federais e estaduais, contando com linhas arquitetônicas simples, para evitar riscos de contaminações por focos de bactérias ou vírus. Com 4 mil metros quadrados, sendo 435 construídos na primeira etapa, o prédio permitirá ampliações, como a futura instalação de um Pronto-Socorro.

A área escolhida, de acordo com a titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, é de propriedade do município e fica num ponto central do Jaraguá, considerando-se os bairros vizinhos. As obras devem ser iniciadas brevemente e a duração prevista para a conclusão é de seis meses.

Beija Flor é o próximo

A titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Eliane Telles Nunes, afirmou que a ordem de prioridades definidas em abril do ano passado durante a 3.ª Conferência Municipal de Saúde, reunindo lideranças de bairros, membros do Governo Municipal, formadores de opinião e profissionais de Saúde, está sendo seguida. O plano diretor da SMS foi feito baseado nessas decisões.

A próxima ação, ainda sem data definida,

é a ampliação e a reforma do núcleo de saúde do Beija Flor. Em seguida, viria a ampliação dos Pronto-Socorros, que aguarda a aprovação de uma verba por parte do Governo Federal, e a construção de um Pronto-Socorro no Núcleo Presidente Ernesto Geisel, para a qual tenta-se liberação de dinheiro pelo Governo Estadual.

Eliane reiterou um fato que costuma mencionar em todas as reportagens: todas as ações da SMS estão vinculadas ao seu orçamento que, geralmente, está comprometido na manutenção dos serviços já existentes, impedindo "extravagâncias". "Pedi R$ 28 milhões de orçamento e recebi R$ 25 milhões. Fazemos o que

é possível. Qualquer coisa a mais seria milagre", disse.

A secretária informou, ainda, que para construir outras unidades precisaria tanto do respaldo das decisões da Conferência quanto de dinheiro. "Não tenho nem um, nem outro. Para contemplar a todos os pedidos, teria de dispor de R$ 70 milhões". Ela considera positiva a intenção da Prefeitura de impor como condição para a criação de núcleos habitacionais a construção de equipamentos sociais como escolas, creches e núcleos de saúde por parte da empresa, em parceria com o Poder Público.

O crescimento da demanda nos últimos anos, especialmente nesses novos núcleos, contribuem para que os usuários dos postos de saúde tenham de enfrentar horas nas filas,

à espera de uma senha. Esse e outros pontos estarão sendo investigados pela SMS, que pretende mapear a situação da saúde na cidade. "Em alguns núcleos, sobram vagas. Em outros, faltam".

A cidade conta, hoje, com 17 núcleos básicos de saúde e seis unidades referenciais, para onde são enviados os casos que requerem atendimentos específicos. São eles o Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai), Banco de Leite Materno, Serviço de Orientação e Prevenção do Câncer (SOPC), Ambulatório de Saúde do Trabalhador, Núcleo de Atendimento Psicossocial

(Naps) e Centro de Atenção e Apoio Sorológico

(Coas) e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids).

(AR)

Conceito de saúde

Indagada sobre a quantidade de núcleos de saúde que seria ideal para Bauru, Eliane deu uma resposta inusitada:

"depende". Segundo ela, o conceito de saúde que se propaga mundialmente prega a necessidade de executar medidas preventivas, não curativas, que consomem muito mais dinheiro e, geralmente, voltam a ser necessárias por não resolverem problemas crônicos.

"É preciso que haja uma intersetorialidade, ou seja, que o indivíduo tenha condições dignas de trabalho, alimentação, vestuário, moradia, meio-ambiente, esgoto, enfim, uma melhoria na qualidade de vida e uma mudança de mentalidade que evite o aparecimento da doença propriamente dita. Partimos do princípio que só vai haver a promoção da saúde quando conseguirmos uma cidade saudável".

A construção dos núcleos de saúde, portanto, não seriam primordiais se o enfoque fosse diferenciado e houvesse ações efetivas na obtenção da situação descrita. "Vou exemplificar: a parte mais barata é construir o núcleo. A maior dificuldade é o dinheiro gasto com o pessoal, que acaba atendendo casos que se repetem: aparece uma criança com 20 bichos de pé. Você trata, amanhã ele aparece com mais 20. Por quê? Primeiro porque só remédio não faz milagre; segundo porque sua condição de vida continua a mesma", finalizou. (AR)