Disfonia afeta 37% dos profissionais da voz
Profissionais que trabalham com voz enfrentam problemas decorrentes de vários fatores como clima, cigarro e bebida.
Avaliação realizada pelo Centrinho (USP) na Semana da Voz, com profissionais que utilizam a voz como meio de trabalho, verificou que 37% eram disfônicos, ou seja, apresentavam distúrbios nas cordas vocais. Há duas semanas, foi feita uma seleção de candidatos para o exame, sendo que 63% estavam com a voz normal, diferente dos disfônicos, que tinham a voz rouca.
Os defeitos encontrados nas vozes desses profissionais, que trabalham, falando seis horas por dia, no mínimo, eram decorrentes de vários fatores como clima, ar condicionado, cigarro e bebida.
A coordenadora da Semana da Voz, a fonoaudióloga Daniela Cury Ferreira Ruiz, salienta que, quanto mais uma pessoa fala intensamente fica mais sujeito à eventuais problemas na voz.
O objetivo dessa semana era prevenir as pessoas sobre o que pode ocorrer com a voz se não forem tomados certos cuidados. No entanto, a Semana da Voz, acabou transformando-se num período de tratamento, onde a equipe do Centrinho encaminhava os pacientes para o tratamento ou para um especialista, dependendo do caso, além de orientá-los.
Exercícios na voz, não fumar e beber dois litros de água, no mínimo, são recomendações feitas pelos especialistas. Até mesmo alguns hábitos vocais, como tussir, gritar e pigarrear fazem mal à voz e são considerados inadequados pelos fonoaudiólogos.
Segundo Daniela, a intenção dessa semana é alertar as pessoas para procurarem um especialista antes que o problema ocorra. "É importante saber lidar com a voz para que ela fique sempre sadia", afirma.
Radialistas, corretores, telefonistas e assistentes sociais faziam parte da lista de avaliados e que apresentaram voz rouca e também alguns distúrbios. Cada caso foi avaliado unicamente. Alguns haviam inchaço na corda vocal ou nódulo.
Dentre os examinados, havia um homem com mais de 60 anos que tinha a probabilidade de estar com câncer de laringe, porque tinha o hábito de fumar um maço e meio de cigarros por dia e beber pinga diariamente. De acordo com Daniela, devido a rouquidão intensa que ele tinha na voz e pelo histórico do seu cotidiano as suspeitas levavam a um câncer.
Durante a "Semana da Voz" foram utilizados dois procedimentos de avaliação pelos fonoaudiólogos. Um deles, ouvir a voz de cada profissional classificando-a com o tipo de problema, o outro, era feito através de um computador. O profissional falava algumas palavras no microfone do microcomputador e então saía uma avaliação do sistema.
Depois de analisadas as duas avaliações, a equipe de fonoaudiólogos encaminhava o paciente para um otorrinolaringologista, especialista que trata da garganta, do ouvido e nariz. Dependendo do caso, o paciente deveria voltar ao Centrinho para se tratar. O tratamento dos profissionais continua sendo feito com especialistas que cuidam da voz. No entanto, eles alertam que o melhor é prevenir, para não ter que remediar.
Hábitos nocivos para a voz:
Fumar
Ingerir bebida alcoólica
Ingerir bebidas geladas
Gritar
Tussir fortemente
Pigarrear
Mudar de ambiente quente para frio bruscamente