07 de julho de 2026
Geral

Febem

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 5 min

Febem continua paralisada

Texto: Adriana Rota

Vinte e três funcionários da área de construção civil recrutados pela subempreiteira O.F. Construções, de Bauru, para atuar na obra da unidade local da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) estão sem receber desde a contratação, há cerca de 50 dias. Na sexta-feira passada, quando a obra foi definitivamente paralisada, o sindicato da categoria teria dado um prazo até segunda-feira - não cumprido - para que a situação fosse regularizada. O responsável pela subempreiteira disse também estar sendo vítima da empresa vencedora da licitação, a CMK, de São Paulo.

Ontem à tarde, o clima era tenso no canteiro de obras. Os funcionários estavam revoltados, não só pelo não recebimento dos salários mas, principalmente, por não terem sido mantidos informados sobre os problemas que estavam ocorrendo. "Todo mundo percebia que tinha algo errado, mas ninguém chegou e falou. A falta de material foi a primeira coisa. Acho que fizeram isso para ganhar tempo", disse Antônio Aparecido dos Santos, referindo-se ao período de uma semana que teriam ficado sem receber material.

O abandono da obra pelo engenheiro responsável da CMK e a saída do local com os materiais restantes, na última sexta, trouxe a certeza de que realmente existiam problemas. O sindicato teria, na ocasião, dado um prazo até a tarde de segunda para que a situação fosse normalizada, o que não ocorreu.

"Aqui ninguém sabe exatamente para quem trabalha. A gente vem todo dia para receber, tem de pagar ônibus. Tinham prometido até cesta básica. Quem está

'pagando o pato' somos nós, que temos esposa, filhos, casa para sustentar, aluguel para pagar. Vamos comer o quê, pedra? Está aqui, o registro na carteira de trabalho. Como a gente vai procurar outra firma? Por que fizeram isso com a gente?", indignou-se Luís Carlos Felipe.

Josias Nogueira ressaltou que o eletricista Orivaldo dos Santos Saraiva, que na sexta-feira estava na iminência de ser despejado da casa onde morava com a esposa e seis filhos, conforme noticiou o JC, teve mesmo de desocupar o local. Revoltado, disse que a obra funcionava num clima de desorganização, mesmo com a presença do engenheiro responsável e de outro, a serviço do Estado. "Aqui não tem gato, não tem mestre de obras, corre tudo por conta. O fiscal manda pôr, o outro manda tirar. Se vier empreiteira boa, manda desmanchar tudo isso".

Empresa afastada

De acordo com o engenheiro Roger Arruda de Almeida, que fiscaliza a obra em nome da Companhia Paulista de Obras e Serviços

(CPOS), ligada à Secretaria de Obras do Estado, a CMK - empresa vencedora da concorrência realizada no ano passado

- foi pressionada, na última segunda, a desistir da obra porque não estava cumprindo os prazos.

No período da licitação, tudo estaria correndo bem mas, neste ano, seus compromissos estariam deixando de ser honrados. Na unidade da Febem de Araraquara teria ocorrido a mesma situação, regularizada na segunda, com o pagamento dos oito funcionários.

Os problemas teriam tido início nas últimas duas semanas. "A gente percebeu que a empreiteira estava com problemas financeiros. Começou a faltar concreto, fornecedores ligavam cobrando, alguns depósitos da cidade não quiseram vender mais. O gerente deles tentou negociar alguma coisa, mas não conseguiram regularizar a situação", disse. Quanto aos trabalhadores, a idéia é que a empresa que assumir a obra arque com o pagamento deles. "Caso isso não ocorra, eles terão de acionar a subempreiteira e essa, por sua vez, acionar a CMK", explicou.

O engenheiro Edmur Oliveira Lima, proprietário da O.F. Construções, reafirmou estar dependendo da CMK.

"Dependo dela para receber e poder pagar os trabalhadores". No início da noite, Lima contatou o JC afirmando que representantes da segunda colocada na licitação

- Construtora Prisma ou Prisma Engenharia (ele não soube especificar) estiveram na obra e ficaram de analisar o projeto. Ele acredita que, no mais tardar, semana que vem, seja dado um parecer.

Sem respostas

A CMK foi contatada ontem à tarde. O funcionário que atendeu, chamado Marcos, afirmou que o responsável pela obra, Paulo, não estava no local na ocasião. O número do telefone foi deixado, mas não houve retorno da ligação.

Terezinha Cintra, responsável pela Febem de Bauru, disse que esteve em São Paulo durante toda a semana fazendo cursos e participando de reuniões e só soube do que estava ocorrendo após ler o jornal. Ela forneceu o contato da presidência da Febem, na Capital.

Lá, uma funcionária disse que só Carlos Alberto Silva, da assessoria de imprensa da Secretaria de Promoção Social, poderia prestar informações. Esse, por sua vez, ficou de verificar a situação, desconhecida até então, e retornar a ligação. Até o fechamento dessa edição, às 21h30, não havia ligado.

O representante do sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil também não entrou em contato com o JC, embora tenha sido deixado recado tanto na obra quanto no sindicato.

Atraso

O prazo mais recentemente divulgado para entrega da Febem/Bauru era 19 de julho deste ano. Com os problemas na obra, ele pode não ser cumprido, de acordo com os entrevistados. A previsão inicial, que era janeiro de 2000, não teria sido cumprida por problemas na planta, de acordo com o então presidente da entidade, Guido Antônio Andrade.

Nesse meio tempo, a cidade assistiu a muitos protestos, especialmente dos moradores da região onde deverá ser instalada a unidade, na rodovia Bauru/Jaú, próximo ao Zoológico Municipal. Mas não houve acordo, porque o projeto descentralização proposta pelo Estado prevê a proximidade dos menores infratores

às suas famílias, para que sejam obtidos melhores resultados.