Comando afasta das ruas PMs sob suspeita
Dois suspeitos seriam colocados em liberdade ontem e outros dois tiveram a prisão temporária prorrogada
Os quatro policiais do 27º Batalhão da Polícia Militar, de Jaú, que estão sob investigação por suspeita de envolvimento em roubos na região não deverão mais trabalhar na rua, pelo menos enquanto durar o processo investigativo. A afirmação é do tenente coronel Alberto Garcia Silveira, comandante do 27º BPM-I que afirmou ainda, estar instaurando uma sindicância administrativa para apurar as suspeitas que pesam sobre os policiais.
Os PMs Marcelo Antonio Reche Linari, Carlos R. Bricce, Marcelo Otávio R. Firet e Márcio Nogueira foram detidos na última sexta-feira juntamente com o segurança Antonio Donizete Nicoleti. Após a Justiça ter decretado a prisão temporária dos cinco, na sexta-feira, a Delegacia Seccional de Jaú instaurou um inquérito que está sendo presidido pelo delegado Marcílio César Frederici de Mello, de Bariri. Ontem, venceu o período da prisão temporária dos cinco e o delegado pediu sua prorrogação por mais cinco dias. A Justiça entendeu que os PMs Marcelo Otávio R. Firet e Márcio Nogueira deveriam ser colocados em liberdade uma vez o envolvimento deles em ações delituosas não estava devidamente comprovado. Já as prisões de Marcelo Antonio Reche Linari, Carlos R. Bricce foram prorrogadas por mais cinco dias, bem como a do segurança Nicoleti. Cópia do alvará de soltura para Firet e Nogueira deveria ser encaminhada para o presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, ainda ontem e os dois, colocados em liberdade. Por outro lado, Reche e Bricce devem continuar no Romão Gomes até o final da semana. O segurança, por sua vez, continuará detido também na Cadeia Pública de Jaú.
O delegado de Bariri disse ontem esperar concluir o inquérito até a sexta-feira. Em depoimento prestado na delegacia de Bariri, anteontem, os quatro PMs negaram qualquer envolvimento nos crimes. Mas o delegado disse que o depoimento de pelo menos dois deles não convenceu.
Segundo o próprio comando da PM em Jaú, a princípio, pelo menos um dos policiais havia admitido a participação num roubo. "Depois ele voltou atrás e, na delegacia negou tudo", disse o tenente coronel Garrcia.
Afastamento
De acordo com o tenente coronel Garcia, independente da soltura ou não dos PMs, durante o transcorrer das investigações, nenhum deles voltara a trabalhar no policiamento de rua até que tudo seja esclarecido e comprove ou não o envolvimento de cada um.
Após serem colocados em liberdade, o coronel informou que até o fim do processo os quatro passarão a exercer trabalhos no setor administrativo e sem a utilização de armas.
O comandante mostrou-se de certa forma suspreso com as suspeitas que surgiram envolvendo os policiais. Ele está no comando do 27º BPM-I há poucos meses e disse que quando chegou teve muito boa impressão sobre o trabalho dos policiais que atuam em Jaú e cidades vizinhas abrangidas pelo 27º.
"Mas, se tem denúncias, vamos apurar e se houver irregularidades, as providências necessárias serão tomadas".
Prisão
A prisão dos quatro PMs aconteceu na última sexta-feira quando as políciais Civil e Militar deram início
às investigações após o surgimento de inícios da participação de PMs em práticas criminosas.
Um dos crimes que teria sido praticado com a participação de policiais ocorreu no dia 17 de maio de 1998. Após roubar um Gol em Jaú, rendendo o casal que ocupava o veículo, os suspeitos teriam ido até Bariri onde um outro roubo foi praticado, desta vez contra um posto de combustível. A polícia recolheu as armas da corporação já que as suspeitas são de que os PMs teriam usado os revólveres de trabalho para a prática criminosa.