07 de julho de 2026
Geral

Horário do comércio

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Prefeito está virando as costas para população, diz Acib

Texto: Paulo Toledo

O presidente da Associação Comercia e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, disse, ontem, que o prefeito Nilson Costa está virando as costas para a população

à medida que não toma atitude contra uma lei inconstitucional que restringe a abertura das lojas, nos horários eleitos pelas pessoas que compram no comércio da área central de Bauru. O líder lojista disse que já há a intenção de promover o enterro simbólico do prefeito, "que está querendo falir a cidade".

Para Carvalho, os comerciantes estão buscando o caminho da Justiça porque os comerciários não aceitaram a proposta feita e, agora, os comerciantes não têm condições de ampliar mais os benefícios oferecidos. Porém, o presidente da Acib afirma que o prefeito não pode ficar de braços cruzados, sem tentar modificar a lei em vigor, que é prejudicial à economia do município.

"Nós comerciantes desconfiávamos que (o sábado) seria o melhor dia para as compras. Na realidade, tornou-se o melhor dia para compras. E quem elegeu este dia foi o consumidor. Então, o que estão fazendo é em desrespeito ao consumidor. Quem merece o respeito, a consideração,

é o consumidor. O que está sendo feito é virar as costas para aquele que paga o meu salário", afirmou.

Cássio Carvalho disse que, em São Paulo, tem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Camelôs, pois estavam cobrando propinas dos ambulantes para que eles pudessem trabalhar. "Aqui está na contramão, tomam dinheiro do comerciante, legalmente, para fechar o comércio. Enquanto todo mundo briga e se acerta para poder trabalhar, aqui estão fazendo ao contrário, autuando com multas pesadíssimas, absurdas, para que não se trabalhe", cutuca, afirmando que, em Bauru, os camelôs têm privilégios de estar instalados em áreas ilegais, a menos de dez metros do Calçadão.

Cássio Carvalho diz que o prefeito está usando dois pesos e duas medidas, já que somente o comércio da área central tem as restrições, enquanto as outras áreas podem abrir livremente. O presidente da Acib defende a liberação total dos horários de funcionamento, dizendo que essa abertura só vai ocorrer nos horários que dêem lucro para os comerciantes, respeitando as 44 horas semanais (até agora eram trabalhadas 42).

O líder lojista disse que o atual quadro tem que ser totalmente revisto. Ele diz que o comércio não suporta mais encargos. Cássio Carvalho diz que o ideal é que se respeitasse o consumidor e Prefeitura e Câmara pudessem passar uma lei liberando o horário de funcionamento.

O presidente da Acib diz que todos os comerciantes estão aterrorizados com a brutalidade e truculência da Prefeitura. Nos próximos dias, segundo ele, os comerciantes podem colocar tarjas pretas, em sinal de luto, nas vitrines e promover um enterro simbólico do prefeito. "Ele (o prefeito) quer falir a cidade diz que não tem orçamento, que o orçamento está apertado, que não tem dinheiro para fazer as obras necessárias, e, ainda, vira as costas para o dinheiro, para ele não interessa arrecadar mais. Para nós, o que interessa é o faturamento, que a gente tenha, realmente, um ganho, pois ninguém está lá para brincar. Estamos lá para ganhar dinheiro, visamos o lucro. Não está havendo o bom-senso por parte do Executivo e do Legislativo de Bauru", lamentou.

Comerciários dizem que comerciantes são os culpados

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (SECB) disse que o único caminho para uma resolução do problema do horário no comércio é uma negociação entre o os sindicatos. Edson Quintiliano Júnior, assessor de Comunicação do SECB afirma que o ponto positivo deste embate é que, agora, vai ter que haver uma decisão definitiva sobre a questão do horário do comércio na cidade. Porém, o SECB credita à falta de disposição dos comerciantes em continuar negociando os problemas que estão ocorrendo agora.

Porém, ele diz que será necessário um amplo diálogo envolvendo O SECB, o SinComércio, a Prefeitura e a Câmara, para que se possa chegar a um resultado definitivo.

O Sindicato dos Empregados diz que não é interessante o fechamento de lojas e a demissão de funcionários e, por isso, está de portas abertas para negociações. Porém, não é admissível que a lei em vigor seja desrespeitada.

Quintiliano Jr. diz que a maioria dos funcionários que votou (resultado foi 785 contra e 269 a favor) estava revoltada com "a falta vontade dos empregadores em melhorar a proposta". Ele ressalta que o voto contrário veio mesmo sob o risco de demissão, já que muitos empresários fizeram reuniões internas nas lojas sobre o assunto.

O SECB diz que o quadro de funcionários das lojas já está muito enxuto e isso vai reduzir a possibilidade de demissões. Admitiu, no entanto, que a campanha contrária feita pelo vereador Paulo Agustinho (PTB) colaborou para a recusa da oferta.

Ele diz que o cumprimento da lei não pode ser desprezado porque há lojistas que estão cumprindo a lei e, com isso, não seria justo.

O SECB afirma que, quem provocou essa "confusão" foram os próprios empregadores, que atrasaram no envio da proposta de acordo a ser votada.

Para o Sindicato dos Empregados, os comerciantes escolheram o caminho da Justiça e se arriscaram a sofrer as autuações.

"Dizem os empregadores do segmento "comércio em geral" - ainda - que estão sendo perseguidos, uma vez que shopping-center, galerias e supermercados estão funcionamento à vontade, sem convenção coletiva e sem punição. Mais uma vez, cabe-nos informar que nenhuma proposta final do sindicato patronal chegou às nossas mãos com relação a esses outros segmentos. Formalmente, vimos cobrando o envio das propostas desde 13 de março. Na última sexta-feira, tivemos uma reunião com o presidente da Associação paulista dos Supermercados

(Apas) local, na qual expusemos nossa preocupação com relação ao assunto".

O assessor do SECB disse que a paciência da diretoria está esgotada: "Se não houver proposta desses segmentos, ainda esta semana, a partir da próxima segunda-feira estaremos exigindo fiscalização nos mesmos". (PT)