07 de julho de 2026
Geral

Receita

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Paralisação dos auditores da RF será interrompida

Texto: Patrícia Zamboni*

Está programado para hoje o término da paralisação nacional de três dias, desta semana, dos auditores fiscais da Receita Federal. Esta é a quarta semana de interrupção das atividades da categoria, sempre intercalando os dias da semana com a volta temporária ao trabalho. A primeira paralisação ocorreu no dia 21 de março. De acordo com o vice-presidente do Unafisco Sindical-Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal em Bauru, José Aparecido Pereira, a categoria está reivindicando a reposição das perdas salariais pelo índice do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas

- Dieese (63,8%), paridade entre aposentados e ativos e, principalmente, a criação de critérios e garantias para os servidores das carreiras exclusivas de Estado, bem como a manutenção do regime estatutário neste segmento. Segundo Pereira, o Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, ainda não quis receber ninguém do Sindicato para negociar. Em Bauru, a adesão ao movimento significa 3% dos auditores fiscais que atuam na cidade.

A paralisação dos auditores fiscais implica na interrupção de serviços internos realizados pela Receita Federal e na suspensão do desembaraço (ou liberação) das mercadorias exportadas e importadas que saem e chegam a Bauru.

"Os auditores que trabalham com a verificação de materiais exportados e importados estão fazendo só as operações padrão. Ou seja, não estão desenvolvendo todo o processo, que funciona da seguinte forma: as mercadorias para exportação já saem desembaraçadas daqui para Santos, por exemplo. Quando chegam lá, não precisam ser verificadas novamente. Já as mercadorias importadas, não seriam desembaraçadas em Santos. Isso seria feito aqui na Eadi. Essa liberação não está acontecendo. Porém, nesta sexta-feira as atividades voltarão ao normal", afirma Pereira. Ou seja, durante os dias de paralisação, essas mercadorias estariam ficando "presas" na Eadi.

De acordo com o vice-presidente do Unafisco-Sindical, a categoria está utilizando todos os prazos possíveis para retardar os serviços com o objetivo de conseguir que sejam aprovadas as reivindicações que estão fazendo, que segundo Pereira, já tinham sido acordadas e não estariam sendo respeitadas pela Receita. "Nós queremos uma negociação com o Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para apresentar nossa pauta de reivindicações, porque até agora ele não quis receber ninguém do Sindicato. Sexta-feira todos voltarão a trabalhar normalmente. Porém, se não conseguirmos nada, provavelmente na semana que vem faremos nova paralisação", diz José Aparecido Pereira.

O delegado da Receita Federal em Bauru, Celso Pegoraro, não pôde ser contatado para falar sobre o assunto por se encontrar em São Paulo, segundo informações da própria equipe dele. O delegado substituto, Belmiro Antônio Peres, foi procurado, porém, não foi possível o contato com ele até o fechamento da edição. A reportagem recebeu a informação de que ele estava em uma reunião sem previsão do horário de encerramento, e o delegado substituto não respondeu ao recado deixado em seu gabinete.

Dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, dão conta de que o movimento prejudicou as exportações da primeira semana de abril, o que teria contribuído para o déficit de US$ 31 mi nesse período. Porém, o presidente nacional do Unafisco-Sindical, Paulo Gil Introini, teria negado, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que as paralisações teriam prejudicado o saldo da balança comercial. Segundo ele, se as exportações diminuíram, é resultado da política econômica do País. Para ele, se a paralisação dos auditores fiscais influísse no comércio, haveria queda também nas importações, e o resultado seria equilibrado.

*Colaborou Agência Estado (AE)