07 de julho de 2026
Geral

Horário do comércio

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Reunião na Prefeitura acalma comércio que suspende manifestação

Texto: Paulo Toledo

Uma reunião realizada, ontem à tarde, na Prefeitura, entre o prefeito Nilson Costa (PPS), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Roberto Rufino, e as quatro entidades do Comércio de Bauru conseguiu acalmar os lojistas, que recuaram, pelo menos por enquanto, da intenção de protestar contra o chefe do Executivo, amanhã, no Calçadão. Hoje será realizada uma reunião, às 9 horas, com o presidente da Câmara, Paulo Madureira, que deve apresentar um projeto na sessão de segunda-feira, para alterar a lei que regulamenta a abertura do comércio na cidade.

Walace Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), revelou que houve um contato do prefeito com Madureira, no sentido de acertar a reunião de hoje. Perante os representantes da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Associação dos Lojistas do Calçadão

(ALC) e do SinComércio, de acordo com relato de Sampaio, o prefeito teria se manifestado claramente favorável à liberdade do horário do comércio e do envio do projeto

à Câmara. Nilson Costa teria assumido, ainda, o compromisso de sancionar a lei, se aprovada pela Câmara.

Diante desta situação, os protestos contra o prefeito foram suspensos. Porém, terão continuidade as manifestações do comércio, com a colocação de faixas, pela liberação definitiva do horário do comércio. Esta é uma briga que não tem retorno e vamos mantê-la até o fim", destacou.

A partir deste sábado, será iniciada a coleta de assinaturas da população pedindo apoio para a questão do horário livre. Para Sampaio, a sensação dos lojistas é que a maioria da população

é favorável à abertura do comércio em horário diferenciado.

O sindicalista destacou que a mobilização será mantida. O alvo, agora, será a Câmara Municipal, que vai decidir a questão. O SinComércio está realizando um levantamento sobre horário praticado nas cidades médias do Estado de São Paulo que, até agora, aponta "que a única que possui uma legislação antiquada é Bauru", fruto de uma emenda da última lei. "Hoje fica patente que o grande trunfo que temos é que a população está muito consciente do que representa o comércio aberto. Duvido que a população de Bauru pretenda voltar a fechar os supermercados às 18h30, todos os dias. É isso que prevê a lei. É um absurdo tão grande que nos leva a acreditar que, com a opinião pública do lado do comércio, com a colocação de que não queremos ser a última cidades do Interior do Estado a ter um horário livre do comércio, temos todas as chances de conseguir a aprovação na Câmara", ressaltou.

Sampaio pretende argumentar com os vereadores para demover as possíveis opiniões contrárias, que sejam construídas em bases lógicas. Porém, as lideranças do comércio não querem "perder tempo em relação aos que utilizarem argumentos demagógicos" para defender a não liberação.

As entidades conseguiram o compromisso do prefeito de recolhimento das autuações que têm valor em dobro e substituição por outras de valor sem a dobra. Porém, mesmo assim, em seguida, os lojistas vão recorrer das multas aplicadas, por considerarem injustas. Os lojistas esperam, ainda, que a Justiça possa acolher a ação que pede a liberação do horário nos próximos dias, o que, também, daria argumentos para a derrubada das multas, que foram aplicadas enquanto o caso estava sub-judice. "A confiança que temos é que nenhuma empresa de Bauru terá que pagar multa alguma pelo direito de abrir que tem e que vem exercendo hoje mesmo contrariamente a uma lei, que reconhecidamente é inconstitucional", afirmou.

A Prefeitura não se manifestou de maneira incisiva sobre a reunião. A Assessoria de Imprensa do Palácio das Cerejeiras emitiu a seguinte nota oficial: "O prefeito Nilson Costa reuniu-se ontem, em seu gabinete, com as lideranças do comércio bauruense. Assim como os comerciantes, vereadores e comerciários, o prefeito está empenhado na busca de uma solução para o horário de funcionamento do comércio, que atenda os interesses da maneira mais ampla possível".