07 de julho de 2026
Geral

Construção

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Construção civil precisa de gerenciamento, diz consultor

Texto: Patrícia Zamboni

O consultor e empresário José Carlos de Arruda Sampaio diz que o setor da construção civil no Brasil sofre a falta de gerenciamento de obras. Segundo ele, através da análise do processo de produção de uma obra é possível identificar as oportunidades de lucro. A afirmação foi feita durante uma palestra ministrada por Sampaio para empresários do setor, no Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) de Bauru. "Durante muito tempo de consultoria, eu vejo que as mesmas coisas que, há 20 anos atrás, os empresários do setor diziam que precisavam melhorar, continuam sem melhora. Então, esse evento é uma oportunidade de questionar os empresários sobre coisas que, se feitas, melhoram o gerenciamento da obra. Isso possibilita gastar menos dinheiro para fazê-la. Os empresários brasileiros sabem disso; falta colocar em prática", afirmou Sampaio.

De acordo com Sampaio, para solucionar esse problema é preciso que o corpo técnico das empresas que atuam na área de construção civil dedique mais tempo ao gerenciamento da obra, e não somente à construção. Um dos itens que fazem parte desse gerenciamento é o desperdício de materiais que, no Brasil, é grande. Segundo Sampaio, isso é provocado pela falta de treinamento dos funcionários e pelo próprio sistema construtivo. "O sistema construtivo convencional que existe há anos no Brasil, propicia a perda. Eu acho que nós devemos, cada vez mais, melhorar os sistemas que já dominamos, como o de alvenaria, entre outros. Mas, a meu ver, este não é um sistema que vai ficar sozinho no mercado por muito tempo. O sistema construtivo no Brasil vai ficar dividido em três áreas: construção convencional, com pilares, lajes e vigas de concreto e alvenaria; sistemas metálicos, que estão chegando ao Brasil; e os mistos, com estruturas metálicas e paredes pré-moldadas, por exemplo", disse o consultor.

De acordo com Sampaio, com os novos sistemas construtivos, a mão-de-obra mais simples passará a ser menos necessária, já que existem equipamentos para fazer o trabalho "pesado" de transportar materiais, e serão selecionados trabalhadores com atuações mais específicas, como os especialistas em colocação de paredes pré-moldadas e em estruturas metálicas, por exemplo. Segundo o consultor, ainda existe muito desperdício de material no Brasil. Os

últimos estudos dessa área mostram que, atualmente, na construção de um prédio de quatro pavimentos e 15 andares, perde-se 10% do seu custo em desperdício de material e na mão-de-obra que gerou isso. Desse total, 6% são de perda com material e 4% com mão-de-obra. Desses 6%, aproximadamente 60% sai como entulho, e 40% é agregado à construção, quando são somados superdimensionamentos de obra, segundo José Carlos Sampaio. Ou seja, a falta de gerenciamento começa no projeto da obra que será desenvolvida. "A qualidade só será obtida se, cada vez mais, forem melhorados os aspectos humanos, desde o engenheiro até o trabalhador mais simples. E o problema maior que eu vejo, hoje, é a engenharia aceitar mudanças. O trabalhador não tem culpa de nada. Ele faz o que mandam fazer", afirmou o consultor. Em relação a Bauru, Sampaio afirmou ter boas referências das empresas atuantes na área da construção civil.