07 de julho de 2026
Geral

Inadimplência

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru tem 55 mil inadimplentes

Texto: Márcia Buzalaf

A cidade de Bauru tem 55.480 inadimplentes registrados no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), quase 20% da população bauruense, estimada em 300 mil habitantes. O número de ocorrências de inadimplência no

órgão é ainda maior, de 86.929, o que significa que algumas pessoas tiveram mais de um registro.

Orlando Burgo, presidente da CDL, afirma que este número chegou a ser bem mais alto, atingindo 140 mil bauruenses inadimplentes. A queda, segundo ele, é resultado de uma postura do vendedor mais rígida durante as vendas. "Hoje em dia, a gente consulta até as lojas que têm cartão próprio", diz.

Nilva Aparecida Gonçalvez Pereira, 31 anos, atendente do SPC, afirma que estes números são atualizados até a tarde de ontem. Os dados sobre o número de inadimplentes

é diferente dos registros de inadimplência porque o consumidor pode ter mais de um registro no órgão de proteção ao crédito.

Os primeiros três meses deste ano tiveram queda em todos os índices, se comparados com o mesmo período do ano passado. A variação entre os dados do primeiro trimestre deste ano e do ano passado mostram queda de 38,69% na inadimplência, de 17,18% nos cancelamentos e de 24% nas consultas entre um ano e outro (veja quadro ao lado).

Nas negativações, que são os novos registros de inadimplência, foram registrados em janeiro deste ano 3.965 inclusões; em fevereiro, 4.354; em março, 5.554; resultando em 13.873 registros de inadimplência no primeiro trimestre.

O número de pessoas que tirou o nome do SPC também caiu em relação ao ano passado. Em janeiro, foram registrados 2.144 cancelamentos; em fevereiro, 7.837; e em março, 2.656 pessoas entraram com o cancelamento no órgão. No total do primeiro trimestre deste ano, 12.637 inadimplentes tiraram o nome do cadastro de inadimplentes.

As consultas ao órgão também apresentaram queda de 24% entre o primeiro trimestre de 99 e o mesmo período deste ano. Segundo o SPC, em janeiro, foram 47.418 consultas; em fevereiro, 48.023 e, em março, 48.389, somando 143.830 consultas no primeiro trimestre.

Só na primeira quinzena de abril foram registradas 2.070 negativações, 1.213 cancelamentos e 25.694 consultas ao órgão, uma queda de 12,8% em relação

à primeira quinzena do mesmo mês em 99. O motivo da queda nas consultas é porque, no ano passado, a Páscoa foi celebrada na primeira quinzena do mês.

Como tirar o nome do SPC

Para tirar o nome do cadastro de inadimplentes, o consumidor tem três opções: pagar o débito, provar que a dívida não é procedente (no caso de não ser) ou esperar por cinco anos, quando vence o prazo de cadastro do nome de um inadimplente.

Para pagar o débito, a própria Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), que administra o cadastro de inadimplentes, oferece uma intermediação entre consumidor e lojista, negociando com as duas partes o parcelamento do débito.

Quem acreditar que a dívida que levou seu nome ao SPC está incorreta, deve recorrer primeiramente ao próprio órgão, fazendo uma contestação, alegando que você não comprou nada naquela empresa.

O serviço de cobrança do SPC, então, entra em contato com o lojista e pede documentos que comprovem a pendência do devedor com o respectivo estabelecimento comercial. Para que o registro de inadimplência seja mantido, o representante comercial tem que mostrar um documento com a assinatura de quem ele acusa como inadimplente.

Se a empresa não fornecer o documento, o nome do inadimplente

é retirado do cadastro. Nilva garante que o SPC tem o maior interesse em proteger tanto o lojista quanto o consumidor, até mesmo para que este último possa voltar às compras.

Isso ocorre porque o associado da CDL assina um termo se responsabiliza pelas informações e por ter comunicado com antecedência o cliente inadimplente. Além disso, o SPC não exige que o associado comprove que o devedor é, de fato, devedor.

A última forma de tirar o nome do cadastro de inadimplentes

é esperar pelo prazo máximo de cinco anos, quando as negativações são canceladas.

Cisão entre CDL e Acib durou 3 meses

Há exatamente um ano atrás, o Jornal da Cidade noticiava a cisão entre a Associação Comercial de Bauru

(Acib) e a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Bauru (CDL), quando os dois dirigentes dos órgãos representativos anunciaram que a cidade teria dois sistemas de proteção de crédito - um somente com as informações da cidade e um outro com os dados de todo o Interior (exceto Bauru) e da capital.

Agora, a cidade volta a ter apenas um sistema com dados de inadimplência, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), da CDL, que conta com informações da cidade, da região e de São Paulo.

Para chegar até este consenso, foram três meses de cisão entre a Acib e a CDL no sistema de proteção ao crédito, o que acarretou prejuízo para as empresas, segundo assumem seus dirigentes. Isso porque sete grandes lojas de Bauru - Lojas Riachuelo, Casas Pernambucanas, Casas Bahia, Ponto Frio, Singer, Arapuã e Eletro - deixaram o SPC para adotar o sistema integrado da Acib.

Como conseqüência, quem fazia a a consulta no SPC, não tinha os dados destas empresas, e no sistema interligado com São Paulo da Acib, os dados dos inadimplentes de Bauru não estavam cadastrados.

Para Orlando Burgo, presidente da CDL, e para Cássio Carvalho, presidente da Acib, houve prejuízo para o meio empresarial durante os três meses desta cisão. "Nós já estamos percebendo que realmente estava tendo muitos erros. Nós mesmo, naquela época, vendemos para negativos

(inadimplentes)", diz Burgo.

Para os dois representantes da categoria, a atual situação está melhor para a cidade e para o setor empresarial, que tem uma maior abrangência com a consulta dos dados. "Por bem, nós acordamos que seria bem melhor um só sistema", explica Carvalho.

A cisão entre os dois órgãos começou em outubro e terminou no final de janeiro quando a CDL cedeu e fez a parceria com a Associação Comercial de São Paulo, agregado os dados do Sistema Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Carvalho diz que a renúncia ao sistema próprio foi feita porque o banco de dados do SPC era bem maior do que o da associação comercial. A decisão de tornar o sistema único foi tomada pelas três entidades - SPC, Acib e Associação Comercial de São Paulo. Por isso, o SCPC local foi fechado. Segundo Carvalho, não houve prejuízo para a Acib.

A atendente do SPC, Nilva Aparecida Gonçalvez Pereira, 31 anos, afirma que, atualmente, ao consultar o SPC, a primeira resposta recebida é do sistema interligado de Bauru e de cidades da região (Barra Bonita, Jaú, Pederneiras e Boituva) e, depois, os dados integrados que chegam ao sistema são os da Associação Comercial de São Paulo. (MB)

INFOGRÁFICO

NEGATIVAÇÕES

janeiro/2000: 3.965

fevereiro/2000: 4.354

março/2000: 5.554

consultas no 1.º trimestre/2000: 13.873

janeiro/1999: 6.366

fevereiro/1999: 6.816

março/1999: 9.442

consultas no 1.º trimestre/1999: 22.624

Variação (99/00): - 38,69%

CANCELAMENTO

janeiro/2000: 2.144

fevereiro/2000: 7.837

março/2000: 2.656

consultas no 1.º trimestre/2000: 12.637

janeiro/1999: 4.027

fevereiro/1999: 3.463

março/1999: 7.769

consultas no 1.º trimestre/1999: 15.259

Variação (99/00): - 17,18%

CONSULTAS

janeiro/2000: 47.418

fevereiro/2000: 48.023

março/2000: 48.389

consultas no 1.º trimestre/2000: 143.830

janeiro/1999: 61.196

fevereiro/1999: 57.455

março/1999: 70.580

consultas no 1.º trimestre/1999: 189.231

Variação (99/00): - 24%

SPC - 1.ª quinzena de abril

negativações - 2.070 registros

cancelamento - 1.213 registros

consultas - 25.694 registros

Fonte: Serviço de Proteção ao Crédito

(SPC)