08 de julho de 2026
Geral

Assalto ao presídio

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Reeducando é reconhecido como ladrão do IPA

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Cinco reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru foram flagrados, ontem, com dinheiro, maconha e produtos alimentícios do presídio. Eles foram abordados quando viajavam para São Paulo, para gozar o benefício do indulto da Páscoa. Um deles foi reconhecido como sendo um dos autores do assalto no qual foram levados R$ 30 mil do IPA, anteontem.

Se a participação do reeducando no assalto ficar provada, a versão de que os assaltantes não fugiram para fora do presídio pode estar certa. Nesse caso, o dinheiro roubado, ainda não recuperado, pode estar escondido em uma área qualquer do prédio.

Através de uma denúncia anônima, a Polícia Militar tomou conhecimento que dentre os 533 reeducandos beneficiados com o indulto da Páscoa estavam os assaltantes. Dois ônibus foram abordados na base da Polícia Rodoviária, ainda em Bauru, e cinco deles foram levados para a delegacia.

Com um dos presos, J.M.F.S., foi encontrado seis quilos de pó de café e três peças de queijo fresco. Com J.L.R., foi encontrado R$ 520,00 em notas de R$ 10,00. Ele alegou que o dinheiro era de J.M.F.S. Com F.A.G. foi encontrado uma pequena porção de maconha.

I.C.C.V. foi apontado como sendo um dos autores do assalto, porém com ele a polícia não encontrou qualquer coisa que o incriminasse. Todos os acusados foram encaminhados para a delegacia, onde alguns foram autuados em flagrante e outros tiveram a prisão temporária decretada.

Por uma questão de segurança, o nome completo dos acusados foi mantido em sigilo, uma vez que não há provas contra eles, apenas indícios. Sabe-se, extra-oficialmente, que durante a contagem de presos, na noite de terça-feira, não foi dada a falta de nenhum.

O delegado titular do 1º Distrito Policial de Bauru, Marcelo Haddad, pediu a prisão temporária dos cinco reeducandos. A polícia precisa de tempo para investigar a procedência do dinheiro que estava de posse do reeducando. O reconhecimento do preso não basta para provar que ele está envolvido no assalto.

Uma testemunha reconheceu, ontem, I.C.C.V. como sendo o homem que usava uma pistola 7.65 e que participou do assalto. Ela não quis ser identificada porque teme ser perseguida pelo ladrão ou por seus companheiros. O detento que estava com o pó de café e o queijo foi autuado em flagrante por furto. O que estava com a maconha foi autuado por porte de entorpecente, mas por ser reincidente, não pode pagar fiança.

Assaltante pode ter dormido no presídio

A hipótese de que os assaltantes não deixaram a

área do presídio já tinha sido considerada, no dia do assalto, uma vez que tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil estavam nas imediações e não viram nenhum carro deixar o local.

Se realmente I.C.C.V. for um dos autores, a tese aventada pode ser a verdadeira. A polícia trabalha com a hipótese de que os assaltantes tenham dado uma volta no prédio e entrado de novo no presídio, sem nem mesmo deixar a área de segurança. Se as suspeitas se confirmarem, os ladrões dormiram no IPA.

Sobre os R$ 30 mil, ninguém fala. O dinheiro sumiu. Porém, se os ladrões não fugiram, há a possibilidade de o dinheiro está em algum lugar do presídio, assim como as armas usadas no assalto. O diretor do IPA, Edilson Valim, admite que dentro do presídio havia armas. "Eu acho que as armas entraram na segunda-feira. Agora não estão mais aqui", garantiu ele ontem.

De acordo com Valim, os presos tinham um segundo plano, caso houvesse falha no primeiro. "Eles haviam planejado ferir um funcionário. Quando a ambulância fosse sair com o funcionário, eles fugiriam" disse. O diretor garante que tomou todas as medidas de segurança possíveis. "Eu mudei o local de pagamento. O pagamento foi feito em local seguro. Só que entrou uns caras com revólver e apavorou todo mundo. Eles gritavam: - "Vou matar" e os funcionários se assustaram", contou ele ao JC.

Na análise do diretor, o reeducando apontado como sendo um dos assaltantes pode ser um dos integrantes da quadrilha que levou os R$ 30 mil. "Ele pode ter fugido e retornado pelos fundos ou por alguma entrada secreta. O IPA é muito grande", ponderou.

Valim prometeu efetuar um revista nos quartos do presídio.

"Cada quarto tem 100 presos." Segundo o diretor, ontem, um dia após o crime, os 533 presos saíram para gozar o benefício da Páscoa. "Nós fizemos um empréstimo para pagar os reeducandos que trabalham fora. Cada um deles recebeu só R$ 10,00", contou Valim.

O diretor estuda uma nova forma de fazer o pagamento dos presos para não correr riscos de novo assalto. "No Natal, nós tivemos R$ 80 mil em mãos e fizemos o pagamento aqui, sem problemas. O próximo pagamento será no Dia das Mães e não podemos correr riscos."