Região discute problemas em comum
Texto: Andréia Alevato
No ano passado, as Associações de Moradores dos bairros Pousadas da Esperança, Vila São Paulo, Núcleo
Índia Vanuire, jardins TV e Marília e Colina Verde realizaram o Primeiro Plano Diretor Popular de Bairros, uma ação independente do Poder Público. Esse Plano Diretor teve como objetivo estabelecer prioridades sociais, reivindicações e traçar metas para o orçamento participativo. Tudo o que foi discutido entre os moradores foi encaminhado para o prefeito Nilson Costa.
O plano diretor enviado ao prefeito estabelece diretrizes que deveriam ser seguidas pelo Poder Público, na ordem de prioridades estabelecidas pela comunidade. Esse projeto contou com a colaboração dos departamentos de Arquitetura e Psicologia da Unesp de Bauru.
De acordo com o professor de Urbanismo do curso de Arquitetura da Unesp de Bauru, José Xaides de Sampaio Alves, que participou da elaboração do Plano Diretor, problemas antigos dos bairros, como a falta de um sistema viário adequado que integre os bairros vizinhos, foram discutidos e soluções apresentadas.
Também foram traçadas metas, todas em comum, para serem trabalhadas a curto, médio e longo prazos.
"As associações costumam discutir apenas o imediato e esquecem os grandes problemas. Mas desta vez foi diferente. Problemas em comum foram discutidos", disse o professor.
Vários pontos foram discutidos, entre eles, a necessidade de organizar um movimento popular sobre as questões urbanas, para que os erros na construção de núcleos não se repitam, como a localização correta de uma praça ou escola em um bairro.
A falta de áreas de lazer na região e a grande erosão na Pousada da Esperança também foram incluídas na discussão.
Outro problema abordado foi a questão do desenvolvimento da região, que é a mais populosa e carente da cidade. Para que o desenvolvimento exista, será preciso investimento.
"A região precisa da criação de projetos estratégicos de desenvolvimento, ou seja, projetos que só pela sua importância polarizem em torno dele outras questões e puxem o desenvolvimento da cidade para aquela região", afirmou Xaides.
Foram feitas algumas propostas para atrair investimentos e, conseqüentemente, o desenvolvimento da região, entre elas, a criação do Parque do Castelo, que poderia abrigar o Paço Municipal ou algumas secretarias da Prefeitura.
"Com isso, o Poder Público estaria mais próximo fisicamente dos problemas da população, porque a região Sul praticamente não tem problemas. Essa proximidade induziria o desenvolvimento e a valorização da região", explicou Xaides.
Outra proposta apresentada foi a implantação de um centro comercial, como um shopping popular na região. Esse shopping popular deveria ser instalado em um vazio urbano no Parque São Geraldo, ao lado da avenida Jânio Quadros, que deve ser terminada ainda neste ano. "Essa região tem um grande potencial de desenvolvimento", disse o professor de Arquitetura.
A instalação de uma universidade na Zona Norte também atrairia investimentos, de acordo com Xaides, que afirmou que uma área já foi doada para que uma faculdade de Medicina fosse implantada no local.
Outra alternativa apresentada é a criação de um centro de exposição e eventos naquela região. "O Recinto Mello Moraes está muito ligado à agropecuária. Esse centro de exposição e eventos poderia até desenvolver a área de turismo de negócios. O que seria ótimo para Bauru", completou Xaides.
Outro ponto discutido no Plano Diretor Popular de Bairros foi a possibilidade de se criar uma lei de zoneamento urbano.
"Com essa lei de zoneamento urbano, se o centro de exposição for construído, pode-se estudar a instalação de hotéis nas proximidades", afirmou o arquiteto.
O meio ambiente não foi deixado de lado na discussão do Plano Diretor Popular. Os moradores acreditam que além de desenvolvimento, não só a região, mas toda a cidade precisa de um rigoroso programa ambiental, devido o crescimento da região.
"A região Norte é estratégica para Bauru. O lado Sul já chegou no extremo e nos limites de crescimento, não tem mais para onde avançar. Então, está na hora de crescer para o lado Norte, que tem áreas para isso. O sentido natural do desenvolvimento seria na região Norte, mas se não houver um projeto estratégico de desenvolvimento, a Zona Sul vai inchando e os problemas, como congestionamento, começam a aumentar cada vez mais. Por isso é preciso distribuir o desenvolvimento", finalizou Xaides.
Bauru inovou e foi uma das cidades brasileiras pioneira a realizar o Plano Diretor Popular de Bairros. "Estivemos discutindo sobre o Estatuto da Cidade, em dezembro do ano passado, em Brasília. Esse projeto para a criação de um Estatuto da Cidade deve passar pelo Congresso neste ano. Na discussão foi colocado a necessidade da realização de planos diretores de bairros. Então, Bauru saiu na frente com esse projeto, que inverte o tradicional (a Prefeitura cria o Plano Diretor da cidade)", finalizou Xaides.