Novo núcleo repete erro de estrutura
Texto: Andréia Alevato
O Núcleo Nova Bauru é um bairro novo, inaugurado em 1999, e que tem como principal característica a repetição de erros já cometidos em outros bairros bauruenses. No total, são 1.000 casas.
Um dos erros cometidos no núcleo é a localização das áreas públicas. As casas ficaram concentradas, uma ao lado da outra, e as áreas públicas ficaram nas extremidades do bairro. Se essas áreas fossem centralizadas, favoreceria o deslocamento dos moradores.
"A escola fica numa extremidade e para chegar até ela a criança tem que percorrer um caminho muito grande, privilegiando quem mora numa região e prejudicando quem mora na outra extremidade. O mesmo vai acontecer se colocar os equipamentos na extremidade alta do bairro. Isso não deveria acontecer, porque essas áreas podem ser definidas pelo Poder Público. Se você comparar o projeto de desfavelamento do Fortunato Rocha Lima é o oposto do Nova Bauru, porque as áreas públicas foram instaladas na região central. Então, todo mundo tem condição de chegar aos equipamentos (creches, escolas e praças) de maneira fácil e andando pouco", afirmou José Xaides de Sampaio Alves, arquiteto e professor de Urbanismo no curso de Arquitetura da Unesp de Bauru.
O Nova Bauru não possui creche, Emei ou escolas de ensino fundamental e médio. As crianças usam a Emei "Catharina Paulucci Silva" e Escola Estadual "Carlos Chagas", ambas na Vila São Paulo. O mesmo acontece na área de saúde. Os moradores usam o Núcleo de Saúde da Vila São Paulo, reformado recentemente e que atende ainda os moradores da Pousada da Esperança e jardins TV e Marília.
O Núcleo Habitacional foi financiado por seus moradores e construído em parceria com o Poder Público, que era o responsável pela parte de infra-estrutura, como asfalto e galeria de água pluvial.
Outro aspecto marcante do bairro é que para ser construído, a Prefeitura avançou o perímetro urbano de Bauru. Ou seja, colocou o Nova Bauru na extremidade da cidade. Para o arquiteto, o bairro deveria ter sido construído nos vazios urbanos da cidade. Com isso, se aproveitaria a infra-estrutura existente, e conseqüentemente, diminuiria os custos de urbanização.
"O Poder Público poderia ter aproveitado, por exemplo, as áreas entre a Colina Verde e a Pousada da Esperança, ou entre a Pousada da Esperança e o Núcleo Gasparini, porque com isso, já se aproveitava a infra-estrutura existente e não seria preciso criar novas linhas de ônibus ou aumentar o percurso delas. É uma estupidez de planejamento avançar os limites da cidade para fora, criando periferias cada vez mais distante, que prejudicam o transporte coletivo e o acesso ao comércio, às escolas, à cultura e ao lazer. A Prefeitura tem o poder de criar condições para que esses loteamentos sejam construídos nos vazios urbanos, porque assim esses espaços vão se fechando e os custos de infra-estrutura, transporte e urbanização diminuindo", explicou Xaides.
Apesar de existirem os espaços para lazer, não foram feitas praças no Núcleo Nova Bauru e as ruas quase não possuem árvores. Os moradores reclamam da falta de um espaço adequado para as crianças brincarem.