07 de julho de 2026
Geral

Emprego

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Expectativa econômica eleva nível de emprego industrial

Texto: Márcia Buzalaf

Apesar das oscilações negativas do número de empregados no setor industrial, a qualidade do trabalho aumentou bastante. A crise é apontada como o motivo da evolução no nível de emprego. Dentre as regionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Bauru ocupa a quinta colocação, ficando atrás apenas da região metropolitana de São Paulo, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos. A cidade representa 2,6% do total de emprego industrial no Estado de São Paulo,

à frente de municípios como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santos e Marília.

De acordo com o dirigente regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, a situação do emprego na indústria na região de Bauru melhorou e muito nos últimos anos.

Wagner Aparecido Ismanhoto, economista e professor-chefe do Departamento de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), acredita que a expectativa em relação

à melhora da economia é que tem elevado o nível de emprego na indústria. "Na esperança de crescer, a indústria contrata, já que acredita que vai ter crescimento na economia", justifica o economista.

Para ele, a indústria não está melhorando suas vendas hoje, mas a perspectiva de que o final deste semestre e começo do próximo apresente um aquecimento leva

às contratações. "Este ano, o Carnaval foi muito tarde, e a indústria continua na expectativa de aumentar as vendas, mas até agora não mudou muita coisa. A gente está trabalhando em cima de expectativas, mas é melhor do que em cima de pessimismo", explica Ismanhoto.

O nível de emprego da indústria na região de Bauru, apesar de ter uma posição privilegiada no Estado, amarga quedas consecutivas. Segundo dados do Ciesp, de fevereiro de 99 a fevereiro deste ano, a variação no nível de emprego foi de menos 3,6%.

A queda nos empregos na regional ocorre mensalmente. Em fevereiro, a variação foi de menos 0,73% em relação ao mês anterior; em janeiro, a queda foi de 0,58%. No ano passado, o mês de fevereiro tinha uma queda de 0,17% em relação a janeiro.

As maiores oscilações negativas do segundo mês deste ano foram em dois setores: o editorial/gráfico (menos 2,16%) e o de produtos alimentares (menos 0,43%). O maior crescimento de emprego na indústria foi no setor de mecânica

(mais 0,31% em fevereiro).

Para o dirigente regional do Ciesp, o município pouco pode fazer para atrair indústrias para uma cidade, o que acaba dependendo do Governo Estadual e Federal, que podem ter maior atuação neste sentido.

Simonelli é contra a renúncia fiscal para a atração de indústrias na cidade. Para ele, isso é discurso político, já que se gera muito pouco emprego com a instalação de grandes indústrias, que geralmente são dotadas de equipamentos tecnológicos sofisticados.

"Nós perdemos o sentido de nacionalismo. A Ford na Bahia, por exemplo, não precisava de isenção. E o BNDES, que financia privatização de grupos estrangeiros", comenta.

Flexibilização

Para o diretor regional do Ciesp-Bauru, não há como abrir novos postos de trabalho na indústria se não houver uma mudança na legislação. Para ele, a livre negociação entre patrão e funcionário

é o melhor caminho. "Não é uma questão de perder direitos, mas o relacionamento entre as duas partes hoje em dia é jurídica - e deveria ser comercial", garante.

De acordo com Simonelli, na construção civil, por exemplo, a carga tributária em cima do trabalhador é próximo de 146% sobre o salário. "Ou seja, quem ganha R$ 100,00, custa R$ 246,00 para a empresa. Há uma sobrecarga enorme sobre o trabalhador que emperra a abertura de mais vagas", explica.

A solução apontada por Simonelli é de equilibrar esta balança, ou seja, o trabalhador gastar menos e o funcionário ganhar mais.

Ismanhoto acredita que houve uma melhora no relacionamento de trabalho na indústria, já que antes os dois se viam como rivais e, agora, como parceiros. "O funcionário adorava ver o patrão tendo problemas e o patrão achava que todo funcionário era vagabundo", conta o economista.

Outra coisa que Simonelli destaca é que outras regiões do Estado têm um clima de discussão trabalhista tenso que não ocorre na nossa cidade. Em Bauru, o relacionamento

é mais amigável, segundo Simonelli, o que faz com que o desenvolvimento vindo da crise tenha elevado a qualidade de emprego.

Bauru tem nível elevado de trabalhadores industriais

O setor industrial sempre foi tido como aquele que abriga o trabalhador menos qualificado. Não em Bauru. Segundo Wagner Aparecido Ismanhoto, economista e professor-chefe do Departamento de Ciências Humanas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), a cidade oferece cinco faculdades, além dos cursos profissionalizantes no Senai e Senac, que colaboram para a especialização dos trabalhadores.

Além da grande oferta, o economista afirma que o custo da mão-de-obra em Bauru é baixo, o que facilita a contratação. Simonelli e Ismanhoto acreditam que a pequena e média indústria é quem gera mais emprego na cidade, mas ainda é a menos incentivada.

Este é outro fator que privilegia a cidade: a predominância de micro e pequenas indústrias, que, segundo Ismanhoto, emprega mais do que as grandes empresas. "O problema é que, de dez micro empresas que abrem, seis fecham nos primeiros anos. Por que isso? Porque não há incentivo financeiro para isso", afirma.

Apesar da melhora no nível de qualificação, alguns profissionais da indústria continuam sendo demitidos nas épocas de baixa produção. Ismanhoto acredita que os profissionais mais qualificados são os que mais conseguem "segurar" a vaga nas indústrias.

Na opinião de Ismanhoto, atualmente, a segurança de uma vaga depende, além da saúde financeira da empresa, da dependência que a indústria tenha em relação ao trabalho daquele trabalhador.

Bauru e o nível de emprego

Região Participação no total da indústria do Estado Participação no total de emprego no Estado

Metropolitana de São Paulo 56% 56,8%

Campinas 14,8% 16,9%

Sorocaba 5,8% 6,0%

São José dos Campos 3,2% 4,4%

Bauru 2,1% 2,6%

Santos 1,3% 1,1%

Registro 0,4% 0,2%

Ribeirão Preto 2,1% 2,3%

Central 2,4% 2,4%

Marília 2,0% 1,2%

Presidente Prudente 1,4% 0,8%

Araçatuba 1,6% 1,4%

São José do Rio Preto 3,2% 2,0%

Barretos 0,6% 0,5%

Franca 2,1% 1,5% Fonte: Fiesp