Doença contamina 50 vezes mais que aids
Texto: Sabrina Magalhães
Hepatite C é o tipo mais grave da doença e é responsável pela morte de 10 mil brasileiros por ano
Se a hepatite A cura-se espontaneamente, as hepatites B e C têm preocupado cada vez mais os médicos. Isso porque estudos recentes têm mostrado que a transmissão do vírus HBV (hepatite B) pode ser até 50 vezes mais fácil do que a transmissão do HIV, o vírus da aids. E as conseqüências da hepatite C são quase sempre fatais. O que significa que a epidemia de hepatite tem repercussões muito maiores do que se imaginava alguns anos atrás e é absolutamente silenciosa.
"A transmissão do vírus da hepatite B, o HBV, segue a mesma linha do vírus da aids. Então, a contaminação se dá na gestação (de mãe para filho), pela relação sexual e através de ferimentos na pele causados por objetos que tenham sangue contaminado, como seringas, agulhas, bisturis, alicates de cutícula, material dentário, navalha", ressalta a infectologista Denise Arakaki.
A diferença é que o vírus da aids não sobrevive fora do organismo humano e o vírus da hepatite sim, de forma que, mesmo numa gotícula seca de sangue, pode haver vírus vivos.
Além disso, a hepatite B tem outras peculiaridades. O tempo de incubação do vírus HBV varia entre 30 a 180 dias. Depois disso, o paciente pode apresentar sintomas parecidos com os da hepatite A, ou pode simplesmente não manifestar a doença, o que acontece em até 80% dos casos.
E se na hepatite A a cura é espontânea, na hepatite B aproximadamente 60% dos pacientes não conseguem eliminar o vírus. "Exatamente porque ele depende do nível de imunidade do indivíduo. Alguns têm uma predisposição genética que impede a eliminação. Aí, a pessoa passa a ser portadora da doença, ou seja, vai ter o vírus, vai transmitir o vírus e muitas vezes sem saber que tem. A doença torna-se crônica. Aquele vírus vai atacar o fígado da pessoa todos os dias durante anos, até que haja uma cirrose ou mesmo um câncer de fígado."
De acordo com Arakaki, a pessoa portadora de hepatite crônica só vai descobrir a doença acidentalmente, fazendo uma doação de sangue ou um exame laboratorial de rotina. A maioria só vai diagnosticar a patologia quando suas conseqüências começarem a manifestar sintomas, como hemorragias, causadas por um quadro de cirrose, por exemplo.
Hepatite C: o tipo mais grave
A hepatite C foi identificada há apenas dez anos e já
é considerada uma epidemia pelos especialistas. Tida como o tipo mais grave da doença, age silenciosamente (90% dos pacientes não têm sintomas) e de forma crônica, podendo evoluir para uma cirrose ou câncer em cerca de 20 a 30 anos, em 85% dos casos.
Estima-se que ela infecte aproximadamente 3% da população mundial e 1% dos brasileiros. De acordo com o Ministério da Saúde norte-americano, cerca de 170 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas, sendo três milhões no Brasil. Destes, 10 mil brasileiros morrem por ano em conseqüência da hepatite C. Segundo a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, em Portugal, a doença hepática crônica é a nova causa de morte, matando 2.500 pessoas por ano.
A hepatite C também é contraída pelo contato com sangue contaminado, sendo mais rara a transmissão sexual e vertical (de mãe para filho). Estima-se que 50% dos portadores tenha adquirido o vírus pelo uso de drogas injetáveis, compartilhando agulhas e seringas.
Mas como o vírus HCV só foi descoberto em 1989, todas as pessoas que passaram por transfusões de sangue até 1992 devem fazer um exame. É que segundo a diretora do Hemonúcleo de Bauru, Telma Cristina de Freitas, foi só a partir de 1993 que os bancos de sangue passaram a fazer testes de triagem para o vírus da hepatite C (para a hepatite B é feita triagem desde 1980).
Segundo ela, no mês passado, das 800 amostras de sangue coletadas, 1,4% apresentou o vírus de hepatite. "Isso não quer dizer que estas pessoas estejam doentes. É que nós trabalhamos com um teste que é muito sensível, o anti-HCV, que detecta se há anticorpos para o vírus no sangue do doador. Havendo anticorpos, pode haver o vírus ou não, mas o teste pega até os casos duvidosos, que é para reduzir ao máximo o risco de contaminação."
Sintomas mais comuns
* Fadiga e indisposição geral
* Dores de cabeça
* Falta de apetite
* Febre baixa
* Icterícia - pele o olhos ficam amarelados
* Colúria - urina fica mais escura, cor de chá preto
* Acolia fecal - as fezes ficam mais claras, cor de areia