Unesp/Bauru estará em greve a partir de 4.ª
Texto: Adriana Rota
Professores, funcionários e alunos do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru realizaram, ontem à tarde, uma assembléia que decidiu pela paralisação das atividades a partir da zero hora da próxima quarta-feira. O ponto principal da discussão foi a questão salarial de professores e funcionários, sem aumento há cerca de cinco anos. O reajuste salarial reivindicado é de 32%.
Como as negociações com o Conselho de Reitores não obteve êxito, em meados da semana passada, os membros do Fórum das Seis - entidade que congrega as três associações de professores e as três de funcionários da Unesp, USP e Unicamp - optaram por colocar a discussão em pauta, novamente, ontem, quando decidiu-se, definitivamente, pela paralisação, já cogitada pelo câmpus local na ocasião.
Segundo a Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), os reitores estariam emperrando as negociações sobre os salários, insistindo num reajuste de 7%, o mesmo da
última rodada de negociações, do dia 13 de abril, e abono de 26% sobre o salário deste mês. A reivindicação é de 25% sobre o salário de abril, mais 7% no segundo semestre.
O professor Norival Agnelli, presidente da seção local da Adunesp, classifica a situação atual como
"privatização camuflada". "O mesmo vem ocorrendo com o ensino do 1.º e 2.º graus, mais ou menos, de 30 anos para cá. As escolas públicas já foram referência", lamentou.
A questão salarial, de acordo com ele, passa pela qualidade de ensino das universidades, por dois motivos: os melhores profissionais estariam indo para as particulares, que pagam melhor; a longo prazo, a tendência seria a diminuição das pesquisas, além do "enxugamento" do quadro de funcionários, de modo a manter uma margem de lucro.
Agnelli salientou, ainda, que nos últimos 15 anos nenhuma universidade pública foi criada, diferentemente da "reprodução" das particulares. "Ao contrário, o que está acontecendo é a desativação de vários cursos. Foi o que ocorreu com a Fundação Educacional de Bauru (FEB), que tinha 22 cursos e, na encampação, perdeu quatro da área de Tecnologia".
A assembléia aprovou a realização da greve por unanimidade a partir da zero hora de quarta-feira, dia 26. Os alunos presentes também aprovaram a greve, dando apoio a professores e funcionários - apenas oito deles teriam se manifestado contra a greve. Pelos cálculos da Adunesp, mais de 400 pessoas, entre funcionários, professores e alunos, participaram da assembléia, que ocorreu no anfiteatro do bosque, no câmpus local.
O professor Agnelli não soube especificar quantos representantes de cada segmento estiveram reunidos, mas disse acreditar que havia pelo menos 140 professores, número que considerou representativo num universo de cerca de 400. Na opinião do secretário da assembléia e chefe do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação
(Faac), Adenil Alfeu Domingos, como todos foram convidados a participar, a ausência poderia significar a concordância com as decisões que seriam tomadas.
Na ocasião, os professores estiveram conversando com seus alunos para debaterem esta e outras questões sociais do País. Para o movimento grevista, a mobilização fortalece os trabalhadores em geral e a população, porque, junto da discussão salarial dos funcionários das universidades, está a discussão por melhoria nas condições de ensino, melhores salários para todos os trabalhadores e a luta contra o desemprego.
A comunidade acadêmica do câmpus da Unesp estará em assembléia permanente e voltará a se reunir na próxima quarta-feira, às 9 horas, no anfiteatro do bosque. O comando de greve foi ampliado - de 15 para 30 integrantes
- e foi montada uma comissão de ética para acompanhar o movimento grevista, que contará com, pelo menos, cinco professores, 13 alunos e cinco funcionários. Estão sendo programadas, também, atividades envolvendo a comunidade de Bauru, de modo a ganhar a simpatia e o apoio da população.