Sindicato teme revolta de transportadores
Texto: Sabrina Magalhães
A categoria ameaça parar na próxima segunda-feira. Para representante da região, pode haver tumulto e quebra-quebra
Caminhoneiros de todo o País estão ameaçando fazer uma paralisação a partir desta segunda-feira, em protesto pela dificuldade nas negociações com o Ministério dos Transportes. Mas o presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região, Waldir Faria Freitas, faz uma advertência:
"Se houver mesmo a greve, eu acredito que não vai haver a mesma paciência, o mesmo diálogo, como houve no ano passado. Porque a grande maioria dos companheiros está revoltada e isso torna a paralisação um pouco perigosa. Pode haver até quebradeira".
A categoria está prometendo repetir a manifestação feita em julho do ano passado, quando os transportadores interditaram estradas e rodovias de todo o Brasil, causando tumultos e prejuízos, principalmente para empresas de produtos perecíveis, que estragaram nas estradas.
Desde aquela época, a categoria está pleiteando uma série de mudanças. A principal delas é a redução no valor do pedágio. Eles querem que seja fixado o valor de R$ 1,00 por eixo. Mas ao contrário, o Governo já anunciou um novo reajuste nas tarifas para julho. Os atuais R$ 4,80 devem passar para R$ 5,30.
Outra reivindicação é a diferenciação na contagem de pontos para infrações no trânsito. O Código Brasileiro de Trânsito determina a perda da carteira de habilitação para o motorista que somar 20 pontos. Eles querem que este limite seja maior para os profissionais, alegando estarem mais expostos a essas infrações.
Eles também querem uma mudança nos critérios da pesagem obrigatória e uma nova tabela de cobrança para fretes. Além disso, pedem que o Governo crie estratégias que garantam a segurança do profissional nas estradas, já que a categoria vem sendo vítima de constantes assaltos.
Questionado a respeito da adesão do sindicato regional ao movimento, Freitas mostrou-se apreensivo: "Eu vou participar do movimento, mas não como líder sindical, porque não quero ser responsabilizado pela quebradeira que eu acredito que vai acontecer. Porque desta vez eu sei que vai haver mais problemas que no ano passado".
Na manifestação de 1999, Freitas teve que comparecer três vezes à Delegacia de Agudos para responder pelos ataques a uma empresa da cidade. "Agora não quero me responsabilizar."
O sindicalista defende que se houver mesmo uma paralisação, a adesão será de 100%, já que os primeiros profissionais acabam interditando as pistas e impedindo o fluxo do trânsito. "Aí, não tem como passar", conclui.