08 de julho de 2026
Geral

Greve na rede estadual

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Professores estaduais fazem greve a partir de 4.ª

Texto: Adriana Rota

Professores da rede Estadual de Ensino estarão em greve a partir da próxima quarta-feira. A decisão foi tomada durante uma assembléia realizada, ontem, em São Paulo. Pelas estimativas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) local, cerca de 10 mil pessoas protestaram num ato que seguiu da Praça da República à Praça da Sé, enquanto a grande imprensa fala de algo entre mil e 2 mil. Hoje, um grupo de trabalhadores do ensino fará um manifesto durante a visita do ministro da Educação Paulo Renato de Souza

à sede do PSDB.

A decisão pela greve teve como ponto culminante uma reunião realizada na última quinta-feira com a secretária estadual da Educação, Rose Neubauer, quando teria ficado "patente o total descompromisso e descaso do governo

(Mário) Covas com a educação e os profissionais de ensino", conforme consta num release enviado pela Apeoesp.

A secretária teria informado a inexistência de uma proposta de reajuste salarial para os funcionários do ensino, enquanto a categoria esperava diminuir a defasagem de seis anos sem aumento, passando dos três salários mínimos atuais para cinco, o que representaria 54,71% para os professores e 128,79% para os funcionários, considerando-se uma jornada de 24 horas semanais.

Diante da falta de acordo, as entidades ligadas ao magistério

- Associação dos Professores Aposentados (Apampesp), sindicatos dos Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), dos Supervisores de Ensino (Apase), dos Funcionários de Escolas (Afuse), Centro do Professorado Paulista (CPP) e a própria Apeoesp - encaminharam às suas bases uma convocação urgente sobre a necessidade de participarem da assembléia de ontem, em São Paulo.

Pelos cálculos da Apeoesp, cerca de 10 mil pessoas estiveram presentes, engrossando uma manifestação que seguiu da Praça da República até a Praça da Sé. Cartazes, panfletos e caminhões de som marcaram a presença, também, de outras categorias que estão em estado de greve ou já paralisadas, como os funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O jornal O Estado de São Paulo fala de mil participantes, enquanto a Folha de São Paulo coloca uma estimativa de 2 mil, que teria sido feita pela Polícia Militar.

De Bauru, saíram algo em torno de 150 pessoas de todas as entidades de ensino. Na opinião do diretor e coordenador da subsede Bauru da Apeoesp, Duílio Duka de Souza, esse número seria bem maior se não estivesse ocorrendo uma pressão da secretaria especialmente sobre os diretores de escolas. Além disso, o fato de os conselhos das escolas terem tido reunião ontem e de ser final do mês, época em que os profissionais da área não teriam dinheiro para arcar com as despesas de alimentação da viagem, também teriam concorrido para a quantidade limitada de manifestantes.

A categoria conta com 184 mil professores. Com a greve, 6,1 milhões de alunos ficarão sem aulas no Estado. Duka fez questão de salientar que a reivindicação não é só por melhores salários, mas por condições de ensino e de trabalho mais dignas para alunos e professores. Os funcionários da rede de ensino teriam decidido continuar trabalhando, em aceitação ao plano de carreira proposto pela Secretaria da Educação.

Ele acredita que o governo vá enfrentar uma das maiores greves dos últimos tempos, e aproveita para convidar todos os profissionais da área, alunos e simpatizantes a participar de uma manifestação na sede do PSDB, hoje, a partir das 16h30, quando o ministro da Educação estará visitando o local.

Calendário da greve

2 de maio - alunos e pais estarão sendo avisados e esclarecidos sobre o movimento

3 de maio - início da greve, por tempo indeterminado

4 de maio - assembléias regionais e formação do comando de greve/"arrastão" para tentar convencer os que não aderiram a participar da greve

5 de maio - nova assembléia estadual em São Paulo, caso ainda não tenha sido anunciado nenhum índice