Arco teme que Recinto vire novo Country
Texto: Nélson Gonçalves
A associação dos agropecuaristas pede que o prefeito municipal defina a utilização do local. Arco quer parceria
A Associação Rural do Centro Oeste (ARCO) está solicitando que o prefeito municipal, Nilson Ferreira Costa (PPS) encaminhe uma definição para a utilização das diferentes dependências do Recinto Mello Moraes, que abriga exposições agropecuárias com a realização de leilões. Os representantes da Arco receiam que a demora na discussão sobre o uso do Recinto dê margem a ampliação da ação de vândalos sobre os equipamentos do local. A Arco teme que as depredações se estendam e transformem o Recinto Mello Moraes em mais um Country Club, que teve suas instalações destruídas.
A Arco está pedindo ao prefeito que nomeie o "mais rápido possível uma comissão para estabelecer um programa de utilização e eventos no Recinto Mello de Moraes". Os pecuarista argumentam que o prazo de utilização somente até o final do ano inviabiliza a atração de investimentos de terceiros para eventos como a Grand Expo, realizada próximo do final do segundo semestre.
Entretanto, o que mais aflige os agropecuaristas é a manutenção do Recinto. No histórico entregue ao prefeito Nilson Costa, bem como à Câmara Municipal, a Arco aponta as condições do local, fazendo um paralelo da época em que começou a se responsabilizar pela manutenção. A associação diz que recebeu o espaço com capacidade para 980 argolas, 266 baias para cavalos, 4 espaços para restaurantes, um prédio de administração, uma casa da defesa sanitária, um pavilhão para suínos, um tatersal de leilões de madeira, uma pista central para julgamento, uma tribuna de pista, uma pista para provas hípicas e uma casa do zelador.
Por outro lado, a Arco aponta os investimentos que a associação fez no Recinto, ao longo dos últimos anos. Foram implantadas redes de água e esgoto em 90% dos 9 alqueires da área, novos portões de entrada, três novos pavilhões de bovinos, centro de eventos e tatersal de leilões (em parceria com a Coca-Cola), pavilhão Feicompras (parceria com o Sincomércio e Sebrae), pista de julgamento para pôneis, baias de madeiras para pôneis e carneiros, com capacidade para 100 animais, duas pistas para provas de apartação e rédeas, conjunto de tribuna, dois banheiros, bar e casa de som para pista de provas equestres, posto da Polícia Militar e Pronto-Socorro, conjunto de banheiros masculinos e femininos, com 12 sanitários cada, conjunto de banheiros com sanitários e chuveiros para peões, casa do nelore (parceria com APCN), casa do simental (parceria com o NPRS), uma sala de computador e som para apoio da pista de julgamento, além de dezenas de outros itens que estão descritos no documento entregue na Prefeitura Municipal e na Câmara.
A Arco não concorda com o prefeito que o estado de manutenção do Recinto é melhor, depois que a Prefeitura assumiu a gerência da área, com a instalação da Secretaria Municipal de Agricultura dentro das dependências. Esta semana, Nilson Costa disse que a ação de vândalos, que levaram fios elétricos e telhas é esperada, já que se trata de uma área de grandes dimensões. Porém, os agropecuaristas rebatem que isso nunca aconteceu quando a Arco administrava o Recinto Mello Moraes.
Falta de manutenção
A Arco aponta, no documento, que a situação de manutenção do Recinto piorou após a passagem da área para a Prefeitura. O documento explica que a partir de 29 de julho de 1999, a associação e a Prefeitura assinaram um novo contrato prevendo a realização da Grand Expo, cabendo
à Arco sua organização. A manutenção passou para a administração municipal. O secretário das Administrações Regionais, Celso Donizete, assinou um parecer entendendo que "em linhas gerais, como satisfatórias as condições do Recinto Mello Moraes, portanto em bom estado".
A reclamação da Arco é que, menos de um ano após, a Prefeitura reconhece o ônus e as dificuldades de manutenção do Recinto. Paulo Pereira Rangel Filho, presidente da associação, considera "equivocada a avaliação do prefeito de que o estado de conservação do Recinto hoje é melhor que antes". Rangel cita que o "próprio prefeito reconhece que a Arco precisa de prazo e condições para firmar parcerias favoráveis ao evento".
A Arco reclama que, enquanto discute com o prefeito a administração do Recinto, em "cidades do Interior do Estado há apoio integral por parte do Poder Público, tanto nas questões de infra-estrutura quanto na destinação de verba para viabilizar os eventos". Estão nesta situação, conforme a Arco, cidades como Avaré, Jaú, Lençóis Paulista, Ourinhos, Presidente Prudente, entre outras. "A exposição de Bauru está entre as maiores e melhores do Estado, projetando o nome de Bauru além das fronteiras do Brasil", cita Paulo Rangel Filho.
Descuidos e estragos
A Arco aponta o que considera descuidos e falta de manutenção no local, além de segurança falha. A lista inclui matos, entulho, equipamentos quebrados e vandalismo.
A Arco comenta que a área onde se encontra a Secretaria Municipal de Agricultura, por exemplo, é privilegiada,
"mas está descuidada com a frequente presença de entulho e lixo, logo na entrada. As baias de suínos estão com sua utilização prejudicada com a ausência de parte do telhado, também com entulho, além do mato crescido".
O relatório também cita lixo e mato nas baias de pônei, a falta de telhas, e a necessidade de reparos em outros equipamentos, como a cerca de madeira na pista localizada na parte principal do Recinto. Um dos postes de iluminação junto ao pavilhão G está quebrado. O rancho do Criador conta com boa parte dos vidros quebrados e as galerias entupidas. Os sanitários ao lado do Pronto-Socorro se encontram em precárias condições de uso.
A área comercial já não conta mais com tomadas de energia, torneiras e fios elétricos, além das galerias que devem dar escoamento às águas pluviais, que também estão entupidas. A lista de problemas ainda inclui várias citações em relação a pita de apartação, pista de rédeas, pista de areia, picadeira de cana. tatersal antigo, tatersal novo, prédio da expotécnica, tribuna, sala de imprensa e outros.