07 de julho de 2026
Geral

Buffets

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

O dono da festa

Texto: Gustavo Cândido

Com 40 anos de experiência no ramo, Paulo Medina, comanda de perto um dos mais tradicionais buffets do interior do Estado de São Paulo, o Capristor, de onde é um dos proprietários. Com muita gentileza, ele recebeu o JC, no seu escritório para falar da sua vida e das festas que organiza com orgulho,

"nosso preço pode ser mais caro, mas o nosso trabalho

é diferenciado, de nível" diz.

Jornal da Cidade - Como o senhor entrou no ramo de buffets?

Paulo Medina Garcia - Eu tinha uma loja na Batista de Carvalho que era muito famosa, uma loja à frente do seu tempo, que vendia todos os tipos de mercadoria, desde roupa até presentes. Dai tive a idéia de abrir um buffet, logo a Batista passou a ter um comércio mais popular e achei que deveria fechar a loja e me dedicar só ao buffet. Já faz 40 anos que trabalho com o buffet e nós temos um nível muito alto hoje, no atendimento e no serviço que oferecemos. Nosso preço pode ser um pouco mais caro, mas nosso atendimento

é personalizado, diferenciado, nossos garçons são os melhores, ninguém nos bate em termos de organização, temos uma nutricionista cuidando do nosso cardápio, então temos um nível bom de qualidade, não trabalhamos com cadeira de plástico, por exemplo. É outra qualidade. Fazemos festas para as melhores famílias, não só aqui em Bauru e região, mas também em São José do Rio Preto, Campinas, Ribeirão, Catanduva, Piracicaba e até São Paulo.

JC - Como surgiu o nome Capristor?

Paulo Medina - Era o nome da loja, o "capri" vem de capricho e o "stor" vem de store, que é loja em inglês.

JC - Existem pessoas que procuram o seu buffet por causa do nome, para dar uma grife à festa?

Paulo Medina - Sim, cerca de 60% das pessoas querem fazer festas aqui por causa da marca.

JC - Quando o senhor mudou de ramo, saindo do comércio para o buffet, tinha alguma experiência nessa área?

Paulo Medina - Não, mas eu já trabalhava com decoração e isso foi me aproximando da área do buffet, porque decoração também é uma parte importante nesse trabalho

JC - Quais são os tipos de festas que mais acontecem atualmente?

Paulo Medina - Fizemos muitas formaturas no final do ano e agora no começo, mas estamos tendo muitos pedidos de festas de 15 anos. Aliás, hoje estamos tendo mais pedidos de 15 anos do que de casamento.

JC - Esse tipo de festa voltou à moda?

Paulo Medina - Voltou mais agora, assim como os bailes de debutantes que estão voltando em outras cidades, aqui não sei se vai "pegar".

JC - Bauru é um bom mercado para festas?

Paulo Medina - Antigamente se fazia pouca festa em Bauru, santo de casa nunca fez milagre, mas agora estamos fazendo muito mais festas. O buffet está até aumentando, estamos reformando a cozinha, que é a alma de um buffet e vamos ampliar um pouco o salão, aproveitando o terraço, temos crescido muito.

JC - O que é mais importante na organização de uma festa?

Paulo Medina - O importante é se preocupar com a festa como um todo, com a música, a decoração, o serviço, tudo. São muito itens que fazem um buffet, não é um serviço fácil. Mas o que

"segura" uma festa é a bebida e a música. Comida se você comer na hora certa e ficar satisfeito, não vai comer mais, mas bebida é fundamental. Quem ouve música e quer dançar, também quer beber.

JC - O que é mais difícil na hora de organizar uma festa?

Paulo Medina - É arrumar o serviço dos garçons. Temos uma equipe maravilhosa, que levamos para outras cidades quando temos festas fora. São ótimos garçons.

JC - Existem pessoas que chegam aqui sem a mínima idéia do que querem para a sua festa?

Paulo Medina - Sim, muito. Daí damos uma acessoria em todos os sentidos. Isso acontece muito em festas de 15 anos porque a filha quer uma coisa e a mãe quer outra. A mãe, na verdade é quem mais curte esse tipo de festa, às vezes até discutem porque têm opiniões diferentes.

JC - Qual foi a maior festa que o senhor já organizou?

Paulo Medina - Foi uma para 3 mil pessoas em Presidente Prudente. Mandamos cinco ônibus só de garçons, mas hoje não faria uma festa desse tamanho porque com o nível que nós atingimos, precisaríamos de muitos garçons de alta qualidade, isso iria dar muito trabalho. Nessa festa, tivemos um grupo grande de pessoas só para supervisionar.

JC - Que tipo de problemas surgem nas festas?

Paulo Medina - Depende, geralmente as pessoas mais humildes são as melhores, nunca dão trabalho em festas. As que tem uma condição um pouco melhor, por outro lado acabam causando alguns problemas de vez em quando. Fiz uma festa uma vez em que um senhor reclamou que não tomava uísque em copo baixo, só no alto. Hoje ninguém mais faz isso. Procurei um copo alto mas não achamos. Mas esse tipo de problema é até injusto, coisa de pessoa metida, que quer aparecer. Será que ia fazer muita diferença ele tomar o uísque um dia no copo baixo? Outra vez fizemos uma festa e um senhor disse que não bebia cerveja se não fosse Brahma. Sempre sirvo aquelas garrafas pequenas de cerveja, no balde, mas como não havia Brahma assim, mandei buscar uma caixa de cerveja (da garrafa grande mesmo) em um bar e servi para ele. Ele tomou só uma garrafa e depois acabou tomando a Skol que eu tinha servido antes.

JC - O senhor gosta de festas?

Paulo Medina - Eu gosto muito do comércio, de moda, não sou muito de festa, embora trabalhe com isso. É claro que durante uma festa que eu organizo tenho de estar presente, mas não fico até o fim. Só me certifico que tudo está andando bem antes de ir. Não fazemos festa sem que um membro da diretoria esteja presente para verificar o andamento de tudo. Eu gosto demais do que eu faço, mas

é um trabalho cansativo.