Dino e Serrato concorrem em Pirajuí
Texto: Fábio Grellet
Em busca da dignidade perdida, município que trocou de prefeito por 5 vezes desde 98 procura candidato decente
Durante a atual gestão de seus prefeitos, enquanto tantos outros municípios investiam em obras e programas sociais, buscando oferecer benefícios aos cidadãos, Pirajuí assistia à mudança... do miolo da fechadura que tranca o prédio da Prefeitura! É isso mesmo: enquanto o (nem sempre) prefeito José Carlos Ortega e seu vice (por vezes alçado a prefeito) Dino Rinaldi se alternavam no cargo, cada troca implicava na imediata substituição do miolo da fechadura do prédio, também. Isso para evitar que, na calada da noite, a Prefeitura recebesse visitantes indesejáveis, interessados em documentos de conteúdo eventualmente comprometedor.
Algumas das cinco trocas de prefeito foram tão rápidas que pegaram de surpresa parte dos personagens dessa trama. O advogado de Ortega, que deixara o carro estacionado na garagem da Prefeitura, estava fora da cidade quando foi informado de que seu cliente já não comandava mais o Poder Executivo da cidade
- havia sido substituído por um aliado de seus adversários. Correu então para tirar o carro, mas já era tarde: o único portão por onde o veículo poderia sair havia sido interditado. Opositores de Ortega tinham feito uma barricada, estacionando veículos em frente à garagem para impedir a passagem do carro do advogado - onde, suspeitavam, poderia estar escondido algum documento da Prefeitura. Após uma discussão que se estendeu até o dia seguinte, o carro foi liberado, sob a condição de ser revistado. E, surpresa: alguns documentos que supostamente pertenciam à Prefeitura teriam sido encontrados embaixo do tapete do carro do advogado. Mas esse foi só um dos lances que compuseram a turbulenta passagem de Ortega pela Prefeitura de Pirajuí
- cujos habitantes procuram agora um administrador capaz de recolocar o município nos trilhos. E as alternativas parecem ser o atual prefeito, Dino Rinaldi - que permanece no cargo, sem ser molestado por decisões judiciais, há ?? dias - e Luiz Carlos Serrato, que foi candidato derrotado a prefeito nas eleições de 1982 e dez anos mais tarde conquistou o cargo, governando o município entre 1993 e 1996. Antes de abordar as próximas eleições, porém, vamos voltar no tempo, para relembrar o pleito de quatro anos atrás.
Sem nunca ter ocupado um outro cargo público de destaque, Ortega lançou-se candidato a prefeito de Pirajuí em 1996, representando o PDT. Seu maior trunfo, segundo análise de atentos observadores da política na cidade, era Dino Rinaldi, então filiado ao PTB. Médico atuante há décadas na cidade, Rinaldi já tinha se aventurado pela política, antes: foi prefeito de Pirajuí entre 1988 e 1992. Em 1996, ajudou Ortega a conquistar os 3.304 eleitores que votaram na dupla, elegendo-a. Provavelmente, nenhum dos eleitores previa a confusão que estava por vir...
Como prefeito, Ortega começou a comprar brigas com os vereadores no terceiro ano do mandato, quando deixou de repassar a verba solicitada pela Câmara - o chamado duodécimo. Os vereadores de oposição reclamavam também que o prefeito não respondia de forma conveniente os requerimentos enviados a ele, através dos quais eram solicitadas informações sobre a administração municipal. Com base nessas duas acusações, os vereadores aprovaram uma Comissão Processante, que investigou o prefeito e decidiu cassar seu mandato, durante votação ocorrida em ?? de agosto de 1998.
Começava aí uma disputa jurídica que se estendeu por vários meses e provocou cinco trocas de prefeitos - Ortega deixou o cargo, depois voltou, saiu, voltouu e, finalmente, saiu de novo. Agora, não tem sido visto mais em Pirajuí
- segundo alguns vereadores, teria se mudado para Marília, onde supostamente seria proprietário de uma padaria.
Dino Rinaldi finalmente firmou-se no cargo, e parece ter gostado bastante dele: já divulga que vai ser candidato à reeleição, agora representando o PSDB - partido ao qual se filiou em 1999, após deixar o PTB. Mas o partido enfrenta um dilema: se os vereadores apoiaram a posse de Rinaldi, oferecendo a ele todo o apoio, durante sua disputa com Ortega pela Prefeitura, alguns deles planejavam se lançar à Prefeitura, nas próximas eleições. Tendo Rinaldi como colega, temem ter de abandonar seus projetos em prol do atual prefeito - que, como tal, tem preferência na disputa, e parece que dificilmente vai abrir mão da chance de disputar a reeleição. Portanto, os vereadores podem começar a pensar sobre a hipótese de concorrer como vice de Rinaldi...
O outro provável candidato, que deve polarizar com Rinaldi a disputa pela prefeitura, é o ex-prefeito Luiz Carlos Serrato, atualmente filiado ao PSD. Mas ele enfrenta alguns problemas jurídicos: segundo vereadores que parecem não nutrir muita simpatia pelo nome de Serrato, Serrato teria tido suas contas rejeitadas pelos órgãos fiscalizadores. Além disso, ele foi condenado por não ter repassado aos vereadores, durante os meses finais de seu mandato, em 1996, as verbas solicitadas pela Câmara. Os dois casos estão em trâmite: no primeiro, caso a decisão seja desfavorável a Serrato, ele se tornará inelegível. Assim, não poderia ser eleito mas, se já tiver disputado a Prefeitura e vencido a eleição, continuaria no cargo normalmente
- a decisão não impediria que ele se mantivesse no comando do Poder Executivo. No segundo caso, a história pode ser diferente: conforme os vereadores, caso Serrato seja condenado, ele terá de deixar o cargo, porque estaria impedido de exercê-lo. Ainda que enfrente esses problemas, Serrato dificilmente deixará de concorrer à Prefeitura.