Ferroviários pedem à Novoeste cumprimento de direitos
Texto: Patrícia Zamboni
Os funcionários da ferrovia Novoeste continuam aguardando uma nova manifestação da empresa, desta vez em relação ao cumprimento de direitos da categoria, para decidir se continuam trabalhando normalmente, como estão no momento, ou se deflagram a greve que vem sendo cogitada desde o dia 24 de abril. "Nós estamos aguardando a posição da companhia em relação a uma série de reivindicações que apresentamos. Mesmo depois da Novoeste ter aceitado atender parte das reivindicações feitas pelos funcionários, na semana passada, a categoria continua exigindo o cumprimento de direitos. A partir de 1º de maio, a empresa tem que aplicar um reajuste de 3% no salário dos trabalhadores e conceder, para todos os funcionários que têm mais de 1.095 dias de serviço, uma promoção por tempo de serviço. Então, nós estamos aguardando a posição da empresa e insistindo nesse processo de negociação para que a Novoeste pratique o que tem que ser praticado", diz o presidente do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Roque Ferreira.
De acordo com ele, não há uma previsão sobre quando a Novoeste pretende se manifestar sobre essa questão. Porém, a maior preocupação do Sindicato no momento, segundo Roque Ferreira, é garantir o processo de discussão. "Neste momento, é difícil estabelecer prazos. Então, nós estamos procurando criar as condições mais favoráveis para o processo de discussão e negociação. É um processo lento, mas faz parte da nossa tarefa", coloca o presidente do Sindicato.
De acordo com Ferreira, a Novoeste está passando por uma série de mudanças em sua composição societária, que inclui rumores sobre a possibilidade de uma fusão entre Ferroban, Ferronorte e Novoeste. "Isso gera dificuldades para que sejam agilizadas essas negociações, porque a empresa está sem uma freqüência administrativa. Com a mudança constante da composição societária e dos comandos da companhia, não há uma continuidade nos processos", diz Roque Ferreira. Era esperada uma reunião entre o Sindicato e a Novoeste no dia 28 de abril, mas segundo Ferreira, não foi possível viabilizá-la em função do feriado de 1º de maio. Atualmente, a Novoeste possui 660 funcionários, sendo que 178 encontram-se em Bauru.
Segundo explica Roque Ferreira, desde 99 a companhia não estava entrando em acordo com o Sindicato. Ele diz que na época da campanha salarial do ano passado, a Novoeste teria estabelecido como condição para negociar que o Sindicato aceitasse algumas condições, como a extinção do plano de cargos e salários, do plano de benefícios e vantagens, do regulamento disciplinar, de normas de proteção ao trabalho - que são anteriores a 96, segundo Ferreira
-, a extinção do triênio, a concordância do Sindicato com a instituição do banco de horas e da flexibilização da jornada de trabalho. O Sindicato não concordou e fez nova assembléia com a diretoria da empresa.
Depois disso, a Novoeste aceitou, no início da semana passada, atender parte das reivindicações dos funcionários, como foi divulgado pelo JC. Diante disso, a possibilidade de greve foi afastada, temporariamente. Agora, segundo Roque Ferreira, a categoria aguarda nova manifestação da diretoria da Novoeste e espera que sejam cumpridos alguns direitos dos trabalhadores que estão sendo reivindicados.