07 de julho de 2026
Geral

Greve do professorado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

60% das escolas de Bauru aderem à greve

Texto: Ieda Rodrigues (*)

Cerca de 70% das escolas estaduais de Bauru, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

(Apeoesp), e pouco mais de 50%, de acordo com a Diretoria de Ensino, suspenderam as aulas ontem, primeiro dia da greve dos professores. Até o início da noite, a Secretaria Estadual de Educação não havia divulgado nenhuma proposta de reajuste para os professores, que reivindicam 54,7%.

A expectativa de Regina Pacheco, conselheira da Subsede-Bauru da Apeoesp, é de que a adesão à greve aumente hoje, chegando a 80 ou 85% das escolas da cidade. Na região, segundo ela, as escolas de Reginópolis e Iacanga já estavam paradas ontem. Hoje, os professores têm uma assembléia na Subsede da Apeoesp, às 16 horas. Amanhã, a categoria decide, em São Paulo, os rumos do movimento.

O dia ontem foi um pouco confuso para os alunos, que não sabiam se os seus professores iriam ou não aderir à greve. Em Bauru, a estimativa é de que 30 mil alunos tenham ficado sem aula. A escola Christino Cabral, que aderiu à greve já no período da manhã, havia avisado os alunos, que não compareceram para as aulas. Os professores estavam na escola esperando os pais dos alunos, que foram convocados para receber explicações sobre a greve.

Já na escola Rodrigues de Abreu, as aulas foram dadas normalmente ontem pela manhã. A diretora, Maria Bernadete de Toledo Pascoal, disse que os professores ainda estavam decidindo sobre a greve. Ela disse que a expectativa era de que, hoje, a escola participe do movimento. Diretores e conselheiros da Apeoesp e professores que já haviam decidido pela greve percorreram várias escolas ontem pela manhã, para tentar convencer aqueles que ainda estavam trabalhando a participar do movimento.

De acordo com a conselheira da Apeoesp e a diretoria regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, o primeiro dia de greve transcorreu sem incidentes. Regina Pacheco disse que os pais e alunos estão apoiando o movimento dos professores, que não recebe aumento há seis anos. O reajuste de 54,7%, elevaria o piso dos professores de R$ 448,00 para R$ 755,00 (cinco salários mínimo). Edinéa Sita Cucci disse que espera uma negociação entre as partes, para que as aulas sejam retomadas o mais rápido possível.

Udemo

Os diretores de escola fizeram reunião ontem à tarde para discutir a greve. De acordo com Maria José de Oliveira Faustini, presidente do Sindicato dos Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), disse que 50% dos diretores não trabalharam ontem e hoje o percentual deve subir para 80.

CPP

O Centro do Professorado Paulista (CPP) enviou nota ao JC afirmando que os valores dos salários dos professores, divulgados pelo governo, não correspondem à verdade. A entidade afirma que o salário inicial da categoria é de R$ 448,00 bruto, valor que, com os descontos, o CPP considera insuficiente.

O CPP ressalta que as entidades do magistério procuraram a Secretaria de Educação para negociar aumento de salário, mas obtiveram como resposta que o governo nada tem a oferecer. A entidade pede colaboração aos pais de alunos, ressaltando que os professores estão lutando por melhores salários, melhores condições de trabalho e, em consequência, melhor educação.

Colaborou Fabiana Teófilo

Unesp faz assembléia hoje

Está marcada para às 9 horas de hoje uma assembléia no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em greve desde o último dia 25, com a participação de professores, funcionários e alunos. De acordo com o professor Valter Locci, integrante do Comando de Greve do câmpus, disse que a assembléia vai avaliar o movimento e adiantou que, como não foi apresentada nenhuma nova proposta de reajuste, não há indicação de término da greve.

Anteontem, segundo Locci, o câmpus de Guaratinguetá aderiu à greve. Com essa nova adesão, 12 dos 15 câmpus da Unesp estão paralisados. Continuavam funcionando os câmpus de Araçatuba, Jaboticabal e São José dos Campos.