Encal classifica produtos na região
Texto: Márcia Buzalaf
A Empresa Nacional de Classificação e Análise
(Encal) de Bauru analisa e classifica produtos agrícolas de mais de 30 cerealistas da região. Criada há quatro anos, a empresa tem como finalidade a análise dos produtos para suas classificação. Um grão, por exemplo, só pode ser classificado após a sua análise física, feita pela Encal, e algumas vezes química, realizada só na unidade de São Paulo. Muita gente não sabe, mas todo produto precisa desta especificação para ser vendido.
A Encal é uma empresa credenciada pelo Ministério da Agricultura e é a única no Estado de São Paulo autorizada para fazer a classificação de produtos agrícolas. Isso ocorreu a partir de uma Lei Federal 6.305, de 15 de dezembro de 1975. Antes, as Secretarias de Agricultura eram responsáveis por este trabalho. Atualmente, a empresa tem sede em 19 cidades do Estado, incluindo Bauru.
Os maiores clientes da Encal são os cerealistas, segundo contra Maurício Caliman, 32 anos, engenheiro agrícola e coordenador da Encal no Interior. A empresa é chamada depois do processamento do produto e antes dele ser embalado. Seu objetivo é classificar o lote.
Os classificadores e técnicos agrícolas da Encal são chamados pela cerealista para colher em uma amostra, que é composta por quatro lotes de 1 Kg cada. Todos os lotes são lacrados, sendo que um deles permanece com o cerealista e três vão para a Encal.
A análise é feita com a verificação física do lote - através da separação dos problemas de cada grão - e da umidade dos grãos
- para evitar que eles criem fungos. "Supermercados de grande porte não aceitam feijão com muita umidade porque, se ficar estocado, ele cria fungo", explica Caliman.
Formiguinha
O trabalho destes profissionais é de formiguinha. Cada produto tem diversas especificações a serem vistoriadas. O arroz, por exemplo, leva em torno de duas horas para ser analisado; já o feijão, 40 minutos; a farinha, em torno de três horas. Ramont Miranda de Albuquerque, 39 anos, classificador da Encal de Bauru, exemplifica que o feijão, por exemplo,
é separado de acordo com o caruncho, o grão partido, quebrado, roído, descolorido, murcho....
O primeiro passo para começar a análise é colocar todo o lote em um misturador, que visa homogeneizar os grãos para a análise. Depois, o produto é colocado em um aparelho que tem como finalidade fazer uma primeira seleção dos grãos quebrados. Além destes aparelhos, a Encal também tem um verificador de umidade, que visa classificar a quantidade de água existente no grão, e um paquímetro digital, usado para a medição da estrutura do grão.
Depois disso, o lote vai para a mesa de análise. Com a separação prévia dos grãos feita mecanicamente, eles são então classificados de acordo com uma tabela do Ministério da Agricultura, que indica a porcentagem permitida de cada problema e a classificação em que ele se enquadra com estas porcentagens.
Terminada a análise, os funcionários da Encal encaminham um laudo de classificação do produto, que indica o que deve ser especificado na embalagem a ser comercializada. Este serviço é pago pelo cerealista, de acordo com uma tabela do Ministério da Agricultura de cada item.
Atualmente, a Encal de Bauru conta trabalha com três funcionários: Ramont, que é o classificador; Danilo P. Grana, 23 anos, técnico agrícola; e Wagner Nunes de Mello, 19 anos, técnico agrícola.
O trabalho destes profissionais atualmente se dirige para a divulgação da Encal e esclarecimento da população consumidora e comercializadora. Apesar da qualidade dos produtos ter melhorado muito nos últimos anos, ainda há aproximadamente 70% do feijão e 70% do arroz do tipo 2 sendo comercializado como tipo 1.
Todos os supermercados devem exigir dos cerealistas o laudo emitido pela Encal, a fim de comprovar a classificação do produto e não vender ao consumidor "gato por lebre". No caso do supermercado vender arroz tipo 2, por exemplo, como arroz tipo 1, ele pode ser acusado de conivência.
As grandes redes de supermercado hoje em dia são as mais rígidas com esta obrigatoriedade, mas parte dos supermercados dos bairro, quando compram diretamente dos cerealistas, não sabem da existência do certificado. Além da equipe que faz a classificação dos produtos, também há uma outra que fiscaliza a veracidade da classificação dos produtos.
Depois da análise e classificação, a equipe da Encal ainda distribui para instituições de caridade, como a Legião da Boa Vontade (LBV), todos os produtos saudáveis.
Serviço
A Encal de Bauru pode ser contactada pelo telefone: 212-2261. Denúncias sobre produtos com possíveis problemas podem ser encaminhadas à Delegacia Federal da Agricultura, que pode ser encontrada pelo número: (11) 251-5707.