PSDB escolhe Tobias com indicação do vice
Texto: Nélson Gonçalves
Os tucanos aprovaram, ontem, por 26 votos a 11, a coligação com o PDT de Pedro Tobias. Garmes e Edmundo podem ser vice
A executiva municipal do PSDB de Bauru escolheu, ontem, a coligação como o PDT, tendo o deputado estadual Pedro Tobias como candidato a prefeito. A reunião realizada na sede do PSDB contou com a presença maciça da executiva. Dos 39 votos possíveis, a coligação com o PDT de Pedro Tobias teve 26 indicações, contra 11 do PSB de Tuga Angerami, além de dois votos nulos. A votação foi secreta.
O resultado já era esperado entre os tucanos, apesar da tentativa da ala tuguista que, ao longo dos últimos dias, articulava acreditando que a votação teria um placar mais favorável ao ex-deputado federal. Apesar das articulações, na última quarta-feira o JC publicou em matéria que uma lista da ala que apóia Pedro Tobias já contava com 26 assinaturas, das quais 25 com direito a voto na reunião de ontem.
Desta forma, alguns tucanos pró-Tuga chegaram a defender que a votação nem fosse realizada, para que o resultado não demonstrasse que Pedro Tobias contava como o apoio da maioria do PSDB. Fora isso, o comando estadual do PSDB também indicava que Pedro Tobias seria a melhor escolha. O comando estadual não escondeu que vê no atual deputado estadual um parceiro mais próximo nas eleições a governador, daqui há dois anos.
Indicação do vice
Antes de votar a coligação com o PSB ou PDT, o PSDB local deixou registrado que exige a indicação do candidato a vice-prefeito. Neste campo, um grupo vai além: considera que o vice deve ser necessariamente um dos três vereadores tucanos. Entre os nomes, após a reunião de ontem, Edmundo Albuquerque e Antonio Carlos Garmes declararam que gostariam de ser fazer dobradinha com Pedro Tobias.
O vereador Toninho Garmes disse que não esconde a "intenção de ser candidato a vice-prefeito, eu tenho vontade e ficaria muito satisfeito se vier a ser. Mas isso tem que partir do partido e acho que precisamos de um consenso, até porque o nome do vice ainda depende de conversações com outros grupos, como o PTB, por exemplo". Edmundo Albuquerque salientou que também está à disposição "mas que o nome do vice-prefeito na chapa com Pedro Tobias tem que sair de um consenso e vou trabalhar para isso. Eu não posso esconder que ficaria satisfeito se o partido indicar meu nome".
Apesar da ampla votação em favor da aliança com o PDT, a reunião do PSDB de ontem (a exemplo de algumas anteriores) teve momentos de tensão. Nelson Fio (da ala pró-Tuga) reclamou que o partido não publicou edital convocando a reunião de ontem, conforme obrigação prevista no estatuto do PSDB, e "colocou um comunicado com data de 22 de abril. Isto não é coisa que se faça, o comunicado não estava no quadro, foi colocado ontem. Estão querendo driblar a gente, parece má fé".
Assim como Nelson Fio, Olga Marques tentou postergar a votação marcada para ontem. O questionamento foi o mesmo, a falta de publicação de edital, o que invalidaria a decisão a ser tomada pelos membros da executiva. A própria estratégia de parte daqueles que defendiam a coligação com o PSB já demonstrava que Tuga Angerami não tinha convencido a maioria da executiva de que seria o melhor candidato a prefeito para o PSDB.
Depois das discussões, a executiva votou se deveria ou não "bater chapa", mesmo sem o edital. A necessidade de votação para a escolha da aliança venceu por 37 a dois. Além disso, o grupo pró-Tobias era maioria evidente na reunião e não tinha nenhum interesse em adiar ainda mais a definição. Os tucanos argumentaram que adiar ainda mais a escolha do candidato a prefeito geraria maior prejuízo ao partido, que já demoraram algum tempo para definir que não teriam candidato próprio.
Dirimidas as divergências através do voto, os tucanos partiram para a discussão sobre qual partido deveria ser escolhido para a coligação. Na verdade, as defesas acabaram sendo pró e contra Tuga ou Tobias. Defenderam Pedro Tobias como candidato a prefeito: Natan Chaves, Carlos Ladeira e Edmundo Albuquerque. Defenderam Tuga Angerami: Ademir Gaspar e José Eugênio Chibebe. Cada um teve três minutos para tentar convencer sobre a melhor opção para os tucanos.
A maioria daqueles que discursaram consideram tanto Tuga quanto Tobias como bons candidatos. Pesou na hora da escolha as críticas de personalismo contra Tuga Angerami e o fato dos tucanos entenderem que a tendência do ex-deputado é se aproximar do PT, fato que criaria problemas para o PSDB nas próximas eleições. A própria cúpula estadual do PSDB viu em Tobias um perfil mais próximo da legenda para as possibilidades em outras eleições. Outro ponto colocado por alguns dos filiados é que Tuga foi crítico do governo do PSDB em âmbito nacional em pleno mandato de deputado federal e durante a própria campanha à reeleição de FHC. Natan Chaves, por exemplo, disse que não ficaria nada interessante o candidato a prefeito Tuga ser chamado a confirmar as críticas ao governo do PSDB, em plena campanha à Prefeitura de Bauru.
Com a conquista do PSDB e a possibilidade de candidatura própria pelo PT, os pedetistas consideram importante aproximar o PTB da aliança. O PDT, com isso, conseguiria isolar Tuga na disputa, já que a coligação PSB-PC do B-PV e mais dois possíveis partidos pequenos teria uma correlação de força política com menor peso, além da diferença de tempo na propaganda eleitoral pela televisão.
Com o quadro, estão de outro lado (ainda em fase de namoro político), o PPB de Carlos Braga com o PMDB de Tidei de Lima e o PFL de Dudu Ranieri com o PPS de Nilson Costa.
Ao final da reunião, pedetistas foram até a sede do PSDB. O candidato a prefeito Pedro Tobias disse que "é preciso trabalhar com empenho que campanha é difícil e não se ganha nada na véspera. Vamos trabalhar juntos e governar juntos. Os candidatos a vereador do PSDB também terão o mesmo tratamento dos candidatos do PDT". Quanto
à indicação do vice-prefeito, Pedro Tobias defendeu que "o nome seja daquele que tenha o perfil para completar as virtudes que eu não tenho, porque ninguém
é perfeito. A escolha é do PSDB eu só desejo que seja em consenso".