Menor atira filho do ex-namorado no rio
A menor S.R.T., de 16 anos, moradora de Santa Cruz do Rio Pardo, foi apreendida em flagrante na noite da última sexta-feira, acusada de matar Ânderson Gabriel Souza Silva, de apenas 10 meses. As evidências revelam que S. jogou o bebê da ponte do Parque São Jorge, possivelmente para se vingar do suposto pai da criança, Marcelo Freitas, com quem namorou por cerca de um ano e meio.
O relacionamento teria terminado na semana passada justamente por conta de atritos motivados pela provável paternidade do então namorado. Durante o namoro com S., Freitas manteve um romance paralelo com Sandra Souza Silva, que meses depois teve o filho e lhe atribuiu a paternidade. Freitas chegou a pagar pensão alimentícia para Ânderson, mas deixou de fazê-lo recentemente. A mãe preparava-se para ingressar com uma ação para comprovação de paternidade.
Segundo investigações preliminares, o bebê morreu pouco depois de ter sido jogado no ribeirão São Domingos, na ponte de entrada do Parque São Jorge, por volta das 13 horas. O local do crime teria sido escolhido porque
é nesse bairro que mora Freitas. Os bombeiros localizaram o corpo da criança cerca de 200 metros à frente da ponte.
Ânderson passava o dia na creche Sebastiana Molitor de Oliveira, já que sua mãe trabalha fora. Na data do crime, por volta das 12h, S. apareceu na residência da pajem
da creche, Cleide de Araújo Souza, e lhe disse que a avó da criança, que tem problemas de saúde, tinha pedido para que ela buscasse o bebê e o levasse à Santa Casa de Misericórdia. A funcionária da creche é vizinha da menor, motivo pelo qual acreditou na história.
"Ela me forneceu detalhes; falou que o Ânderson estava doentinho, vomitando e com febre, que tinha o visto no Posto de Saúde pela manhã, tudo certinho. Eu acreditei", contou.
S. esperou Cleide cumprir o horário de almoço, a acompanhou até a creche e retirou a criança pouco depois das 12h30.
A tragédia só começou a ser descoberta às 16 horas, quando a madrinha do bebê, Célia Regina Paula de Oliveira, foi à creche para apanhá-lo. Só aí, Cleide ficou sabendo dos problemas amorosos que envolviam a menor e o pai da criança. A funcionária ainda contou que por duas outras vezes já haviam tentado retirar o menino da creche - ambas mal-sucedidas porque as pessoas eram desconhecidas.
Sem imaginar o que pudesse ter acontecido, a madrinha dirigiu-se
à casa da menor para questioná-la sobre o destino do bebê. Inicialmente, S. alegou que tinha deixado a criança na casa da avó, o que foi desmentido em seguida. Depois, afirmou que o havia abandonado num ponto de mototáxi. A Polícia foi acionada na seqüência e durante o trajeto para a delegacia, a menor contou uma terceira versão. Disse que havia tomado um ônibus até o parque São Jorge, onde entregou o bebê a três meninos e uma menina. Ao virar as costas, teria escutado o barulho da criança caindo na água.
Na Delegacia, S. não soube informar quem eram as crianças que ficaram com o bebê e acabou caindo em contradição. Em certo momento do depoimento, na presença de testemunhas, perguntaram de qual ponte ela jogou o bebê e, sem negar que tivesse cometido o ato, a
menor informou qual era a ponte. A Polícia enquadrou a resposta como uma confissão. S. foi indiciada por homicídio e encaminhada para uma cela especial na cadeia de São Pedro do Turvo, onde deve permanecer em custódia até o julgamento pela Vara da Infância, o que deve ocorrer dentro de máximo 45 dias. Caso seja condenada, a menor pode pegar pena de internação máxima de três anos na Febem.
Revolta
Populares e parentes da vítima ficaram revoltados com o crime e também não pouparam a funcionária da creche. Segundo a secretária de Promoção Social, Solange Calvo, no início do ano é feito um cadastro de cada criança atendida nas creches. Os pais ou responsáveis podem indicar terceiros para retirar a criança e são obrigados a estabelecer previamente os nomes em documento. No caso de Ânderson, somente três pessoas estavam autorizadas a buscá-lo: sua madrinha, sua avó e uma vizinha chamada Priscila. A Prefeitura deve instaurar sindicância interna para averiguar se a funcionária tem culpa por permitir que alguém não autorizado saísse com a criança.