Reeducando do IPA é indiciado pelo roubo de R$ 30 mil
Texto: Rita de Cássia Cornélio
O reeducando do Instituto Penal Agrícola (IPA) Iverson Carlos da Costa Vieira foi responsabilizado pelo roubo de R$ 30 mil ocorrido na mês passado, no interior do presídio. Ele foi reconhecido por uma testemunha no dia seguinte ao crime e, por outra, dias depois. A prisão preventiva dele já foi pedida pelo delegado titular do 1º Distrito Policial, Marcelo Haddad.
O inquérito que apura os autores do assalto está em andamento e já ouviu a metade dos funcionários que trabalhavam naquele turno. "Vão ser ouvidos, aproximadamente, 40 funcionários. Pessoas que trabalhavam no setor de pecúlio e que iriam efetuar o pagamento como também aquelas que estavam de serviço", explica Haddad, que preside o inquérito.
De acordo com ele, os funcionários que ainda não foram ouvidos em depoimento já foram intimados para depor nesta semana. "Esta semana todos serão ouvidos" promete ele. Para dirimir dúvidas no inquérito, o delegado solicitou à Polícia Técnica que faça um croqui. "Será feito um croqui do local. Uma descrição do local onde seria feito o pagamento em relação à portaria de acesso à
área externa, as salas existentes e quanto os ladrões tiveram que percorrer até ganharem a rua", explicou.
O fato novo, segundo Haddad, é que mais um dos funcionários do IPA reconheceu Iverson como o autor do roubo.O acusado teve suspensa a prisão no regime semi-aberto. "O juiz suspendeu o regime semi-aberto, provisoriamente, até o término das investigações. Decretou a prisão temporária dele. Após o segundo reconhecimento, pedimos a prisão preventiva", disse Haddad.
Segundo o delegado, o reeducando nega sua participação no roubo e não aponta nenhum outro preso. "Ele nega a participação no crime. Alega, inclusive, que não teria coragem para praticar um assalto na unidade que estava cumprindo pena. Ele será ouvido novamente", ressaltou o delegado.
O então diretor do presídio, Edilson Valim, também foi ouvido em depoimento. "Ele alegou que tomou todas as medidas cabíveis para evitar o crime, uma vez que ficou sabendo da possível ocorrência de um assalto na unidade prisional", contou Marcelo Haddad.
Sobre os demais presos que poderiam estar envolvidos, o delegado diz que não há provas. "O reeducando preso com tóxico e o pego com café, estão presos por esses motivos. O terceiro, que estava com dinheiro, não há provas. Apenas indícios."
Dinheiro roubado será resposto
O dinheiro levado pelos assaltantes será reposto pela administração do IPA, promete o atual diretor, Wilson Elorza Júnior. De acordo com ele, os R$ 30 mil pertenciam aos cerca de 550 reeducandos que trabalham fora da unidade. "Nós fizemos um remanejamento da verba para pagar os reeducandos", disse
A decisão de pagar, segundo o diretor, visa minimizar a reação dos presos. " O dinheiro era deles e nós não achamos justo que os 550 paguem pelos atos de alguns. O dinheiro estava sob a guarda do presídio", lembrou.
Reeducando é morto a estiletadas no IPA
Texto: Ieda Rodrigues
Joel Menezes Sampaio, 38 anos, reeducando do Instituto Penal Agrícola
(IPA) de Bauru foi assassinado a estiletadas no domingo à tarde. Ele estava num alojamento, com cerca de 200 reeducandos, quando foi encontrado, já bastante ferido, pelos agentes penitenciários. O autor ou autores do crime ainda não foram identificados.
O diretor interino do IPA, Wilson Erloza Júnior, acredita que a morte de Sampaio seja resultado de "acerto de contas" entre outros reeducandos. Ele praticamente descarta a possibilidade desse crime estar relacionado aos R$ 30 mil roubados do IPA no mês passado.
Sampaio estava no IPA, vindo da penitenciária de Avaré, há cerca de um mês. Ele cumpria 35 anos de prisão por roubo. Os vigias ouviram um tumulto em um dos três alojamentos e quando se dirigiam para o cômodo encontraram Sampaio, ferido, caído próximo a uma escada. Ele apresentava ferimentos feitos usando estilete nas costas e na parte frontal do pescoço.
O reeducando foi levado ao Pronto-Socorro Central, mas chegou já sem vida. Wilson Erloza Júnior disse que devido ao tumulto e ao grande número de reeducandos no alojamento não foi possível identificar o autor ou autores do crime. Ele disse que será aberta uma sindicância para tentar identificar os responsáveis pela morte.
Até o início da tarde de ontem, o estilete usado no crime não havia sido apreendido. O IPA está com cerca de 600 reeducandos, distribuídos em três grandes alojamentos.