08 de julho de 2026
Geral

Transporte coletivo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Tarifa de R$ 0,90 reduz déficit dos coletivos

Texto: Nélson Gonçalves

O prejuízo apurado na compensação da venda de passes entre as três empresas que operam em Bauru caiu R$ 300 mil em dois meses

O custo do transporte coletivo em Bauru, apurado na Câmara de Compensação Tarifária (CCT) da Emdurb apresentou uma redução no déficit, nos últimos dois meses, de R$ 300 mil. O resultado ocorreu em função da atualização da tarifa, de R$ 0,80 para R$ 0,90, desde o início de março deste ano. O aumento na tarifa, que ficará inalterada até 31 de dezembro deste ano, colaborou para que a arrecadação na CCT superasse os custos computados pela ECCB, TUA e Kuba.

A informação foi dada, ontem à tarde, pelo presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural

(Emdurb), Joaquim Thomaz Sanches Madureira. O presidente da Emdurb lembrou que o déficit, fruto do que é arrecadado pela venda de passes, já superou a r$ 2,2 milhões no início do ano. O valor da curva de arrecadação só superou os custos, no gráfico do sistema de transporte coletivo urbano em Bauru, a partir de março, exatamente quando a tarifa voltou a ser de R$ 0,90.

O presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, prevê que o déficit na Câmara de Compensação Tarifária

(CCT) seja recuperado em uma média de R$ 70 mil por mês. Assim, se o valor for mantido, a CCT chegaria ao final do ano com "dívida" de cerca de R$ 900 mil. O valor

é considerado o "adequado e normal para as circunstâncias do sistema de transporte coletivo em Bauru", contou Madureira. Hoje, o déficit na CCT é de R$ 1.794.923,80.

Evolução do déficit

O presidente da Emdurb divulgou um gráfico que demonstra a evolução da arrecadação em função do custo da CCT, nos últimos anos. Joaquim Madureira lembrou que, em 1996, o sistema de transporte coletivo em Bauru contava com 4,5 milhões de passageiros e 240 ônibus nas ruas. Neste ano, o número de passageiros que se utilizam do sistema por mês caiu para R$ 3,2 milhões, com os mesmos 240 veículos.

O gráfico da CCT mostra que os problemas começaram a partir de agosto de 1998, momento turbulento da vida político-administrativo da cidade. Naquela época, a CCT apresentava arrecadação e custo mensal praticamente equilibrado, de R$ 3 milhões. Porém, Nilson Costa (PPS) assumiu interinamente a Prefeitura Municipal, praticamente em setembro de 98, reduzindo o valor da tarifa para R$ 0,80. A arrecadação da CCT, então, ficou em R$ 2,7 milhões/mês, contra um custo que se aproximou do mesmo valor. Em dezembro de 98, arrecadação e custos ainda se mantinham quase iguais.

Como é previsto no transporte coletivo urbano, a arrecadação na CCT caiu para R$ 2,5 milhões em janeiro e fevereiro de 1999, período das férias escolares e de feriados. O custo do sistema, permaneceu próximo de R$ 2,3 milhões. O mês de março, também como sempre acontece, ficou com a arrecadação subindo para R$ 2,6 milhões contra custo de quase R$ 2,8 milhões. Março é um "mês de 31 dias" para o transporte coletivo, sem feriados.

Apesar desse dados, entre junho a julho de 1999, a Emdurb passou a enfrentar os maiores problemas na Câmara de Compensação Tarifária. A Justiça mandou que fossem criadas novas 14 linhas, o que sobrecarregou ainda mais o sistema. A ação judicial foi gerada por reclamação de transposição de linhas, entre a ECCB, TUA e Kuba. Com mais 35 ônibus, nas 14 linhas, nas ruas, a CCT teve arrecadação progressivamente menor que o custo do sistema. Até janeiro de 2000, a CCT acumulou déficits seguidos, que variavam de R$ 300 mil a cerca de R$ 120 mil mensais.

No mesmo período, perto de outubro de 99, a Emdurb promoveu reestruturação em linhas e horários nos finais de semana, reduzindo substancialmente a presença de ônibus nas ruas aos sábados e domingos. O déficit na CCT foi reduzido além da média anual em janeiro e fevereiro

último (férias e feriados). Outro indicador do período

(início de 2000) é a falência da ECCB, onde em cerca de uma semana o sistema ficou com menos 130 ônibus nas ruas. Aos poucos, a frota foi sendo compensada, com o retorno da ECCB logo em seguida.

Com a elevação da tarifa para R$ 0,90, no início de março (mês de retomada do movimento, sobretudo com estudantes), a CCT, pela primeira vez, nos últimos meses, passou a apresentar superávit. O mesmo se repetiu em abril, quando o sistema apresentou saldo de cerca de R$ 100 mil no período. A tendência, na avaliação da Emdurb, é que a tarifa de R$ 0,90 e as condições do sistema tragam um equilíbrio da CCT até o final deste ano. Caberá ao próximo prefeito analisar pedidos de novo aumento de tarifa.