"Eternizando" o troféu
Texto: Roberta Mathias
O pescador é uma espécie rara. Apaixonado por seu objeto de desejo, o peixe, faz tudo para mostrar suas habilidades e reforçar seu talento natural para a pesca. O orgulho do pescador é o seu troféu. Apesar de procurarmos incentivar o pesque e solte, capturar um exemplar de tamanho considerável sempre seduz o pescador.
A fotografia tornou-se uma boa aliada contra as famosas "mentiras" de pescador. Apesar que todos sabem que o pescador é pessoa
íntegra, nunca inventa, só aumenta. Além do sucesso da pescaria, o que nem sempre significa pescar grande quantidade de peixe, afinal pescaria é um ritual e às vezes os peixes não estão disponíveis, o pescador se satisfaz com a "eternização" do fruto de sua batalha: o peixe.
Quem não gostaria de ver sempre o belo peixe que fisgou em um dia de muita aventura à beira mar, rio ou lago? A taxidermia, uma técnica de empalhamento de animais, pode proporcionar ao pescador a possibilidade de ver o seu peixe 24 horar por dia. Mas para se ter um peixe taxidermizado é necessário embarcar o animal e encaminhá-lo a pessoas profissionais no assunto.
Um peixe bem taxidermizado pode durar dezenas de anos. É um trabalho minucioso, que exige técnica, habilidade manual e muita concentração e paciência. Além disso, é preciso respeitar certas exigências, como evitar animais abaixo da medida, espécies em extinção e, no caso de animais selvagens, somente com autorização fornecida por órgãos oficiais, como o Ibama.
No Brasil, é difícil encontrar taxidermistas profissionais. Em alguns casos, há pessoas que trabalham apenas com alguns tipos de animais. Em Santos, importante cidade do litoral paulista,
é possível encontrar Sebastião Medeiros, 70 anos, e taxidermista há 50 anos. Apaixonado por sua opção profissional, Medeiros é responsável pelo empalhamento de quase todos os animais marinhos daquela região.
Muitos peixes e outros animais aquáticos pertencentes ao Museu da Pesca, o Museu do Mar e o Museu Marinho de São Vicente foram taxidermizados pelas mãos de Medeiros. Quem já visitou um deles pôde conferir a qualidade do trabalho.
Segundo ele, que é capaz de taxidermizar qualquer animal
(mesmo peixes de duas toneladas), o importante é fazer com cuidado para que o animal dure por muito tempo. "Se você não espera secar o tempo suficiente pode começar a criar bichos." Quando Medeiros começou, não havia muitos recursos. "Aprendi por amor e tudo o que fazemos com carinho fica bom, tem durabilidade. Eu gosto do que eu faço."
Apesar de taxidermizar muitos peixes diferentes, Medeiros não
é um pescador convicto. "Sou difícil de sair para pescar. Não gosto muito. Quando eu era mais moço, eu pescava." Mesmo assim, já aposentado do Museu de Pesca, continua trabalhando e taxidermizando animais, sejam peixes, mamíferos e aves.
Taxidermia no Japão
Descendente de japonês e morador no Japão há nove anos, João Tsuyoshi Figuti, 32 anos, é outro apaixonado por taxidermia, porém, com uma grande diferença: trabalha apenas com peixes. Figuti frequentou durante dois anos o curso de Seiji Gotoh, que aperfeiçoou a técnica e conferiu ao aluno habilidades para taxidermizar diferentes tipos de peixes. Cuidadoso e muito preparado para realizar esta tarefa tão difícil, Figuti procura não danificar o peixe e, pacientemente, espera, em alguns casos, meses para que a pele fique em condições ideais para iniciar o processo.
Primeiro é retirada toda a pele, que é coberta por materiais sintéticos e retocada, cuidadosamente, com tintas especiais, que irão retocar a coloração natural do peixe conservando suas características naturais. "É fundamental que o peixe tenha o mesmo aspecto que posuía em vida."
Figuti já realiza o trabalho de taxidermia há algum tempo e mostra que tem talento. Com paciência e muita dedicação chega a resultados fantásticos com peixes de todos os tamanhos. Trutas, black bass, itoh e iwana (peixes naturais do Japão) são algumas das espécies que Figuti faz com freqüência.
O taxidermista é, antes de tudo, um apaixonado por pesca. Para ele, uma boa pescaria substitui qualquer lazer. Os black bass que foram introduzidos com sucesso no Japão oferecem esportividade e desafio aos pescadores orientais, que encontram no peixe muita satisfação. Figuti mora em Kanagawa, a 80 quilômetros de Tóquio, e sua paixão pela pesca fez com que começasse a fabricar artesanalmente alguns tipos de iscas artificiais.
"Eu fui pescar com iscas de superfície e queria arremessar mais longe. Para isso, precisava de iscas mais pesadas. Procurei em diversas lojas e não encontrei nada que fosse semelhante ao que eu queria. Decidi começar a esculpir na madeira."
No começo, Figuti fazia a isca, colocava na água para testar e ela virava de lado, ficava de cabeça para baixo. "Comecei a estudar, ver a questão do peso, da hidrodinâmica... Deu certo. Produzi iscas interessantes e bem atrativas. Hoje uso basicamente as iscas que confecciono. São três modelos diferentes que podem ser usadas em black bass, tucunarés e robalos."
Réplicas
Além da taxidermia, Figuti também está se aperfeiçoando na produção de réplicas. Através da fotografia do peixe, seu tamanho aproximando e a espécie definida é possível produzir uma réplica muito semelhante ao seu troféu. Figuti ainda está adaptando a técnica para iniciar a produção. Ele pretende voltar ao Brasil e oferecer aos pescadores brasileiros novidades na área de taxidermia, iscas artificiais e réplicas. Vamos aguardar!
Serviço
O Instituto de Pesca de Santos fica na avenida Bartolomeu de Gusmão, 192, em Santos. O telefone é (13) 261-5995.
Taxidermista Sebastião Medeiros (13) 227-7331, em Santos.
******************História de pescador***********************
Pra quê? Os dois se desequilibraram, fazendo balançar o bote que, num solavanco, jogou-nos para dentro do rio. Com muito sacrifício, conseguimos desvirar o bote, e subir novamente, os três molhados, rindo de nós mesmos, sendo que da "traia" toda sobrou somente o puçá, que ficara enroscado num prego que havia no bote. Foi quando começamos a ouvir um som estranho vindo do fundo do rio.
- SSSSSS...SSSSSSSSSSSSSS... SSSSSSSSSS... SSSSSSSSSSSS... SSSSSSSSS... SSSSSSSS (lembram da propaganda da Brahma?)
Primo Jorge falou:
- É cascavel!!!
- Tá louco! respondi. Onde já se viu cascavel no fundo do rio??? Só se estiver com equipamento de mergulho!!!
E não é que, de repente, começou a aparencer um cardume de lambaris que, completamente "grogues", nadavam sem rumo, sendo que alguns batiam na lateral do bote. Nós, num piscar de olhos, começamos a recolher aqueles lambaris, jogando-os para dentro do bote, onde ficavam pulando que nem pipocas. Não é que, para nosso espanto, começou a sair de dentro da água, alguns lambaris inflados, parecendo balõezinhos. É isto mesmo, pareciam bolinhas de sabão no formato de peixe. Mais que depressa, juntei o puçá (ou será que era o catador de borboletas? Não sei...) e comecei a pegar os lambaris que já estavam batendo nas árvores.
Depois de tudo acalmado, deduzimos que o motivo daquilo só poderia ser uma coisa: com a queda das garrafas de cerveja para o fundo do rio, algumas se tocaram e vieram a se quebrar e isto fez com que um cardume de lambaris que passava pelo local tomasse aquela cerveja misturada com água, deixando-os "de fogo". - Ah! E os "peixes-voadores"? - Você deve estar perguntando. Simples! Alguns lambaris ingeriram o gás da cerveja, fazendo-os flutuar.
No caminho de volta para o rancho, fomos abordados pela "Florestal", que pediu-nos explicações para aquela grande quantidade de peixes (379 peixes), sem que nós nos províssemos de algum tipo de material de pesca. O mais difícil foi explicar o tipo de isca que usamos, pois deixavam os peixes com
"olhos vermelhos" e com a "boca babando".
Quem não acreditar, pode perguntar para o Compadre Carlão, lá na DoceAna Torteria, pois ele deve ter peixe na geladeira até hoje e a especialidade da casa é torta de lambari.
Edir Martins é pescador de lambaris nas horas que dá.