08 de julho de 2026
Geral

Condição feminina

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

O peso da tripla jornada de trabalho

Texto: Andréia Alevato

Ter uma carreira profissional, casar, cuidar da casa e do marido e enfim, ser mãe. Essas são as tarefas que as mulheres sabem que irão assumir algum dia. Com a vida moderna, a mulher saiu de casa e enfrentou o mercado de trabalho. Mesmo quando não faz determinados serviços domésticos, a mulher acaba supervisionando tudo. Depois, são os filhos, que ela faz questão de cuidar de tudo, isso sem prejudicar a carreira profissional. Está criada a tripla jornada da mulher.

Fátima Aparecida Saraiva faz parte do grupo de mulheres que faz a tripla jornada. Divorciada há quatro aos, ela divide o seu dia em cuidar dos filhos Angélica, 11 anos, e Gabriel, 3 anos, cuidar da casa e trabalhar fora.

"A vida da mulher de hoje é corrida. Toda mãe, principalmente a que trabalha fora, leva essa vida. Mas tudo compensa", afirmou Fátima.

Assumir a responsabilidades de uma casa faz parte da educação da mulher. Há aproximadamente um ano, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que meninas da periferia, com idades entre 7 e 12 anos trabalham em casa no lugar da mãe, que está trabalhando fora. Essa mesma pesquisa mostrou que meninos dessa mesma faixa etária e mesma classe social estão brincando na rua.

"Com isso, percebemos que a mulher continua sendo criada para assumir a responsabilidade do lar. E mais tarde, ela tem a oportunidade de entrar no mercado de trabalho. Cria-se então, uma jornada dupla, porque ela trabalha fora e em casa. E quando se torna mãe, cria-se a jornada tripla", disse Neusa Gomes Prado Silva, professora universitária de Sociologia.

Neusa afirmou que a tradição milenar de se educar os filhos é muito forte e que os filhos continuam sendo educados nos "moldes antigos". Para ela, é preciso melhorar o relacionamento entre homens e mulheres, para que os serviços domésticos sejam divididos, assim como os profissionais.

"Até no nosso dia-a-dia é possível observar isso. Para a filha pede-se ajuda para retirar a mesa, servir uma visita ou ajudar em um serviço da casa. Para o filho não se pede isso. O máximo que se pede é para que ele arrume o próprio quarto. A necessidade de melhorar o relacionamento entre homem e mulher, no sentido de dividir os serviços de casa. E essa questão cultural está longe de mudar, porque as mulheres ainda criam os filhos nos moldes antigos. E tem-se a dificuldade da mudança porque não se conhece outra fórmula de criar um filho e formar uma família. É uma estrutura milenar e que não se muda de uma hora para outra", explicou Neusa.

A professora afirmou que a mulher trabalha, em toda a vida, mais que o homem, devido a sua tripla jornada. Mesmo depois de aposentada, a mulher sente necessidade de estar sempre atuando.

"A mulher trabalha mais que o homem, porque trabalha fora e em casa. Mesmo depois que ela se aposenta, tem a necessidade de estar sempre atuando. Ao contrário do homem, que quando se aposenta, só está aposentado. Ele fica preocupado em fazer as coisas que gosta, em se reunir com os amigos. Ele vai "curtir" essa nova fase. A mulher não. Ela quer continuar ativa", afirmou a professora.

Nova geração

A nova geração de homens, de acordo com Neusa, com idade entre 25 e 30 anos, quer a mulher ativa e profissional, que trabalhe fora. Mas, em contra partida, esses homens querem que a mulher seja como a mãe deles sempre foi: atenciosa nos cuidados da casa e da família.

"Os homens de hoje querem a mulher profissional, mas querem a mulher do lar. É 50% de modernização e 50% de tradição", disse.

Papel de mãe

A mulher não abre mão de ser mãe. É uma fase da vida que a maioria delas faz questão de passar, sozinha ou acompanhada.

E cada mulher tem uma visão diferente do papel de mãe.

Algumas mulheres acreditam que ser mãe

é proporcionar uma boa condição financeira para os filhos. Outras acham que precisam cuidar deles pessoalmente.

Daniela Aparecida dos Santos Carvalho parou de trabalhar para cuidar pessoalmente da filha Dayane, 1 ano.

"Não confio muito em deixá-la em creches", disse Daniela, que pretende voltar a trabalhar quando a filha ficar maior.

Apesar de não trabalhar fora, Daniela toma todas as decisões junto com o marido.

"Administramos o dinheiro juntos, assim como as decisões", completou.

Hoje, a mulher sabe que ser mãe não significa mais ficar em segundo plano na família e estar

à disposição dos filhos 24 horas por dia. A tarefa da mãe moderna não se resume a cuidar da organização da casa. Além dos filhos, a mulher também cuida da carreira profissional.