08 de julho de 2026
Geral

Condição feminina

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

40% das mulheres trabalham fora

Texto: Andréia Alevato

A evolução mundial e as condições de vida fizeram com que alguns hábitos sofressem mudanças, entre eles o de a mulher ter que trabalhar fora e assumir responsabilidades que há 50 anos atrás eram apenas do homem. Atualmente, cerca de 40% da população feminina do Brasil trabalha fora.

Segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas

(Ipea), nos últimos 20 anos, a participação da mulher no mercado de trabalho brasileiro dobrou. Entre os trabalhadores com idades entre 20 e 25 anos, a participação das mulheres saltou de 16% para 38%. Na faixa dos 25 a 30 anos, faixa etária ativa da mulher, o aumento foi ainda mais expressivo: de 21% para 45%.

"Há ainda os casos que não são registrados, de mulheres que prestam serviços ou trabalham em casa. Então, na prática, observamos que a participação da mulher no mercado de trabalho

é de 40% em média", disse a professora de Sociologia da Educação e do Direito, Neusa Gomes Prado Silva.

Apesar de representarem 40% da população economicamente ativa do País, o desequilíbrio de valores na folha de pagamento existe e as mulheres continuam ganhando menos que os homens. Em média, as mulheres têm mais anos de estudo que os homens, mas as trabalhadores, que ganham menos que o sexo oposto, não se deixam intimidar. Elas estão em pleno processo de conquistar um seleto filão do mercado. Na escalada ao topo, a qualificação profissional tem um papel fundamental. Pós-graduação, especializações, mestrados e doutorados se tornaram indispensáveis para a profissional que almeja uma posição de destaque.

Em cargos de direção, as mulheres ganham até 45% mais que os homens, segundo uma pesquisa do Grupo Catho (especializado em recolocação do profissional no mercado). O estudo confirma que no mercado geral as mulheres ganham menos que os homens, mas em posições de diretoria em empresas de grande porte, a situação se inverte e as mulheres ganham mais.

O salário médio de admissão das mulheres com nível superior é de 66% do de um homem com a mesma escolaridade. De acordo com o Ministério do Trabalho, a média paga às contratadas com esse perfil é de R$ 840,00. Para os homens, o valor é de R$ 1.200,00.

Para a professora de Sociologia, mesmo ganhando menos que o homem, a mulher já conquistou o seu espaço e a discriminação no mercado de trabalho é rara.

"O feminismo trouxe uma série de discussões, o avanço, e hoje, a mulher conquistou o seu espaço. Percebo que está faltando é acertar o relacionamento entre a mulher e o homem, porque a discriminação da mulher no mercado de trabalho é muito rara. A mulher provou que tem competência. Agora, o relacionamento com o homem e com o próprio aspecto social ainda é muito complicado, até mesmo por causa da tradição cultural da sociedade, porque eles só dividem o trabalho profissional e não o de casa. É isso que precisa ser acertado. É a tradição que deve ser mudada. A mulher ainda cria os filhos de uma forma muito tradicional. Ela continua criando o filho "machão" e isso não pode acontecer", afirmou a professora.

A "Amélia"

Como já cantavam Ataulfo Alves e Mário Lago "Amélia que era mulher de verdade...". Muitos homens adoram uma "Amélia". E muitas mulheres adoram ser "Amélia".

A "Amélia" que lava, passa, cozinha, cuida pessoalmente da casa, dos filhos e do marido ainda existe e não abre mão dessa condição. Geralmente, elas têm mais de 50 anos e deixam que as decisões mais importantes sejam tomadas pelo marido.

"Algumas "Amélias" não fazem nem o supermercado para não mexerem com dinheiro, mas não porque não são capazes ou porque o marido não deixa. Elas são assim porque gostam dessa situação. A "Amélia" existe e gosta desse papel", completou Neusa.