Mulheres chefiam 33% das famílias
Texto: Andréia Alevato
Um em cada três lares brasileiros são chefiados por mulheres. É o que revela uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A situação não é diferente em Bauru. Aproximadamente 33% das famílias têm a mulher como chefe da casa. Essas mulheres se tornaram o arrimo de família. Os motivos para assumir as responsabilidades da casa são diversos: separação, morte e a produção independente.
A jornalista Dulce Marli Kernbeis, mãe de Kiko, 21 anos, e Maria Bárbara, 14 anos, assumiu a responsabilidade de chefe de família há 12 anos, depois da morte do marido. Ela contou que a correria já existia, porque ele morava em São Paulo, mas aumentou após a morte. "Eu não podia nem pensar em deixar de trabalhar. Tive que me adaptar com a nova correria", disse a jornalista.
Para compensar tanto tempo longe dos filhos, Dulce tinha acordo com os patrões de sempre sair quando necessário, como por exemplo, levar ou buscar os filhos na escola, curso de inglês ou festas. "Muitas vezes eu me atrasava, mas sempre chegava. Também já levei meus filhos para o trabalho comigo, por não ter onde deixá-los", afirmou. Mesmo depois de crescidos, Dulce continua sendo uma "supermãe". Ela sempre sabe onde e com quem estão os filhos.
Sair nunca foi problema para a jornalista e nem para os filhos, que acompanhavam a mãe. "Saímos sempre. Cinema, barzinhos e danceterias novos, shopping. Sempre curtimos juntos. Mesmo quando eles não tinham idade para entrar, eu dava um jeito", contou. E os filhos gostam da idéia. "Eu sempre conhecia lugares que meus amigos não conheciam porque eles eram novos e não podiam entrar. Sempre gostei de sair com minha mãe. Só não gostava de ir junto quando era a trabalho e ela se trancava em uma sala e demorava muito", disse Kiko.
"Eu conheci diversos artistas junto com a minha mãe. É muito legal sair com ela", completou Bárbara.
Apesar das responsabilidades, assim como tantas outras mulheres, Dulce não troca sua vida.
"Gosto disso tudo. Não mudaria de vida", concluiu.
Só mãe
Partir para a "produção independente" é uma visão mais moderna e mais independente da mulher. Isso acontece devido às mudanças de valores. Para a professora de Sociologia Neusa Gomes Prado Silva, essas situações já são encontradas, mas não são muitas.
A "produção independente" existe, mas está longe do cotidiano. Geralmente, são mulheres mais intelectualizadas ou artistas, que têm condições de gerenciar a própria vida. Mas, está longe do cotidiano, porque a sociedade cobra a família. O pai pode até não ser importante na educação, mas a presença dele é fundamental na vida da criança", afirmou Neusa.
Outras famílias
A mulher também assume a responsabilidade da família que ficou para trás. Geralmente, são as filhas que cuidam dos pais ou dos sogros quando estes estão com idade mais avançadas. "Faz parte dos nossos costumes. A mulher sempre colabora com os aspectos familiares. Ela tem os compromissos familiares que estão muito ligados à situação dela. Mas é um serviço que a maioria das mulheres tem satisfação de fazer e que não abriria mão deles, mesmo ficando sobrecarregada e acumulando funções. A mulher ainda está mais ligada às questões do lar do que o homem", finalizou Neusa.