07 de julho de 2026
Geral

Embalagens

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Contaminação é rara, mas não impossível

Texto: Sabrina Magalhães

Dentre as piores infecções que podem ser transmitidas através de embalagens, estão o botulismo e a leptospirose

De acordo com o médico infectologista Fernando Monti, a contaminação de pessoas através de embalagens

é muito rara e até pouco provável, mas pode acontecer. Pelo menos é uma notícia que está correndo e-mails (correio eletrônico, que permite envio de correspondências via Internet) de várias pessoas em todo o País nos últimos meses.

O JC Saúde recebeu uma dessas cartas. A mensagem diz que uma pessoa morreu depois de beber um refrigerante, pois havia urina de rato sobre a lata. A urina de rato, que contém substâncias tóxicas, pode estar infectada por leptospiras, a bactéria causadora da leptospirose - uma doença grave, que pode matar. O mesmo e-mail cita uma pesquisa que teria sido feita pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), que confirmaria que a tampa de latinhas de bebidas chegam a ser mais poluídas que banheiros públicos.

Por desconhecer a origem do e-mail (que vem passando de mão em mão há meses), a reportagem não pôde confirmar a história, nem tampouco obter mais informações. Da mesma forma, buscou-se contato com o Inmetro por vários dias, na tentativa de se conseguir acesso à pesquisa mencionada, mas não obtivemos resposta do referido órgão.

De qualquer forma, o e-mail é um alerta a uma infinidade de consumidores que diariamente fazem uso destas embalagens e que correm o risco até de se contaminar. "As pessoas veiculam um monte de bobagens pela Internet", salienta o infectologista. "Mas teoricamente, pode acontecer sim. As chances são mínimas, mas não seria uma coisa absurda."

Ele explica que o mais comum é a presença de agentes infecciosos dentro da embalagem, como é o caso do botulismo

(no palmito, principalmente), das bactérias que causam deterioração do produto e de certos fungos. Mas ainda assim, é raro o registro de uma ocorrência deste tipo. "O que pode acontecer é, no uso de embalagem reciclável, o processo de reciclagem não ser suficiente para eliminar as contaminações. Ou pode haver uma contaminação por material biológico, quer dizer, numa prateleira de iogurtes, o de cima quebra e derrama no de baixo, que está fechado. Aquilo é material biológico, é fonte de nutrientes. Ali pode crescer uma bactéria e essa pode causar contaminação no exterior da embalagem."

Nesse caso, bastaria lavar a embalagem antes de abrir, para manter a segurança do produto. "É uma questão de se adotarem boas normas de higiene mesmo: devemos lavar tudo o que a gente vai pôr na boca, afinal, sabe-se lá por onde passaram estas embalagens antes de chegar até a gente..."

Leptospirose e botulismo

A urina de rato é o principal veículo transmissor da leptospirose, uma doença causada pela bactéria leptospira, que resulta num quadro generalizado de alterações orgânicas. Segundo Fernando Monti, ela pode acometer a musculatura, o fígado e os rins, deixando a pessoa debilitada e com icterícia (amarelamento da pele). Costuma ser uma doença de gravidade importante e pode matar. "Mas o principal risco de penetração desta bactéria é durante enchentes, quando a água invade locais onde há ratos, carregando a urina dos animais. Essa água, em contato com a pele, permite a penetração do germe, principalmente quando existe uma lesão no corpo da pessoa."

Já o botulismo é aquela doença que ficou extremamente conhecida como sendo causada pelo palmito. Nos últimos anos, vários lotes do produto, de diferentes marcas, foram apreendidos pela Vigilância Sanitária, por suspeitas de contaminação. Segundo Monti, o botulismo é uma doença causada por uma toxina da bactéria Clostidium botulinum, "que tem o comportamento de veneno e é tóxica para as células nervosas". Com isso, uma pessoa infectada pode apresentar paralisia muscular generalizada e uma pequena dose da toxina é suficiente para matar uma pessoa. Para evitar o problema, os rótulos de palmitos hoje vêm com a recomendação de que se ferva o produto por 10 a 15 minutos antes do consumo.