07 de julho de 2026
Geral

Vida de mãe

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Supermãe?

Texto: Gustavo Cândido

O que faz uma mãe para ser considerada uma mãe perfeita? Ter o dom de compreender? De perdoar? Gerar e cuidar de uma criança? Na realidade isso e muito mais na opinião de muitas pessoas. Culturalmente, o papel de mãe tem sido muito idealizado, segundo a psicóloga Maria Regina Corrêa Lopes Vanin, e a maternidade tem sido muito associada à perfeição e ao sacrifício. Mas essa visão idealizada, que ainda permanece muito forte hoje em dia, pode causar ansiedade e culpa nas mães que não conseguem corresponder a essa imagem de perfeição. A solução

é não se anular, vivendo a vida só em função dos filhos, superprotegendo-os.

"Ser mãe é ser perfeita. É a coisa mais bonita que pode acontecer na vida de uma mulher, gerar, criar, tudo", acredita a analista de sistemas Cibele Matoso, que tem dois filhos, um de três anos e outro de um ano. Essa opinião é igual a de muitas outras mães sobre a maternidade: ela deve ser sinônimo de perfeição. De acordo com a psicóloga Maria Regina Vanin, a perfeição não deve ser levada tão a sério. Para a psicóloga, uma boa mãe deve ser afetuosa, estar sempre presente e procurando fazer com que os filhos se sintam amados e valorizados, ela também deve incentivar a independência dos filhos e saber que existem situações em que deve impor um limites. "Mais o mais importante é que ela saiba que é impossível acertar sempre e por isso não deve ter a pretensão de ser perfeita", diz Maria Regina Vanin. Na visão da psicóloga , a mãe deve assumir os seus erros e seus conflitos e permitir que os ser filhos a vejam como 'gente' e não como uma criatura que não pode cometer deslize algum.

"Eu acho que a minha mãe é perfeita, mesmo que eu discorde da sua opinião às vezes", diz a estudante universitária Adriana Cerqueira, "para ser perfeita a mãe tem que ser carinhosa e estar sempre presente sem ser chata", completa. Dona Sônia, mãe da estudante não sabe definir o que é ser uma mãe perfeita, mas diz que faz de tudo pelos filhos, "sempre me esforcei muito, junto com o pai deles, para dar tudo de melhor para eles", conta com orgulho.

"Não sei se sou uma mãe perfeita e meu filho anda está pequeno para dizer, mas sei que hoje penso mais no meu filho do que em mim mesma e faria qualquer coisa por ele", revela a professora Patricia Santana Duarte, que tem um filho de 8 meses

Esse tipo de pensamento, que segundo Maria Regina Vanin, é prejudicial para a mãe, que deixa de ter auto-estima, é muito comum. A explicação desse tipo de pensamento para a psicóloga Regina Furigo, é o advento da maternidade, que é uma modificação não só afetiva e psíquica na vida da mulher, mas visceral, "a mulher gera uma criança dentro de si durante nove meses, ela carrega e forma um outro ser dentro de si durante esse tempo e o vínculo que ela forma com o filho é muito intenso", explica. Isso, na maioria dos casos, faz com que a mulher desenvolva um relação de proteção muito forte com o filho, deixando um pouco de lado a sua atenção para com o marido ou até ela mesma algumas vezes.

A falta de cuidado com si mesma pode abalar a sua relação com o seu marido e também piorar cada vez mais sua auto-estima, mas não é o único mal que esse tipo de pensamento pode causar. A super proteção com os filhos também

é prejudicial para os dois lados. "Isso pode gerar cobranças até inconscientes que podem provocar sentimentos de culpa nos filhos, que mais tarde vão se sentir ingratos por não corresponder às expectativas de quem renunciou a tanta coisa por eles", afirma Maria Regina Vanin.

Segundo a psicóloga, uma boa mãe gosta de si própria

, investe na sua realização como mulher e como ser humano e procura ser feliz, oferecendo assim um modelo saudável para os filhos.

Carinho e compreensão

Os filhos não cobram tanto a perfeição das mães mas desejam que elas sejam sempre carinhosas e sobretudo companheira e estejam sempre presentes nas suas vidas (leia algumas opiniões abaixo). "É tudo o que a gente precisa na vida, de uma mãe que esteja sempre do nosso lado, independente de morar junto ou não", diz a estudante Regina Mara Alencar, cuja mãe mora em São Paulo, "falo com ela quase todos os dias e conto tudo", confessa. Assim como Regina, Edson Carmello também diz que não 'vive sem a mãe', apesar de já ser casado, "ela é minha maior conselheira e me guia sempre", conta.

O que uma mãe precisa ser para ser perfeita?

Veja o que as pessoas responderam nas ruas

"Precisa ser carinhosa, prestativa e atenciosa. Mas os filhos precisam colaborar também"

Priscila Jodar, balconista, 18 anos e grávida de 6 meses

"Não pode ser careta e tem que conversar bastante com os filhos e ser liberal até um certo ponto"

Lucimara Cunha, balconista, 16 anos

"Tem que ser carinhosa e amiga"

Leonardo José Ribeiro, estudante, 18 anos

"Precisa ser compreensiva e participar da vida do filho sempre querendo saber o que está acontecendo na vida dele"

Douglas Corrêa, estudante, 19 anos

"Tem que ser amiga, companheira, saber escutar e dar apoio. Todas as mães são perfeitas!"

Rosa Inforzato, dona de casa, 60 anos

"Tem que acompanhar o filho e estar atualizada com o que acontece na vida dele, estando sempre presente"

Alexandra Aparecida de Souza, secretária, 35 anos

"Precisa ser mãe, ter todos os cuidados com o filho. A palavra 'mãe' já diz tudo"

Gilberto Morales, comerciante, 48 anos