07 de julho de 2026
Geral

Exportação

Márcia Buzalaf
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Cafeicultores defendem retenção

Texto: Márcia Buzalaf

A delegação brasileira em Londres defende, de hoje até o final de semana, a retenção de 5 a 7 milhões de sacas de café para a exportação, proposta previamente pelo setor. Para o Brasil, que exporta cerca de 18 milhões de sacas por ano, a retenção deve provocar a estabilização dos preços do café, que ontem teve sua menor cotação desde janeiro deste ano.

Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, conta que o grande dilema da reunião anual da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) será em reter o café apenas nos países membros ou estender a retenção a todos os exportadores do produto. Os países que compõem a APPC, entre eles, o Brasil, representam 70% de todo o mercado de café do mundo.

Outro problema que os cafeicultores devem encontrar é no financiamento do produto retido. Segundo Guimarães, o País só tem disponível R$ 4 milhões para custeio desta produção, o que significa aproximadamente 4 milhões de sacas, enquanto que a previsão de retenção do produto é de 8 milhões de sacas.

De acordo com Guimarães, outra informação que ronda o setor é em relação aos grandes exportadores de café, que estariam buscando na justiça o direito de venderem seus produtos. Isso porque o governo brasileiro suspendeu, antes mesmo da decisão da APPC, a emissão de registros de venda do café, o que inviabiliza a exportação no mês de junho. Há 15 anos o Brasil não cancela a emissão deste documento.

Esta atitude dos exportadores também prejudica a credibilidade do País na reunião em terras britânicas. Segundo Guimarães, como o Brasil voltou atrás em acordos firmados no mesmo encontro por diversas vezes, a credibilidade do País já está abalada.

O Ministro da Agricultura e Abastecimento, Pratini de Moraes, deve comandar a delegação brasileira, da qual Guimarães faz parte. É possível que não saia nenhum tipo de acordo entre os países e, com isso, o preço da saca do café caia ainda mais. Segundo o representante do setor, a produção cafeeira pode ainda ser influenciada negativamente pela seca e pelo inverno que podem influenciar a colheita.