07 de julho de 2026
Geral

Imóveis

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Creci diz que mercado imobiliário está aquecido

Texto: Patrícia Zamboni

Vice-presidente do Creci comemora parceria com a CEF para financiamento de imóveis e anuncia o aquecimento do mercado

O mercado imobiliário no Brasil vai entrar numa fase de intenso aquecimento. A afirmação foi feita pelo vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis

(Creci), José Augusto Viana Neto, durante visita a Bauru.

"Nós estamos numa situação de muito otimismo. Pela primeira vez na história do mercado imobiliário

é possível comprar um imóvel com 100% de financiamento. Até dezembro do ano passado, era preciso que o comprador em potencial dispusesse de pelo menos 20% do valor do imóvel para poder financiar o saldo restante. Isso restringia demais o número de pessoas que podiam comprar, porque o medo do desemprego fazia com que a pessoa não aderisse ao financiamnto e permanecesse pagando aluguel. Se ele partisse para comprar o imóvel usando o Fundo de Garantia, que era sua reserva pessoal, se viesse a perder o emprego este comprador ficaria completamente desprotegido. Com o financiamento de 100% do valor do bem, haverá um grande aquecimento do mercado imobiliário", analisa Viana Neto. O Creci firmou um convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF) e está orientando os corretores para a venda de imóveis que podem ter até 100% do valor financiado.

De acordo com Viana Neto, em outubro de 99 o presidente do Creci entrou em contato com a diretoria da CEF e foi então que começaram os estudos para uma nova modalidade de financiamento que chegasse a cobrir 100% do valor do imóvel desejado pelo comprador. A partir de janeiro deste ano, a novidade foi colocada em prática. Mas a situação vem melhorando desde 97, quando houve o advento da carta de crédito e se tornou possível acordar o financiamento diretamente com o consumidor, sem a interferência de empresas. "Isso melhorou demais o mercado e fez com que a inadimplência caísse bruscamente", diz Viana Neto. Além disso, o vice-presidente do Creci afirma que existe a tendência crescente da liberação de dinheiro diretamente para o consumidor. Essa situação gera um resultado interessante, apontado por ele. "A cada negociação que se faz de um imóvel usado, são criadas, pelo menos, mais seis transações simultâneas. A pessoa que vendeu um imóvel menor vai comprar um maior, a que vendeu um maior vai comprar dois menores para alugar porque não precisa mais de um imóvel daquele tamanho, e assim sucessivamente. E isso vai aquecendo o mercado", observa Viana Neto.

Outro fator positivo e de grande importância para o aquecimento do mercado imobiliário, segundo o vice-presidente do Creci,

é que a CEF está disponibilizando para venda um lote de 4 mil imóveis, somente no Estado de São Paulo. São imóveis que foram retomados de compradores inadimplentes. "Esses imóveis também terão 100% de financiamento, taxa de juros de 12% ao ano, mais TJLP

(Taxa de Juros a Longo Prazo). O preço médio deles

é de R$ 25 mil e serão comercializados exclusivamente pelos corretores de imóveis que tenham o certificado de regularidade do Creci. As chaves ficarão nas agências da Caixa Econômica próximas a esses imóveis. Aqui para a região de Bauru, um bom número de imóveis será colocado à venda", afirma. Segundo Viana Neto, a lista com os primeiros 1.053 imóveis que já estão sendo comercializados está disponível na Delegacia do Creci de Bauru e também na Internet, no site do Conselho: www.creci-sp.org.br "Quem está pagando aluguel atualmente, vai encontrar um imóvel nas mesmas condições do que mora e terá condições de financiar e pagar o mesmo valor do aluguel nas prestações. Então, não existe mais razão para pagar aluguel com o financiamento de 100%. Até mesmo a comprovação de renda tem sido facilitada pela CEF. Dentro de um dos convênios que nós firmamos com a Caixa, a pessoa que comprovar, através dos recibos e de uma declaração da imobiliária, que paga aluguel há três anos, em dia, poderá assumir prestações até o valor daquele aluguel, sem necessidade de comprovação de renda por outros meios. Afinal, atualmente existem muitas pessoas que vivem de economia informal. É grande a preocupação do Creci em resolver os problemas habitacionais do País", afirma Viana Neto.

De acordo com ele, nos Estados Unidos e Europa, cerca de 95% das transações imobiliárias são feitas através de financiamento. No Brasil, este número chega a, no máximo, 25%. Porém, a tendência brasileira é de ser abolida a compra de imóveis com recursos próprios e crescer muito o número de negócios feitos através de financiamento.

Viana Neto visitou o JC acompanhado pelo assessor de diretoria do Creci, Ademar A. Almeida, e pelo delegado regional do Creci de Bauru, Giasone Albuquerque Cândia.