Fugitivo do IPA resiste a prisão e exige esforço da Polícia Militar
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A recaptura de um fugitivo do Instituto Penal Agrícola
(IPA) de Bauru, na manhã de ontem, movimentou a Polícia Militar e os moradores da favela do Jardim Ivone, ao lado da Vila São Paulo, próximo da rodovia Bauru/Iacanga. Mais de 20 homens da PM, das Bases Comunitárias Oeste, Leste, Noroeste e do Tático-4 se reuniram para recapturar Alexandre Teodoro, mais conhecido por "Cebola", 23 anos.
A recaptura do fugitivo seria mais um serviço corriqueiro dos policiais que receberam a denúncia. Mas "Cebola" resistiu, disparou tiros e lutou, até o último minuto, para não ter que retornar à cadeia. Ele tem oito anos de reclusão para cumprir.
Assim que soube que a polícia estava na favela à procura dele, "Cebola" começou a usar os barracos dos amigos para se esconder. Muitos deles foram revistados, mas os policiais não acharam nenhum vestígio ou informação do "Cebola". A lei do silêncio entrou em ação para proteger o fugitivo.
Suspeitou-se, então, que "Cebola" havia se escondido numa tubulação de esgoto de mais de 150 metros de diâmetro, numa ribanceira da favela. Policiais do Tático-4 foi acionado e preparavam-se para lançar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral na tubulação, quando "Cebola" foi encontrado em um barraco erguido na beira do barranco.
O fugitivo estava embaixo da cama e só foi descoberto porque o policial que revistava o barraco fez malabarismos para erguer o colchão de uma janela com cerca de 30 centímetros. Com ele havia uma faca grande de cozinha, mas a arma de fogo que teria usado para efetuar os disparos, ele já havia dispensado. Alexandre Teodoro cumpre pena por roubo, furto e receptação. Tem oito anos há cumprir e estava há um ano foragido do IPA.
Tensão e medo
A recaptura de "Cebola" foi uma ação especial. Policiais armados, sob muita tensão, procuravam o fugitivo, que resistiu à prisão e tentou ferir os policiais com tiros. A operação relâmpago durou cerca de uma hora, mas nesse período houve picos de tensão.
Um dos momentos mais difíceis vividos pelos policiais das viaturas 356 e 304 foi a chegada na favela. Um dos policiais, bem-humorado, contou que eles foram recebidos "cordialmente" a tiros. Outro momento de tensão foi a preparação das bombas que seriam lançadas na tubulação, para forçar a saída do fugitivo. A adrenalina foi a mil no momento que o policial descobriu "Cebola" sob a cama.
Lei do silêncio
Descobrir um fugitivo bem aceito em uma favela é um papel difícil para a polícia. Moradores se fazem de desentendidos e não fornecem informações concretas sobre o paradeiro dele. Por medo ou respeito, ninguém falou sobre a presença de "Cebola" na favela, embora ele estivesse morando ali há mais de um ano.
Outro fato que chama a atenção daqueles que não moram em favela é a solidariedade dos moradores. Quando um policial anunciou que "Cebola" estava em um dos barracos, as mães soltaram seus filhos menores para que eles se misturassem aos policiais, na tentativa de impedir a prisão do fugitivo. Em meio às crianças, a polícia tem que ter atenção redobrada, afinal se uma delas for ferida, a população vai reagir a favor dos moradores.