07 de julho de 2026
Geral

Dengue

Redação
| Tempo de leitura: 6 min

Mais cinco casos de dengue são confirmados

Ontem foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde

(SMS) mais cinco casos de dengue: um importado do município de Araçatuba (SP) e quatro autóctones - isto é, de contaminação no próprio município, mais precisamente a região da Vila Santa Luzia, área de maior infestação. Agora, são 38 os casos confirmados, 23 pessoas aguardam resultados dos exames e 13 deram negativo.

Para a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC),

órgão da SMS responsável pela vigilância epidemiológica, Maria Helena Abreu, os casos negativos são um indício de que a epidemia começa a ser contida na região Nordeste da cidade - que inclui a Vila Santa Luzia, os núcleos Beija-Flor, Mary Dota e bairros próximos.

Ela afirmou, ainda, que a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) avalia que ainda não há necessidade de fazer a nebulização na região, onde o DSC já efetuou a busca ativa, ou seja, o levantamento de novos casos suspeitos na vizinhança das residências dos pacientes. Também foi providenciada a eliminação dos criadouros em potencial do inseto transmissor, o mosquito Aedes aegypti nessas áreas.

Com os novos resultados, Bauru tem 38 casos de dengue confirmados desde o início do ano. Há 29 casos autóctones, a maioria na região Nordeste, e nove importados. Vinte e três pessoas aguardam resultados dos exames e 13 foram negativos.

Risco de hemorrágica

A diretora do DSC demonstra preocupação com o comportamento da população da região Nordeste, onde é alto o número de criadouros do mosquito, com relação

à prevenção. Ela ressalta que, no ano passado, muitos casos de dengue foram registrados no Núcleo Mary Dota e que as pessoas infectadas na época podem contaminar-se novamente, contraindo a forma mais grave da dengue, a hemorrágica, que pode levar à morte.

Maria Helena faz, ainda, um apelo aos profissionais de saúde que atendem à população dessa região: na existência de qualquer sintoma de virose - febre, dor de cabeça e dores no corpo, sem qualquer sinal de infecção no nariz, garganta, ouvido ou sem tosse - deve ser pedida investigação clínica do caso. Quanto às pessoas que aguardam exames clínicos, elas devem sair de casa o mínimo possível, nos primeiros seis dias das manifestações da dengue.

A diretora do DSC coloca o órgão à disposição da população, para sugestões e acompanhamento do trabalho, uma vez que ele vem recebendo algumas críticas de certos setores da sociedade. Além da orientação casa a casa, as equipes desenvolvem projetos educativos em eventos, junto aos feirantes e em outras oportunidades, sempre visando a redução da infestação do mosquito transmissor. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 223-2565.

Moradores temem a epidemia

Texto: Adriana Rota

Os moradores da região Nordeste estão preocupados com a disseminação dos criadouros do Aedes aegypti. Embora elogiem o trabalho executado pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC), eles lamentam o fato de parte da população local não estar tomando os cuidados necessários para evitar a proliferação, deixando acumular água em recipientes, geralmente abandonados em terrenos baldios.

Na quadra 2 da rua Coronel Lima de Figueiredo, localizada na parte baixa da Vila Santa Luzia, uma pessoa que preferiu não ser identificada disse que se esforça para manter tudo em ordem em sua casa, mas teme que seus cuidados sejam inócuos, porque vizinhos insistem em jogar objetos de todo tipo num terreno baldio do local, que acabam acumulando água.

"Eles tiram o problema de dentro de suas casas, podendo causar um maior ainda para as outras pessoas", protestou, afirmando que está pensando seriamente em mudar-se por medo de que alguém de sua família adoeça em resultado do descaso.

"Já reclamei na Vigilância Sanitária, mas não sei se vão fazer alguma coisa. O trabalho do 'pessoal da dengue' está bom, mas não vai ter resultado se continuar assim. A população tem de estar consciente, porque não é como um resfriado. Se você pegar uma vez, está sujeito até a morrer na segunda", alertou.

No Jardim Flórida, as amigas Edna Lobo de Souza e Marilis Guastapagla compartilham da mesma opinião. Edna mora na quadra 5 da rua Mário Bueno Sales e disse que próximo dali existem pessoas que já tiveram dengue. "É diferente de quando você ouve que tem um caso longe. É claro que a gente fica com medo", contou, com a concordância da vizinha. Elas também elogiaram o trabalho dos agentes do DSC e demonstraram preocupação com a falta de cuidado de alguns vizinhos. "Já cheguei a ligar na imobiliária por causa desse terreno aí do lado. Ninguém faz nada", protestou Edna.

O aposentado Davi Pereira, vizinho dela, fez a mesma crítica. Aos 87 anos de idade, reclamou ser obrigado a limpar o terreno ao lado de sua casa, que serve de depósitos de dejetos e, conseqüentemente, potencial criadouro do mosquito. Para complicar a situação, pessoas que, provavelmente, estejam se sentindo incomodadas com a disseminação da dengue nessa região, há poucos dias colocaram fogo no lixo do terreno. "Ele quase invadiu minha casa. E se eu não estivesse aqui, para quem iria reclamar depois?", questionou.

No Núcleo Mary Dota, quem reclama é o funcionário público João Vicente de Melo, morador da quadra 1 da rua Brasília dos Santos. Ele afirma que um terreno que seria de propriedade do Frigorífico Mondelli está com mato alto, podendo servir como foco de disseminação.

"O que adianta eu cuidar do meu quintal, se a menos de 50 metros o mato está nessa altura?".

Um dos proprietários do frigorífico, Genaro Mondelli, disse que o terreno não pertence à empresa. Quanto a uma notificação existente no DSC, referente a um problema com a tampa da caixa d'água e que estaria em processo de multa, o entrevistado afirmou desconhecer o assunto.

Centro

Moradores das imediações do prédio que teve sua construção paralisada há algum tempo, localizado no quadrante das ruas Araújo Leite, Manoel Bento Cruz, Antônio Alves e Capitão João Antônio, no centro da cidade, também procuraram o JC temendo a existência de possíveis criadouros do Aedes aegypti.

A empresa responsável pelo empreendimento, Omar Maksoud, já teria sido notificada pelo DSC e regularizou a situação. Mas uma nova notificação está agora em processo de multa. De acordo com o administrador da empresa, Luiz Antônio Querubim Rodrigues, a Maksoud está recorrendo, porque entende não haver motivo para essa atitude.

Ele informou que um funcionário está exclusivamente destacado para eliminar as poças de água, que inevitavelmente formam-se nessa e em quaisquer outras construções. Cal e cloro seriam utilizados para evitar possíveis criadouros.

"Eu trabalho na frente da construção e também não quero contrair dengue", disse. No seu entender, o DSC está cedendo às pressões da vizinhança, que estaria supondo a existência de criadouros no local, que nunca teriam existido.