07 de julho de 2026
Geral

Anticoncepcional

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Simples e segura

Texto: Gustavo Cândido

A primeira pílula anticoncepcional seja chamava Enovid e era produzida pela empresa Searle. Foi desenvolvida por Gregory Pincus e John Rock e em cinco anos depois do seu lançamento no mercado, já era o método contraceptivo mais usado nos Estados Unidos. Hoje o mercado tem várias opções de pílulas e similares para oferecer, inclusive medicamentos injetáveis e para serem tomados em caso de emergência, como a pílula do dia seguinte.

A primeira pílula, desenvolvida há 40 anos, era composta de hormônios sintéticos que, ao bloquear a ovulação, era 99% eficiente na prevenção da gravidez. Mas ela também causava efeitos colaterais, principalmente em mulheres com mais de 35 anos e fumantes. "As pílulas evoluíram muito desde a década de 60 até hoje. A dose hormonal que elas contém atualmente

é muito menor, mas a eficiência continua sendo a mesma", diz a ginecologista e obstetra Maria Cecília Sahade. Atualmente existem no mercado, dezenas de pílulas diferentes, com dosagens hormonais diversas. A médica recomenda as que tenham um menor teor hormonal para mulheres muito jovens, mas não esquece um fator determinante na hora da compra: o preço e justifica, "às vezes a pílula que custa muito barato não é a mais adequada para uma menina de 14 ou 15 anos, por exemplo", diz. Maria Cecília Sahade salienta a necessidade de se consultar um especialista antes de usar a pílula porque muitas jovens acabam trocando receitas de pílulas entre si e isso não é bom porque a pílula que uma utiliza pode não ser tão eficaz para outra. "Antes de começar a tomar a pílula, a garota precisa de uma orientação ginecológica, até mesmo para que temas como as doenças sexualmente transmissíveis sejam abordados e exames físicos sejam feitos. De repente existe algum problema, como uma ferida ou uma verruga e ela fica sem se tratar e já começa a tomar pílula", explica a ginecologista, "a garota vai com a finalidade de buscar a pílula no médico mas já faz também um exame de prevenção de câncer, o que é muito importante já que hoje o câncer de colo do útero é uma doença que muito a ver com a multiplicidade de parceiros", completa, lembrando que a menina sexualmente ativa que busca a pílula, geralmente tem um parceiro que não usa preservativo ou se preocupa com isso.

Vantagens e desvantagens

Além de evitar a gravidez não-desejada, a pílula traz uma série de vantagens. Para mulheres com o ciclo menstrual irregular, ela garante uma data correta para a menstruação todos os meses. Para as que sofrem com um fluxo muito intenso, ela reduz o sangramento e, com isso, evita o risco de anemia e o risco de aparecimento de endometriose que também se torna bem pequeno. Outro incômodo da mulher, a cólica, tende também tende a diminuir.

As vantagens não param por aí. Os hormônios da pílula também provocam o espessamento do muco cervical, o que age como uma barreira contra infecções. Desse modo, mulheres que tomam a pílula têm o risco menor de desenvolver inflamações pélvicas, que podem comprometer as trompas e causar esterilidade. A pílula também fornece proteção contra o câncer do endométrio e do ovário se for consumida por um ano ou dois (no caso do ovário). Outro detalhe importante

é que ela não retarda a menopausa. Mas mesmo assim tem sido prescrita para mulheres que estão se aproximando dessa fase, cujos níveis de estrógeno começam a cair, mas ainda podem ficar grávidas.

Por outro lado, a pílula também pode ocasionar certos problemas, como a formação de coágulos que podem culminar em um ataque cardíaco, derrames, tromboflebites, embolia pulmonar e danos à visão. Mas esses problemas geralmente acontecem com mulheres mais velhas e que fumam. A pílula também não é recomendada para mulheres que possuam tumores cancerígenos no ovário, endométrio, colo do útero ou vagina, pois agravaria a situação.

"Pílulas" modernas

Um grande número de mulheres tem preferido trocar a tradicional pílula anticoncepcional por medicamentos injetáveis, injeções que evitam a gravidez, que antes precisavam ser tomadas uma vez por mês mas que agora já podem ser aplicadas a cada três meses. Segundo a revista Veja, 4 milhões desses medicamentos foram vendidos em 1999, o número parece pequeno perto da quantidade de caixas do medicamento tradicional vendidas no mesmo período, 60 milhões, mas ele está crescendo a cada ano.

Existe uma série de medicamentos anticoncepcionais injetáveis no mercado brasileiro, como o Cicloruvar, Cyclofemina, Mesigyna, Uniciclo, Depo-Provera e Perlutan. O Depo-Provera é um dos que faz mais sucesso. Ele pode ser vendido em uma dose pequena

(50mg), que garante a mulher por um mês, ou numa maior (150mg), com efeito por três meses. É um medicamento composto de progesterona sintética que suspende a ovulação da mulher por noventa dias. Se forem tomadas sempre uma após a outra, as doses mensais (ou trimestrais) acabam abolindo a menstruação, muitas vezes um grande incômodo para a mulher.

Segundo Maria Cecília Sahade esses medicamentos são bons, mas não apresentam, muitas vezes, a mesma eficácia da pílula normal além de encurtarem muito o ciclo menstrual. Eles também pode causar depressão, aumento de peso e diminuir a captação de cálcio no organismo, por isso não devem ser usados por jovens em fase de crescimento.

Solução de emergência

O Postinor-2, ou a pílula do dia seguinte, como é popularmente conhecido, é uma nova variação da pílula, que vem sendo muito usada pelas jovens brasileiras desde que entrou no mercado há pouco mais de um ano. É um método barato e muito eficiente para quem não quer correr o risco de engravidar após uma relação sexual sem contraceptivos.

"É importante alertar que essa pílula só deve ser usada em casos de emergência e não numa situação de rotina como a outra, porque ela tem uma dose de hormônio muito grande", explica Maria Cecília Sahade. Outro detalhe importante é que a pílula deve tomada o mais rápido possível depois do "acidente", ou seja, da relação sem proteção.

"Na bula, a recomendação é que o medicamento seja tomado até 72 depois, mas quanto antes ele for tomado, mais eficaz vai ser", diz a médica.

A pílula do dia seguinte atua em todas as fases da concepção, dificultando a movimentação dos espermatozóides, a ovulação e a fecundação. Caso esta

última tenha ocorrido, a pílula não deixa o óvulo fecundado se fixar no útero. Ela também pode causar alguns efeitos colaterais como náuseas, tontura ou dor de cabeça.