07 de julho de 2026
Geral

Greve

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Greve de professores compromete recesso de julho

Texto: Ieda Rodrigues

Mesmo se a greve dos professores terminasse hoje, os alunos da rede estadual de ensino e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) não teriam recesso em julho neste ano. O calendário de reposição de aulas só será montado quando a greve terminar, mas já é certo que, na maioria dos casos, as aulas não-dadas serão repostas no recesso de julho e aos sábados.

A dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, disse estar preocupada com a greve que já dura 20 dias - os professores, diretores e funcionários da rede estadual entraram em greve no dia 4 de maio.

Ela explicou que o recesso de julho, programado para começar no dia 17 de julho, está comprometido para a maioria dos grevistas e alunos.

Isso porque há casos de professores que entraram em greve no dia 4, outros nos dias seguintes, e outros que ficaram sem dar aula alguns dias e depois retornaram ao trabalho. Edinéa lembrou que o ano letivo é de 200 dias e, para completá-lo, mesmo se a greve terminasse hoje, em alguns casos seria preciso fazer reposição aos sábados.

Alguns pais de alunos, de acordo com Edinéa, estão preocupados com a greve prolongada. Nos últimos dias, um grupo de pais de alunos da escola Antônio Guedes de Azevedo procurou a Diretoria de Ensino para cobrar a contratação de professores substitutos para o lugar dos grevistas, segundo a dirigente de ensino.

Ela disse que, por enquanto, como o percentual de professores em greve ainda é bastante alto, fica difícil a contratação de substitutos. Além disso, quase metade dos diretores, que contratariam os substitutos, também está parada. No entanto, hoje, os supervisores de ensino, que também estavam em greve, devem retomar o trabalho, segundo informou Edinéa.

O câmpus de Bauru da Unesp também está com o recesso de julho e alguns sábados comprometidos com a reposição de aulas. Os professores e funcionários da Unesp estão em greve desde o dia 26 de abril, portanto há quase um mês. Cleide Biancardi, diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, disse que o semestre é de 100 dias de aula e para cumpri-lo, mesmo que a greve terminasse hoje, não haveria recesso em julho.

Ainda assim, na avaliação de Biancardi, os feriados prolongados, incluindo o da Semana da Pátria quando, historicamente, a Unesp não funciona, terão que ser suspensos, e distribuir aulas aos sábados. A reposição de aulas é mais complicada para alguns cursos, como o de Arquitetura e Educação Artística, que são anuais e não semestrais, como a maioria dos cursos, segundo a diretora da Faac.

Paralisação e negociação

Pelos dados da Apeoesp, a greve atinge cerca de 90% dos professores de Bauru e região. Já a Diretoria de Ensino de Bauru estima que 960 dos seus 1.760 professores estejam parados. No câmpus de Bauru da Unesp só estão funcionando os serviços considerados essenciais.

Os profissionais do magistério pedem 54% de reajuste. Já os da Unesp, inicialmente pediam 25% agora, aplicados sobre os 7% já repassados pela Reitoria, mas o Fórum das Seis, pensando na reabertura das negociações entre o Conselho de Reitores (Cruesp) e os sindicatos, sugeriu que os professores, e funcionários da Unesp, Unicamp e USP aceitassem 12,5% de reajuste sobre os 7%.

O câmpus de Bauru, em assembléia realizada anteontem, rejeitou a proposta do Fórum das Seis. Hoje, às 9 horas, os professores e funcionários da Unesp fazem mais uma assembléia. Os profissionais da rede estadual também têm assembléia hoje, às 16 horas, na Praça Rui Barbosa. (IR)