07 de julho de 2026
Geral

Merenda escolar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Laudo confirma: merenda estava imprópria

Texto: Sabrina Magalhães

Amostra de macarrão comprado pela Prefeitura, em março deste ano, para a merenda escolar, apresentou 132 fragmentos de inseto

Um laudo apresentado pelo Instituto Adolpho Lutz confirmou que o macarrão comprado pela Prefeitura Municipal de Bauru para integrar o cardápio da merenda escolar estava realmente impróprio para o consumo. A história começou em meados de março deste ano, mas só agora os resultados foram divulgados.

De acordo com a diretora do Departamento de Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação, Irene Sampaio Shiraishi, a compra do macarrão seguiu todos os critérios de licitação estabelecidos em lei. Um desses critérios exige que cada empresa envie duas amostras de seu produto para experimentação. Uma das amostras é encaminhada ao nutricionista, que vai avaliar cada produto e escolher o melhor. A segunda amostra do produto selecionado (no caso, o macarrão Tibagi) fica guardada, para posterior conferência. Esta

é a garantia do comprador.

"Quando o primeiro lote do macarrão chegou, a nutricionista foi conferir com aquela amostra que fica guardada e percebeu que o produto comprado estava mole e com aspecto bem diferente daquele enviado como amostra (apesar de ser da mesma marca). O contrato prevê que nós temos liberdade de fazer novo teste a qualquer momento, mesmo que o produto já esteja em estoque. E se a mercadoria não corresponder à amostra, podemos devolver", explica a diretora.

O Departamento de Merenda Escolar retirou uma nova amostra do lote recebido e encaminhou para análise de laboratório. Mas a aparência do produto recebido era tão diferente da amostra inicial, que todo o lote foi devolvido, antes mesmo de sair o resultado do exame. Pouco tempo depois, a empresa mandou um segundo lote, que também foi recusado. O macarrão foi devolvido para a empresa, localizada na cidade de Apucarana, no estado do Paraná.

Feito isso, o Departamento comunicou o fato à Divisão Regional de Saúde (DIR-10), que acionou a Vigilância Sanitária paranaense - o órgão responsável por dar continuidade à fiscalização em outros lotes do produto, junto à empresa de origem.

No final do mês de abril, o Instituto Adolpho Lutz apresentou o resultado da análise, confirmando a suspeita: "Trata-se de produto em desacordo com as normas legais vigentes, por apresentar alteração nas características organolépticas

(cor, textura, etc.) e conter partículas de matéria estranha ao produto no interior da embalagem".

Conforme a assessoria de imprensa da Prefeitura, além de partículas vegetais (madeira), foram encontrados 132 fragmentos de inseto na amostra de 225g do macarrão Tibagi.

Solução

Depois de devolver o macarrão Tibagi, o Departamento exigiu que a empresa paranaense substituísse os 8 mil kg do produto comprado por outro macarrão, de marca conhecida e de melhor qualidade, na mesma quantidade e sem qualquer prejuízo para os cofres públicos ou para a saúde dos consumidores, como previa o contrato.

Segundo Shiraishi, o Município fornece merenda escolar para 76 mil alunos, que só não ficaram sem o alimento graças ao estoque que havia sobrado do ano passado. "Eu estou neste posto há 29 anos e todo esse procedimento é corriqueiro no Departamento. Porque nós estamos mexendo com dinheiro público e estamos dando 76 mil refeições por dia. Assim, temos que tomar muito cuidado com o que oferecemos

à nossa clientela", finaliza a diretora.