07 de julho de 2026
Geral

Mercosul

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

COI deve escoar produtos postais para o Mercosul

Texto: Márcia Buzalaf

O Centro de Operações Postais de Bauru (COI), uma central de triagem postal da região, foi inaugurada ontem em Bauru, em uma área de mais de 5 mil metros quadrados no Distrito Industrial, que teve um investimento de R$ 1,44 milhões. Primeiramente, será feita apenas a triagem dos produtos, mas, em um futuro breve, os Correios prevêem a instalação de um porto intermodal para o escoamento postal para os países do Mercosul.

Para a instalação do COI, foram contratados 80 trabalhadores, mas ainda há vagas para portadores de deficiência

(os Correios precisam contratam 30 portadores de deficiência). Uma máquina de triagem automatizada de cartas, com capacidade de separar 36 mil objetos por hora, deve ser instalada nos próximos meses.

Uma parte da carga do Estado será centralizada no COI, segundo informa o diretor regional de Bauru, Vitor Joppert. A previsão da empresa é fazer do centro um porto intermodal ferroviário, fluvial e rodoviário para o escoamento desta carga, através da Hidrovia do Rio Tietê, para todo o Mercosul. "Isso tanto de carta simples como de encomendas e outros objetos", explica o diretor regional.

A inauguração foi feita com a presença do presidente da empresa, Egydio Bianchi, do diretor regional dos Correios em Bauru, Vitor Joppert, do prefeito municipal, Nilson Costa (PPS), e de várias autoridades locais e de toda a região.

A agência dos Correios localizada no COI deve atender diretamente as empresas do Distrito Industrial, que terão horário diferenciado. A agência deve permanecer aberta das 9 às 20 horas, de segunda a sexta-feira; e das 8 às 12 horas, aos sábados.

Regional Bauru

Em setembro do ano passado, os Correios decidiram dividir a diretoria de São Paulo em uma Diretoria Regional de São Paulo Interior (DR/SPI), localizada em Bauru, e uma Diretoria Regional de São Paulo Metropolitana (DR/SP), que envolve a grande São Paulo e a baixada Santista.

A Diretoria Regional Interior agrupa todo o Interior paulista, deixando de lado apenas as regiões que fazem parte da área metropolitana. São 583 municípios, com uma participação no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

(ICMS) de 46,7%, mais de 3 milhões de objetos postais distribuídos diariamente, por uma equipe de 8.498 funcionários.

A cidade foi escolhida para reunir todo o Interior por ser um ponto central de convergência de todo o Estado. "Escolhemos Bauru pela posição excepcional que a cidade tem no nosso plano logístico. Daqui, em um raio de mais ou menos 220 Km, nós atingimos todas as nossas regionais do Interior", explica.

Bianchi também falou sobre a importância do Interior.

"O Interior do Estado é quase dois terços do PIB da Argentina", diz.

Correios vivem sua melhor fase

Ao contrário do que muita gente pensava, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está, atualmente, na sua melhor fase, batendo recordes atrás de recordes e quebrando o estigma de empresa estatal não-funcional. Agora, ela espera pela aprovação da nova Lei Postal, que deve transformar a empresa em uma S.A. e abrir o mercado para novos capitais.

Egydio Bianchi, presidente dos Correios, afirma que a empresa vive sua melhor fase, registrando, no ano passado, o maior tráfego anual, de 7,4 bilhões de objetos postais, um aumento de 8% em relação a 1998. Em 99, a empresa teve um crescimento de receita de 4,8% em comparação com o ano anterior, somando R$ 3,5 bilhões. O lucro líquido dos Correios passou para R$ 263,7 milhões, um crescimento de 8,2% em relação a 98. "São quatro anos de crescimento positivo", diz Bianchi.

Cresce a Internet, cresce o tráfego postal. Um dos produtos que mais motivou o desenvolvimento da empresa foi o Sedex, que cresceu 10,9% entre 98 e 99, somando 77 milhões de encomendas despachadas durante o ano passado. Atualmente, o Sedex responde a 18% da receita global dos Correios. Apesar do crescimento, o quadro de funcionários continua estabilizado.

Os Correios também levam, à União, recursos captados com as correspondências. Nos últimos dois anos, a empresa repassou para o Governo Federal mais de R$ 500 milhões.

A reforma postal que está em tramitação no Congresso Nacional não é limitada aos Correios, legislando, também, sobre os operadores privados. A maior mudança esperada pela ECT é mesmo a transformação da empresa em S.A, portanto, organizadas por ações.

"É positivo porque isso vai fazer com que a empresa se prepare para a concorrência", explica Bianchi.

Isso porque outro ponto importante da reforma postal brasileira

é a abertura de mercado, que deve se dar de forma gradativa. Em dez anos, não poderá existir nenhum tipo de monopólio no sistema postal dentro do País.

Nos primeiros anos, a ECT ainda deve deter o monopólio da carta, do telegrama e da correspondência agrupada. O protecionismo deve diminuir em cinco anos e ser completamente extinto em dez anos da aprovação da lei.