08 de julho de 2026
Geral

Usina de energia

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 7 min

Pederneiras terá usina de US$ 260 mi

Texto: Fábio Grellet

Usando gás natural, termelétrica vai gerar 500 MW de energia, que serão vendidos às empresas distribuidoras de energia

Foi anunciada oficialmente, na última sexta-feira, em Pederneiras, a construção de uma usina termelétrica no município. O projeto vai exigir investimentos de US$ 260 milhões, aplicados pela empresa norte-americana Duke Energy. Quando a obra estiver concluída, será capaz de gerar 500 megawatts (MW) de eletricidade, que vão ser vendidos pela Duke Energy às empresas distribuidoras de energia elétrica, como a CPFL. A construção da usina vai gerar cerca de 500 empregos e deve ter início em janeiro do próximo ano, sendo concluída em agosto de 2002. Para manter seu funcionamento, a usina vai exigir o trabalho de poucos funcionários - entre 50 e 100, conforme os responsáveis pelo projeto. Mas a disponibilidade de energia a preços competitivos, como a empresa promete oferecer, deve atrair outras empresas para a região. Esse é o aspecto mais importante da obra anunciada anteontem. A usina deve ficar à margem do rio dos Patos, próximo também do rio Tietê.

A Duke Energy atua no Brasil desde julho do ano passado, quando adquiriu, por US$ 1,1 bilhão, oito usinas hidrelétricas situadas ao longo do rio Paranapanema, responsáveis por gerar 2,1 mil MW de energia. Elas foram leiloadas pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e adquiridas pela empresa norte-americana, que criou a Companhia de Geração Hidrelétrica do Paranapanema, responsável por administrar essas usinas. Agora, a Duke Energy passa a investir em energia termelétrica, e escolheu uma área às margens do rio Tietê, em Pederneiras, para instalar sua primeira usina dessa espécie no Brasil.

Para o prefeito de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), trata-se de mais um comprovante de que a cidade caminha rumo ao desenvolvimento. Ele aproveitou a solenidade de lançamento do projeto, realizada no salão nobre da Prefeitura, para relembrar outros empreendimentos que a cidade ganhou, recentemente.

A cerimônia também foi prestigiada pelo secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Aníbal. Ele disse que o lançamento do projeto de construção da usina significa um marco para o País, já que se trata de uma energia alternativa

à hidrelétrica e que, portanto, pode suprir a demanda, cada vez maior. Para Aníbal, a infra-estrutura que Pederneiras vem ganhando nos últimos anos - inclusive com a incrementação do porto intermodal, situado às margens do Tietê

- deve torná-la um pólo de desenvolvimento regional.

Energia térmica é nova aposta do governo

Existem diversos projetos de construção de usinas termelétricas em todo o Brasil, mas este anunciado anteontem, ao menos no âmbito do Estado de São Paulo, é o mais avançado. A construção de usinas termelétricas

é sugerida e apoiada pelo governo federal, que observa nelas a solução mais rápida para a latente falta de energia que pode atingir o País.

O aumento considerável no consumo de energia elétrica, registrado após a implantação do Plano Real, em 1994, exige a ampliação da capacidade de produção desse combustível - que, no Brasil, é gerado especialmente através das usinas hidrelétricas. Instaladas ao longo dos rios, elas usam, nesses casos, a força das águas para mover suas turbinas. Só que os períodos de estiagem, eventualmente longos, impõem riscos a essa forma de geração de energia, dependente da água. Com a falta de chuva, o volume de água armazenado nos rios diminui e a correnteza passa a ter capacidade de movimentar um número menor de turbinas. Com menos turbinas em funcionamento, as usinas produzem menos energia, gerando perigo de um colapso no fornecimento desse combustível. Foi o que ocorreu durante a longa estiagem verificada em 1999. Outro fato que denuncia a necessidade de ampliação da capacidade de gerar energia elétrica, no Brasil, foi o blecaute registrado em 1999, supostamente originado em Bauru.

Além da água, as duas fontes de eletricidade habitualmente usadas são as energias térmica e nuclear. Mas a energia nuclear traz riscos consideráveis, já exige a utilização de elementos químicos perigosos. Assim, eventuais acidentes nas usinas que a utilizam causam prejuízos incalculáveis, como se viu em Chernobyl, na Rússia, depois que a usina local sofreu uma pane. Por isso, é ideal a utilização da outra fonte, a energia térmica. Nesse caso, é usado um produto químico variável

- no caso da usina de Pederneiras, será o gás natural, que é inesgotável, mas pode ser o carvão ou outro produto combustível - para esquentar água líquida e transformá-la em gasosa (vapor). Esse vapor é responsável por movimentar os equipamentos que geram, enfim, a eletricidade.

Segundo frisou o diretor do projeto da usina a ser construída em Pederneiras, a energia térmica é confiável, limpa e causa pequeno impacto ambiental.

Gás natural vai mover turbinas

A usina termelétrica de Pederneiras vai usar gás natural como combustível. Esse produto vai ser captado através de um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia a ser construído pela Gás Brasiliano (a empresa responsável por explorar a distribuição de gás, nessa região do Estado de São Paulo). Segundo o gerente do projeto da usina, Ricardo Séllos, a Gás Brasiliano vai estender um ramal do gasoduto até as imediações da usina, que provavelmente será a principal cliente da Gás Brasiliano na região, absorvendo 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Outras empresas de Bauru e Jaú, porém, vão ter acesso ao gás, através do mesmo ramal. Tendo um grande cliente confirmado - no caso, a usina termelétrica -, a distribuidora de gás deve agilizar as obras de instalação do ramal, tornando o gás disponível, também, para qualquer outra empresa disposta a utilizar esse combustível. Caso o fornecimento de gás natural seja interrompido, por qualquer razão, a usina vai ter capacidade para se adaptar a um combustível emergencial, o óleo diesel.

A proximidade da usina com os rios dos Patos e Tietê também

é fundamental. Embora, no processo de transformação da água em vapor, seja criado um ciclo - que impõe a reutilização da mesma água e, portanto, evita grande consumo dela -, a água corrente é utilizada no resfriamento das turbinas.

Duke é dona de 9 usinas hidrelétricas

Segundo o diretor do projeto da usina, Ricardo Séllos, a empresa Duke Energy foi criada há 90 anos, nos Estados Unidos - onde, além de transportar gás, atua como geradora e distribuidora de energia elétrica. Já presente em outros 16 países, chegou ao Brasil em julho de 1999, quando adquiriu nove usinas de geração de energia, situadas ao longo do rio Paranapanema, as quais pertenciam

à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e foram leiloadas. Para comprar as usinas, a empresa, cujo patrimônio atinge US$ 33 bilhões, desembolsou US$ 1,1 bilhão. Agora, outros US$ 260 milhões serão investidos nesse empreendimento, em Pederneiras.

Ricardo Séllos explicou que, no projeto do governo federal

- através do qual foram determinadas áreas para a construção de usinas termelétricas, dentro do Programa Prioritário de Usinas Termelétricas

- a Duke Energy havia sido autorizada a construir uma usina em Taquaruçu, às margens do rio Paranapanema. Mas, após avaliar as características do local pré-determinado e conhecer as condições reunidas em outra área, situada no município de Pederneiras, a direção da Duke Energy decidiu solicitar ao governo federal a transferência da área onde poderia construir a usina.

Segundo o diretor do projeto da Usina, a área escolhida

- cuja compra foi oficializada anteontem pela empresa - tem aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, dos quais a usina vai ocupar 50 mil. O restante corresponde a áreas de preservação ambiental. A localização é considerada privilegiada em razão de diversos fatores: fica próximo das linhas de transmissão de energia, de um dos ramais do gasoduto Brasil-Bolívia, de uma fonte de água (o rio Tietê), de grandes centros de carga e de um entroncamento rodoviário com grande capacidade de tráfego. Também foi decisivo, na escolha do local, o fato de se tratar de uma área plana e já desprovida de vegetação natural - o que evita o surgimento de empeçilhos em razão da necessidade de desmatar.

A autorização do governo federal de que a Duke Energy dispõe até agora limita a capacidade da usina à produção de 500 MW. Mas o diretor do projeto avalia que ela pode ser ampliada para 1000 MW, e já tem planos para construir outra unidade de produção de energia, ao lado desta que foi anunciada anteontem.