07 de julho de 2026
Geral

Consumo

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Região deve consumir R$ 8,9 bi em 2000

Texto: Paulo Toledo

A região central do Estado de São Paulo deve consumir cerca de R$ 8,85 bilhões neste ano, o que significa 1,16% do total nacional estimado em R$ 765,45 bilhões. O valor é 13% maior do que os R$ 7,83 bilhões previstos para 1999. A população de 1,494 milhão de habitantes, distribuída em 57 municípios considerados, numa área de 26.702 quilômetros quadrados, terá um consumo per capita de R$ 5,92 mil. Estas são algumas das conclusões do estudo Brasil em Foco 2000 - Índice Target de Potencial de Consumo, que apresenta dados demográficos e potencial de consumo detalhado para cada um dos municípios brasileiros. A base de dados do Brasil em Foco é atualizada anualmente pela Target Pesquisas e Serviços de Marketing Ltda., com base em dados de instituições oficiais.

Porém, se considerada uma área ampliada envolvendo todas as cidades num raio de 100 quilômetros de Bauru, ou seja, um total de 74, o potencial de consumo sobe para R$ 9,69 bilhões, para uma população de 1,681 milhão de habitantes e um consumo per capta de R$ 5,767 mil.

Desse volume consumido na região central, de R$ 8,85 bilhões, 96,5%, ou seja, R$ 8,546 bilhões, serão realizados pelas populações urbanas dos municípios, que representam 91,56% do total da região, ou seja, 1,368 milhão de habitantes.

No município de Bauru, que se destaca como líder da região, a população rural de 4.084 habitantes representa apenas 1,29% dos 319.541 habitantes. O total de consumo da população urbana e rural de Bauru deve chegar a cerca de R$ 2,296 bilhões, num aumento de 18,53% sobre os R$ 1,937 bilhão previstos para 1999. O consumo per capita do município chegará a R$ 7,185 mil/ano, numa alta de 11,6% em relação aos R$ 6,438 mil/ano, do ano passado, ou seja, 21,37% superior à média regional.

De acordo com análise realizada pelo economista, consultor de empresas e professor universitário Carlos Roberto Sette, a alimentação, manutenção do lar, saúde, transportes e são os itens onde ocorrerão os maiores desembolsos no consumo geral da região de Bauru, representando cerca de 60% nas quatro principais cidade: Bauru, Marília, Jaú e Botucatu.

Sette destaca que a maior participação no consumo da região, encontra-se concentrada nas classes B1, B2 e C (veja divisão em quadro) que somadas representam 71% dos gastos.

O número de empresas instaladas na cidade perfaz 15.871 unidades, com destaque para os segmentos de comércio e serviços, que juntos totalizam 14.541 unidades, ou seja, 91,62% das empresas. A indústria (1.297) representa 8,17% e a área rural (33) apenas 0,21%. Vale destacar que o número de empresas rurais caiu 77% em Bauru, em relação a 1999, quando eram 100. Na região central, são 56.647 empresas.

O potencial de consumo estimado dos bauruenses está concentrado nos itens de alimentação (22%), manutenção do lar (21%), despesas com saúde (10%), transportes e gastos com veículos (9%), eletrodomésticos (3%) e vestuário

(3%) e calçados (1%). Os demais grupos em proporções menores fecham o total do consumo. Em Bauru, a concentração maior do consumo se dá nas classes B1, B2 e C, acompanhando a tendência da região.

Carlos Sette diz que o estudo mostra que a região de Bauru

é pouco industrializada e muito dependente das empresas das áreas de comércio e serviços. Ele destaca que economia agrícola tem pouca expressão na região. Porém, aponta que algumas cidades como Jaú de Marília têm uma industrialização maior do que Bauru. Porém, esses municípios têm potencial de consumo

é menor (veja quadro). A Quarta cidade com população maior do que 100 mil habitantes, Botucatu, também tem um bom índice de industrialização.

Nessas quatro cidades, o Índice de Alfabetização está acima de 85%, o que é considerado um excelente

índice, comparado com a média nacional. O consumo per capita/ano é respectivamente R$ 7,185 mil, em Bauru; R$ 6,99 mil, em Botucatu; R$ 6,403 mil, em Marília; e R$ 6,151 mil, em Jaú todas acima da média regional de R$ 5,92 mil/ano (veja quadro).

De todas elas, a que tem maior percentual de concentração de consumo na classe C é Jaú, com 36% da população; e tem a menor concentração de consumo na classe A, com 14%. Na classe A, Bauru e Botucatu têm 20% e 19% respectivamente, enquanto Marília possui 19%. Já com relação à classe E, todas mantém um número de aproximadamente 1% (veja quadro).

Coincidentemente, a classe B, englobando as classes B1 e B2 tem em todas as cidades um índice entre 38% à 42% do potencial de consumo da população. O potencial de consumo por classe sócio-econômica em Bauru é o seguinte: classe A tem 20%; classe B tem 41%; classe C tem 30%; classe D tem 8%; e classe E tem 1%.

Para Sette, Botucatu está se diferenciando na questão do consumo, já que tem uma população menor e em perfil muito semelhante ao de Bauru, em termos percentuais. O economista disse que o ideal para Botucatu é que busque o crescimento populacional mantendo o nível de consumo

Sette diz acreditar que o fato de Bauru ter um grande número de funcionários públicos, que estão há cerca de quatro anos sem receber reajustes de salários, possa estar influenciando para que os números de consumo do município não sejam melhores. Por outro lado, as características essencialmente comercial e de serviços fez com que a cidade sentisse menos a questão do desemprego que as cidades mais industrializadas.