Rinite é quadro mais comum de alergia
Texto: Sabrina Magalhães
As inversões térmicas e a maior concentração de pessoas em ambientes fechados favorecem o desenvolvimento de crises no outono/inverno
Dentre todas as alergias respiratórias, a rinite alérgica
é a manifestação mais freqüente. Estima-se que ela atinja entre 15% e 20% da população mundial.
É caracterizada por um mal-estar generalizado, muito semelhante a um resfriado forte: espirros constantes, nariz entupido, coriza, olhos lacrimejantes, coceira nos olhos, no nariz e naquele ponto em que não se sabe ao certo se está coçando a garganta, o ouvido ou o céu da boca.
Estas sensações deixam a pessoa agitada, podendo resultar em dificuldade de concentração (trabalho, escola) ou distúrbios do sono. Geralmente o indivíduo tem alteração do olfato e paladar, fica com o rosto muito vermelho, inchado e quente, como se estivesse com febre. Não é, mas a sensação é a mesma.
De acordo com Elaine Gagete Miranda da Silva, médica do Centro Botucatuense de Controle de Alergia, a rinite é um quadro freqüente justamente porque é causada por agentes inalados e o nariz é a porta de entrada para todos esses elementos. Cabe a ele promover a limpeza, umidificação e aquecimento do ar inspirado. Para tanto, ele é dotado de um complexo mecanismo de defesa. Ao entrar em contato com uma substância tóxica, desencadeia uma resposta imediata, no intuito de impedir que aquele elemento chegue aos pulmões: há uma obstrução nasal bloqueando a entrada; em seguida, espirros e coriza, que vão expulsar o "invasor".
Este sistema é comum a todas as pessoas, sendo ativado sempre que há contato com vírus e bactérias. A diferença é que, no alérgico, ele é muito mais sensível, sendo ativado também por partículas de poeira, ácaros da poeira, mofo, pêlo de animais, resíduos de pele de animais e insetos (principalmente da barata), pólen de flores, cheiros fortes, fumaça, fiapos de lã ou tecido e muitas outras coisas que não
"irritariam" um não alérgico. É a chamada hiper-reação ou hipersensibilidade. E quanto maior e longo for o contato com o alérgeno, mais intensos serão os sintomas.
Nesta época do ano (outono/inverno), os quadros de rinite tornam-se ainda mais comuns. Primeiro, porque as pessoas tendem a passar mais tempo em ambientes fechados. Segundo, porque é quando todas as pessoas retiram do armário roupas e cobertores que ficaram guardados por vários meses. O pó e o cheiro forte são "venenos" para o alérgico.
Tratamento
Segundo a médica, o tratamento da rinite atua em várias frentes. A primeira delas é fazer com que o alérgico não tenha contato com a substância que desencadeia os sintomas. Ou, pelo menos, fazer com que esse contato seja o menor possível. Então, cortinas, carpetes e almofadas devem ser banidos dos ambientes onde há um alérgico. Se isso não for possível, tudo deve ser limpo minuciosamente e com bastante freqüência.
Pisos frios ou de madeira, mesas, criados e estantes, devem ser limpos diariamente com panos úmidos, pois vassoura e espanador só espalham o pó. Aí, vale observar quais produtos podem ser usados na limpeza, já que muitos também são irritantes ao alérgico. E animais de estimação, nem pensar.
No quarto de dormir, é preciso evitar o acúmulo de papéis, caixas, enfeites, bichos de pelúcia e tudo o que possa ficar exposto, acumulando pó. Travesseiro e colchão devem, preferencialmente, ser encapados com materiais impermeáveis. As roupas de cama e banho devem ser trocadas e lavadas pelo menos uma vez por semana. E o ambiente deve ser bem ventilado, arejado e ensolarado, para evitar que haja o surgimento de bolor (fungos). Além de tudo isso, ninguém deve fumar dentro da casa de um alérgico.
Se estas medidas não forem suficientes ou se as crises forem desencadeadas no ambiente de trabalho, por fatores que não podem ser modificados, então o médico pode prescrever medicamentos. Há dois grupos destas drogas. Um deles age sobre os sintomas, dando alívio ao paciente. O outro atua preventivamente, tentando diminuir a sensibilidade do indivíduo, tornando as crises mais raras e amenas.
Vale ressaltar, no entanto, que todo medicamento apresenta efeitos colaterais e alguns produtos podem causar dependência física
(vício). Então, é imprescindível consultar um especialista e adotar as normas de limpeza para poder reduzir ou eliminar os remédios.
Vacina
Uma pequena porcentagem dos alérgicos, no entanto, é tão sensível que não responde nem aos cuidados de higiene, nem aos medicamentos. Neste caso, é indicado o uso associado de vacinas antialérgicas. A desvantagem
é que este é um tratamento muito longo, com várias injeções. Mas, seguido corretamente, pode até levar o organismo a não mais reagir ao elemento, resultando na abolição completa dos medicamentos. Pelo menos, enquanto não houver uma outra manifestação alérgica.