08 de julho de 2026
Geral

Tratamento de esgoto

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Esgoto de Tibiriçá terá tratamento completo

Texto: Josefa Cunha

Dentro de aproximadamente 30 dias, o distrito de Tibiriçá passará a integrar a lista das localidades que cumprem as normas ambientais no que se refere ao tratamento de esgoto. Desde a última semana, equipes do Departamento de Água e Esgoto (DAE) trabalham na construção de pequenas lagoas de estabilização e no aperfeiçoamento do filtro biológico que existia quando o tratamento era parcial no distrito. Após as adequações, que devem ser concluídas daqui a um mês, Tibiriçá terá a primeira unidade de tratamento de esgoto completa de Bauru. O melhoramento consumirá um investimento de R$ 15 mil.

O presidente do DAE, Sérgio Silva Macedo, explicou que o distrito já teve um sistema de tratamento, o qual foi abandonado sem razões aparentes. "Para mim, foi por descaso", opinou Macedo, informando que o antigo método será aproveitado a partir de algumas melhorias e complementações. O processo de tratamento no distrito foi inaugurado em 1991, mas teria se tornando insuficiente por conta de um núcleo habitacional que aumentou a população local.

O sistema a ser implantado em Tibiriçá terá um esquema simples, mas eficiente o bastante para não mais poluir o Rio Batalha. O esgoto produzido por todo o distrito, onde residem cerca de 1.200 pessoas, será despejado numa fossa séptica após passar por uma espécie de peneira (gradeamento), que reterá areia e outros materiais maiores (pedaços de pano, borracha, madeira, etc). Dentro dessa caixa séptica, o esgoto sofrerá o ataque de bactérias, num processo que inicia a depuração da água. Terminada essa fase, o líquido será transferido para o chamado filtro biológico, uma espécie de tanque cheio de brita povoado por colônias de bactérias. Nessa etapa, os microorganismos que se desenvolvem na superfície das pedras decompõem os dejetos, transformando o líquido num material inerte. O processo seguinte, e último, se dará nas lagoas de estabilização que estão sendo construídas. "Quando sai do filtro biológico, a água já está com um índice bem pequeno de bactérias, mas as que ainda existem acabam morrendo quando expostas ao ar", explicou Macedo.

Das lagoas, a água será lançada no córrego Barra Grande, afluente do Rio Batalha, num ponto localizado abaixo do centro de captação da água distribuída

à maior parte dos habitantes de Bauru. Segundo Macedo, a água do esgoto tratado é limpa, mas imprópria para o consumo. Mesmo assim, a quantidade de bactérias nela existente acaba sendo absorvida pela própria natureza.

"Em localidades pequenas, como o distrito de Tibiriçá, esse sistema é possível. Em Bauru, entretanto, não poderíamos adotá-lo, já que a quantidade de esgoto, ainda que tratado, estaria muito acima da capacidade de absorção da natureza", justificou.

Estima-se que o método de tratamento a ser adotado em Tibiriçá tem potencial para despoluir 90% do esgoto, mas esse percentual só será confirmado depois que o sistema estiver operando e que for possível avaliar as condições da água.

Tratamento em Bauru

Enquanto o distrito de Tibiriçá está próximo de atender às exigências ambientais, a cidade de Bauru continua sem soluções imediatas para o problema do esgoto despejado in natura no rio Bauru. Embora o DAE tenha o propósito de concluir um projeto até o fim deste ano, o município corre o risco de amargar o pagamento de multas a partir de 2001.

No momento, a autarquia está em processo de licitar a execução de um anteprojeto específico para o tratamento do esgoto de Bauru. "Nossa intenção é concluir esse projeto e obter sua aprovação na Cetesb e na Secretaria Estadual do Meio Ambiente até o final de 2000. Colocá-lo em prática, porém, será outra história. Temos três caminhos, mas todos têm suas conseqüências: a implantação do sistema por conta própria, o que exigiria o reajuste tarifário; a contração de um empréstimo, mas isso estaria vinculado à privatização do sistema e ao aumento nos preços dos serviços, e, por fim, a conquista de uma verba de R$ 25 milhões que está prevista no orçamento da União, mas isso dependeria da articulação de deputados e de uma complementação financeira, já que esse recurso não seria suficiente", expôs Macedo.