07 de julho de 2026
Geral

Incubadora

Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Incubadoras oferecem aporte financeiro e expertise a projetos de Internet

Texto: Eva Rodrigues

Uma idéia na cabeça e nenhum dinheiro no bolso? Essas mentes criativas que perambulam por terras brasileiras agora têm aonde recorrer. São as incubadoras, ou econets

(economic networks), que financiam e dão suporte a projetos em fase embrionária na web.

Mas não basta apenas um projeto que pareça interessante, ele tem que reunir alguns elementos: uma idéia original, um empreendedor completamente envolvido e capaz de colocar o negócio em prática e um mercado que seja promissor. Assim, poucos projetos acabam passando pelos perspicazes olhos dos dirigentes das incubadoras. Se aprovado, o projeto recebe, além do aporte de capital, apoio na infra-estrutura, consultoria estratégica e de marketing.

A Ideia.com está no mercado há três meses e tem sete empresas incubadas. Entre os critérios adotados estão o de evitar entrar na grande briga do mercado incubando portais, provedores de acesso, lojas ou qualquer outro e-commerce.

"Eu vou incubar aplicativos, ferramentas, serviços que sejam coisas de apoio a tudo isso", explica o CEO da empresa, Bob Wollheim. "A gente trabalha no que chama de early stage, o momento inicial do projeto, isso não significa que eles serão pequenos sempre mas começam assim, devagar. Tem coisas que podem virar grandes, outras não pois têm como característica ser uma coisa menor mesmo."

Histórico de realizações

Na incubadora Invent (atua no mercado desde janeiro), cada novo projeto é avaliado em três critérios básicos:

"Escalabilidade do projeto, ou seja, sua capacidade de crescer sem que os custos fixos cresçam; tem que ter condições de ser líder do segmento em que está atuando; por trás do projeto deve estar um time que tenha um histórico de realizações", discorre o diretor de Marketing da Invent, João Pedro Serra.

Independente das especificidades de cada incubadora, um processo de incubação costuma durar em torno de seis meses. Depois desse período - se os negócios prosperarem,

é claro -, os investidores vendem sua participação com lucro garantido ou ficam com uma parcela minoritária do negócio. Por conta do potencial de investimentos do mercado brasileiro há em torno de 15 incubadoras atualmente

à caça de novas idéias

Passos a seguir

Se você tem uma idéia de projeto e não sabe o que fazer com ela, siga as dicas de Bob Wollheim, da Ideia.com

1 - A primeira coisa que você tem a fazer é destruir a idéia, fazer de conta que você é seu próprio concorrente. Faça um exercício de tentar acabar com você mesmo e veja o que acontece. Se você conseguir isso muito fácil com outra idéia, deve parar e repensar o projeto

2 - Arrume um amigo, pai de um amigo, alguém que seja de negócios - não precisa ser web - mas alguém que tenha mais experiência e que olhe a sua idéia e dê alguns palpites, que fale "Olha, você esqueceu de pensar nisso, isso que você está pensando em fazer

é proibido, isso vai ter um imposto enorme..."

3 - Comece a pensar o projeto como business, negócio. Antes você estava pensando no projeto sempre do ponto de vista do usuário. Agora pense do ponto de vista dos negócios: tem possibilidade de ter anunciantes? Quanto o projeto pode custar? Como a idéia pode crescer? Se der certo no comecinho quais serão os próximos passos? E assim por diante...

4 - Monte o que a gente chama de Business Sumary, um resumo dos negócios. Tente colocar isso numa página só. Nessa etapa não precisa fazer um Business Plan, uma coisa mais complexa. Faça um resumo, se você conseguir colocar todo o seu argumento numa página, perfeito. Junto com esse momento você pode começar a trabalhar no Business Plan mas não se preocupe demais com ele

5 - A próxima etapa é você procurar a ajuda de uma incubadora ou de um investidor em geral

6 - Depois que você conversou com investidores, bancos, incubadoras, etc, escolha o seu parceiro certo

7 - Meta a cara

8 - Tenha os pés no chão

9 - Lembre-se que muitas coisas da chamada nova economia têm muito a ver com a velha economia, muito mais do que se pensa. Então, pense o seu negócio também um pouquinho sob a ótica da velha economia

10 - O mercado não compra Business Plan, o mercado compra você. Então, vá à luta e venda-se você mesmo - você S.A. à venda. Vender não no sentido de vender a alma ao diabo, mas no sentido de ter brilho nos olhos, ser apaixonado, vender o carro se for preciso porque aí, quando você contar isso para o investidor ele vai dizer

"isso é legal, eu gosto desse tipo de gente, com garra, determinação..."