Greve continua apesar da ameaça dos substitutos
Texto: Ieda Rodrigues
Os professores da rede estadual de ensino, em assembléia ontem à tarde em São Paulo, decidiram manter a greve iniciada no dia 4 de maio, apesar de a Secretaria Estadual de Educação estar ameaçando contratar substitutos para o lugar dos grevistas. O prazo máximo dado pela Diretoria de Ensino de Bauru para os grevistas voltarem ao trabalho se encerrou ontem.
A Apeoesp (sindicato dos professores da rede oficial de ensino) garante que a greve continua e rebate a contratação de professores substitutos - a dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, disse que os diretores estão orientados a contratar, já hoje, substitutos caso haja professores em greve. "Os professores estão retornando. Quem não retornar, vamos contratar substitutos para o lugar deles, apesar de ser uma medida dolorida de ser adotada porque temos respeito à categoria. Mas é preciso pensar no aluno, o mais prejudicado", ressaltou.
Duílio Duka de Souza, coordenador e diretor da Apeosp, afirmou que o sindicato vai entrar com mandado de segurança contra as eventuais contratações de professores substitutos. "Essa contratação é ilegal porque a greve é um direito do trabalhador e eles estão dispostos a fazer a reposição", disse. Edinéa orienta os pais a mandar seus filhos para as escolas a partir de hoje, garantindo que haverá aula. Já Duka pede aos pais o contrário, que não mandem seus filhos para a escola.
Pelo levantamento da Diretoria de Ensino, ontem, das 48 escolas de Bauru, 13 estavam funcionando normalmente, 21 parcialmente e 15 estavam com as atividades paralisadas. De acordo com a Apeoesp, a adesão à greve na cidade está na casa dos 80%. Os profissionais do magistério querem 54,7% de reajuste salarial.
A Diretoria de Ensino já tem pronto o calendário de reposição de aulas partindo do princípio que a greve terminou ontem. A proposta inicial, de reposição aos sábados não foi aceita pela secretaria de Educação, Rose Neubauer. O novo cronograma prevê aulas no recesso de agosto, nos feriados, nos dias reservados para conselho de classe e nas férias de janeiro.
A Udemo (sindicato de especialistas de educação do magistério oficial do Estado de São Paulo) também segue a decisão de continuar a greve. A representante regional da Udemo, Maria José de Oliveira Faustino, disse que os diretores e professores que voltaram ao trabalho o fizeram por pressão, porque teriam sido alertados que perderiam o emprego
(no caso dos professores temporários) ou a função que exerciam - no caso dos profissionais do magistério designados (concursados para uma função, mas nomeados para outra).
Maria José também questiona o calendário de reposição de aulas feito pela Diretoria de Ensino de Bauru. Para a representante da Udemo, além de a reposição não poder ser feita nas férias de janeiro, o calendário deve ser baixado através de resolução da Secretaria de Educação. A Udemo alega que janeiro
é mês de férias do professor.
Duílio Duka também reclamou que os professores estão sofrendo muita pressão para voltar a trabalhar, mas disse que desconhece demissões ou perda de cargos em Bauru em função da greve. Hoje, a diretoria da Apeoesp deve percorrer as escolas, para tentar convencer os professores a continuar a greve.
Após a assembléia de ontem, os professores e outras categorias de servidores estaduais em greve seguiram em greve até a Assembléia Legislativa. Está marcada, para o próximo dia 8, outra assembléia estadual para decidir os rumos do movimento. Duka contou que o Governo teria dito que, talvez, na próxima semana inicie negociação com os professores.