07 de julho de 2026
Geral

Amputação

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia averigüa erro médico em amputação de perna

Texto: Andréia Alevato (*)

O 3.ª Distrito Policial abriu inquérito policial para averiguar se houve erro médico ou omissão de socorro no atendimento de José Vanderley Marcelino, 40 anos, morador na Bela Vista, que teve a perna direita amputada. Marcelino, conforme boletim de ocorrência registrado pela família, procurou o Pronto-Socorro Central no dia 15 de maio reclamando de dores na perna direita.

Marcelino, que trabalha como cobrador de ônibus, contou ao primeiro médico que o atendeu, no PS, que havia batido as costas na semana anterior no local de trabalho, mas não havia sentido nenhuma dor. Somente na madrugada do dia 15 é que teria sentido fortes dores na perna direita. Então, o médico o medicou e o encaminhou para o Setor de Ortopedia do Hospital de Base.

"Minha perna estava doendo muito, mas o médico disse que já tinha me dado o remédio e que nem estava doendo tanto assim. Aí me mandou para o ortopedista", disse Marcelino.

O paciente fez uma radiografia e voltou ao Pronto-Socorro Central no dia 16. Lá, um segundo médico engessou Marcelino da virilha até o ombro e afirmou que o problema não estava na perna, mas sim nas costas.

Segundo contou a mulher de Marcelino à polícia, Renata Alves de Nogueira, o médico insistiu que o problema era nas costas e porque a perna estava vermelha e doendo muito.

"Eu sentia muita dor, mas já não sentia minha perna", completou o paciente.

No dia 18, Marcelino procurou o Pronto-Socorro do Núcleo Mary Dota, já que as dores nas pernas não passavam com a medicação e, a cada dia, ficava mais roxa. Lá, ele foi atendido por outro médico, que diagnosticou o caso como trombose arterial e o encaminhou para um quarto médico, especialista no caso, que amputou a perna direita de Marcelino.

Nesse mesmo dia, um quinto médico, ortopedista, examinou Marcelino e teria afirmado que ele não deveria estar engessado, já que não tinha nenhum problema nas costas. Marcelino foi internado no Hospital de Base, onde fez a cirurgia. Ele voltou para casa no dia 27, e passa bem. "Quero que os dois médicos que me atenderam nas primeiras vezes que eu fui ao Pronto-Socorro

(nos dias 15 e 16) sejam punidos. Até os médicos que me atenderam depois disseram que se tivessem me examinado corretamente, eu estaria trabalhando e com a minha perna", lamentou Marcelino.

O delegado Dinair José da Silva, do 3.º DP, já instaurou inquérito policial para averiguar se houve ou não omissão de socorro ou erro médico. Nos próximos dias, ele vai ouvir as partes envolvidas. A médica e diretora do Departamento de Urgência e Emergência do Pronto-Socorro, Marília Simões Garcia, disse que o caso ainda não havia sido comunicado à diretoria do Pronto-Socorro e as únicas informações que ela tinha sobre o caso são as descritas na ficha do paciente.

Nessa ficha consta o diagnóstico e os medicamentos receitados pelos médicos. As informações sobre o diagnóstico do Setor de Ortopedia, a diretora do departamento afirmou que desconhece, já que esse é um setor pertencente ao Hospital de Base e não ao Pronto-Socorro. Para ela, a investigação deve ser completa, tanto por parte da Polícia como pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

O presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Georges Saab, afirmou que a entidade irá averiguar o caso e encaminhar para o Conselho Técnico. Antes disso, ele não quis comentar o caso.

* Colaborou Ieda Rodrigues