Nissan investirá US$ 300 milhões no Mercosul
Texto: Paulo Toledo
A Nissan Motor Co. investirá, até 2005, US$ 300 milhões, nos países do Mercosul para fabricar localmente cinco produtos, dos quais três ainda estão em estudo. A expansão na região está baseada na aliança Renault-Nissan, firmada em março de 1999, e utilizará a infra-estrutura industrial e comercial da montadora francesa.
A aliança pretende conquistar, até 2010, 15% do mercado do Mercosul de veículos - o quarto maior do mundo atrás apenas da Alca, Europa e Japão -, projetado em 3,5 milhões de unidades naquele ano, num crescimento de mais de 50% sobre os cerca de 1,7 milhão produzidos em 99. Para isso, o primeiro investimento conjunto no mundo vai ser realizado na fábrica da Renault de São José dos Pinhais (PR), na qual será lançada hoje, a pedra fundamental da ampliação, que consumirá US$ 90 milhões.
A previsão é que, a partir do primeiro trimestre de 2002, a fábrica esteja produzindo o novo modelo da picape Frontier. O outro produto Nissan previsto para fabricação no País é a picape Xterra.
Carlos Ghosn, chefe de Operações da Nissan, que toma posse no final de junho como presidente mundial, informou ao Jornal da Cidade, ontem, em São Paulo, que mais três veículos deverão ser fabricados na região, até 2005, o que consumirá mais US$ 210 milhões em investimentos. O que se sabe, até agora, é que serão projetos mundiais, dos quais um deles será um veículo popular.
A Nissan projeta chegar a uma produção anual de 20 mil unidades da nova Frontier - que estará no mercado dos Estados Unidos neste verão -, a partir de 2001. As compras de autopeças, prevê Ghosn, deverão ser feitas 90% de fornecedores compartilhados com a Renault. O
índice de nacionalização deverá alcançar 64%.
O efeito sinérgico da aliança, que é classificada como "forte e para sempre" pelo vice-presidente executivo da Renault, Pierre-Alain De Smedt, deve ser uma redução de custos de US$ 500 milhões este ano e US$ 3 bilhões em 2005. A produção da picape Xterra só ocorrerá um ano após o início da fabricação da Frontier.
Vendas
A Nissan desenvolverá sua rede de distribuição no Brasil por meio da seleção de novas concessionárias Renault. A projeção é ter 120 pontos de vendas até 2003. A rede será ampliada, também, na Argentina e Uruguai. As funções de apoio, tais como administrativa, logística e de serviços, baseadas na estrutura da Renault, serão compartilhadas entre as duas marcas, minimizando os custos na operação conjunta. Isso possibilitará à Nissan estabelecer uma subsidiária no Brasil já neste ano, inicialmente para apoiar o investimento industrial na nova Frontier. Em 2002, essa subsidiária passará a importar e vender os produtos Nissan para o Brasil e exportará os produzidos no País. Até 2010, a Nissan pretende vender 150 mil veículos por ano no Mercosul, atingindo uma participação de 4% do mercado projetado.
Em relação à nova Frontier, Smedt afirma que o preço deverá ser reduzido com a nacionalização. A versão atual da picape é importada do Japão e custa cerca de R$ 64 mil.
Expansão da Renault vai facilitar para Nissan
A nipônica Nissan vai ter uma maior facilidade em ampliar suas operações no Mercosul, graças à estratégia de crescimento rentável que a montadora francesa começou a implementar em 1995.
Entre 1996 e 2001, a Renault está injetando US$ 1,5 bilhão, que pretende alcançar uma venda de 320 mil veículos/ano em 2005.
No Brasil, a fábrica de São José dos Pinhais, que tem capacidade para produzir 120 mil veículos anos
(atualmente o Clio e o Scénic), além de 280 mil motores. Além da nova Nissan Frontier, a nova fábrica vai produzir o utilitário Renault Master.
No ano passado, apesar do mercado do Mercosul ter encolhido, a Renault vendeu 110 mil unidades, num market share (participação no mercado) de 6,3%. Na Argentina, a marca consolidou sua liderança ao atingir 19,2% do mercado. No Brasil, houve a duplicação do market share, que atingiu 2,7%, num total comercializado de 32,5 mil veículos. De acordo com a empresa, a marca está em quinto lugar no Mercosul.