08 de julho de 2026
Geral

Ética médica

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 2 min

Sete inquéritos da DDM apuram omissão de socorro

Texto: Adriana Rota

Sete inquéritos policiais instaurados na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) apuram eventuais ocorrências de omissão de socorro e erro médico. Seis são deste ano e quatro deles referem-se às denúncias de falta de pediatras para atendimento pós-parto na Maternidade Santa Izabel, levadas a público no dia 7 de janeiro pelo JC.

A titular da DDM, Rejani Borro Tiritan, afirmou que esses casos exigem um tempo maior de investigação, devido à complexidade. Há a necessidade, por exemplo, de levantar os prontuários de atendimentos, requisitar exames periciais de especialistas no assunto, além do procedimento rotineiro de colher os depoimentos dos envolvidos.

Ela apontou, ainda, que a repercussão alcançada pela denúncia sobre problemas de saúde e mortes de bebês nascidos na Maternidade Santa Izabel, que teriam ocorrido por falta de presença de um pediatra logo após o parto, instigou outras famílias a procurarem a Justiça, daí o grande número de denúncias, inclusive de anos anteriores.

Os três outros inquéritos avaliam situações de possíveis erros médicos, que incluem negligência, imperícia ou imprudência por parte do profissional. Apenas um deles é do ano passado. A delegada prefere não falar sobre os casos antes de serem concluídas as investigações.

Rejani afirmou que, sempre que uma denúncia do gênero chega à DDM, ela é repassada (com cópias dos originais) para o Conselho Regional de Medicina

(CRM), que avalia o âmbito administrativo do caso. "Quando percebo que se trata de erro, mas que não caracteriza um crime, passo diretamente para o CRM. Nesse caso, o inquérito

é arquivado".

A delegada entende que a falta de diálogo entre médico e familiares ou a utilização de linguagem inacessível são as grandes responsáveis por algumas denúncias. Ainda assim, ela aconselha que eventuais dúvidas sejam levadas ao conhecimento da Justiça e do próprio CRM, para que as responsabilidades sejam apuradas.

"As pessoas ainda sentem-se muito constrangidas em denunciar. Além disso, às vezes chegam a superar a perda e acreditam ser melhor deixar como está, com medo de reviver a problemática", exemplificou.